111 espécies de pequenos crustáceos no plâncton amazônico são identificadas em estudo na UFRA

Estudo na costa amazônica mapeia a diversidade e as características ecológicas dos copépodes, pequenos crustáceos importantes para a cadeia alimentar marinha e que servem de alimento para peixes.

Fotografia de uma amostra de zooplâncton com diferentes organismos identificados por números. O número 2 corresponde a Temora stylifera, espécie de crustáceo citada no estudo. Foto: Adriana Zingone, Domenico D’Alelio, Maria Grazia Mazzocchi, Marina Montresor, Diana Sarno, LTER-MC team, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Um levantamento de pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), no Pará, e parceiros mostra diferenças na composição do plâncton entre ambientes costeiros, de transição e mais oceânicos da Plataforma Continental Amazônica. Uma análise dos copépodes, pequenos crustáceos que formam o grupo mais abundante nas amostras estudadas, revela que algumas características ecológicas predominantes são compartilhadas entre os ambientes, como onivoria, alimentação mista e captura de presas por emboscada.

A diversidade dessas características, por sua vez, varia entre as comunidades analisadas. As constatações estão em artigo publicado na revista Brazilian Journal of Biology.

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Essenciais para a sustentabilidade da vida aquática, esses pequenos crustáceos, os copépodes, vivem à deriva na água e têm a função essencial de levar carbono e energia dos microrganismos e das algas para animais maiores. Esses pequenos animais, que costumam ter de 1 a 5 milímetros de comprimento, servem de alimento para larvas de peixes e ajudam a manter os ciclos de nutrientes do planeta.

O trabalho analisou amostras dos crustáceos coletadas em 2001, durante três campanhas oceanográficas, em 51 pontos da Plataforma Continental Amazônica e de águas oceânicas próximas, ao largo de Maranhão, Pará e Amapá. As redes percorreram a coluna de água desde a superfície até profundidades máximas entre 12 e 200 metros, conforme o ponto de coleta. Os pesquisadores identificaram 197 grupos de organismos, incluindo 111 espécies de copépodes. Desses grupos, 64 foram registrados nas três campanhas.

Praia do Atalaia, no pará. 




111 espécies de pequenos crustáceos no plâncton amazônico são identificadas em estudo na UFRA
O trabalho analisou amostras de pequenos crustáceos em 51 pontos da Plataforma Continental Amazônica e de águas oceânicas próximas, ao largo de Maranhão, Pará e Amapá. Na foto, Praia do Atalaia, no Pará. Foto: Alex Ribeiro/Arquivo Agência Pará

Além da identificação dos organismos, a equipe analisou características ecológicas de 101 espécies de copépodes, para as quais havia informações disponíveis. Foram avaliadas suas estratégias de alimentação e reprodução, os tipos de alimento consumidos, os ambientes que ocupam e sua distribuição na coluna de água, organizando essas informações em 29 categorias.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a extensão da costa amazônica?

Crustáceos representam conhecimento

Os dados foram obtidos há mais de duas décadas no âmbito do programa REVIZEE — Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A base permanece relevante por fornecer uma linha de base histórica indispensável para a avaliação da biodiversidade em um ecossistema tropical onde registros biológicos contínuos são escassos.

“Estas amostras representam um patrimônio científico que continua produzindo conhecimento. Conhecer a diversidade dos copépodes contribui para compreender as relações alimentares que sustentam a vida marinha e pode orientar pesquisas e ações de acompanhamento ambiental”, explica o professor Nuno Melo, da UFRA, autor líder do artigo, que também conta cientistas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e da Universidade de Aveiro, em Portugal.

Segundo o autor, os resultados do trabalho dialogam diretamente com as recomendações do Plankton Manifesto, iniciativa vinculada ao Pacto Global da ONU criada para conscientizar a sociedade e orientar decisões de conservação sobre a vida planctônica.

O manifesto internacional pede investimentos contínuos e redes permanentes de observação dos oceanos para acompanhar as mudanças ecológicas ao longo do tempo. Ao mostrar a importância dos pequenos crustáceos para a cadeia alimentar na costa brasileira, o estudo reforça que a proteção dos oceanos também deve incluir os organismos microscópicos, muitas vezes ignorados.

Dando continuidade às pesquisas, os pesquisadores desenvolvem atualmente o Projeto PLUMA, financiado pela Petrobras e executado pela UFRA com apoio da FADESP. Nesta nova fase, os pesquisadores analisam a composição química da água, acompanham o zooplâncton e os organismos que vivem na superfície e reúnem dados históricos sobre a pesca na Bacia da Foz do Rio Amazonas.

As expedições e coletas em alto-mar ampliarão o conhecimento atual da região e poderão apoiar comparações com os registros históricos do REVIZEE, respeitando as diferenças entre os levantamentos, completa Melo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

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