Você já viu um pontinho vermelho que aparece na pele e logo depois se transforma numa espécie de mapa? Literalmente, essa “característica geográfica” que coça bastante é o principal sintoma do “mijacão”. O termo popular é o que define a dermatite serpigionosa, infecção de pele causada por larvas presentes nas fezes de cães e gatos e que contaminam os humanos.
Na sétima reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges para entender melhor o que é esta doença conhecida como “mijacão”, um tipo de dermatite que causa muita coceira, irritação e lesões que se parecem com desenhos geográficos sob a pele.
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O que é “mijacão”?

Também conhecido de “bicho-geográfico” ou dermatite serpiginosa, o “mijacão” é o nome popular dado à larva migrans cutânea, parasita da espécie Ancylostoma que vivem no intestino de cães e gatos e penetram na pele dos seres humanos através de suas fezes.
Hospedeiros dessa larva, os animais domésticos são infectados quando ingerem o verme por meio da água ou alimentos contaminados. No intestino, o parasita se desenvolve até a fase adulta, onde eclodem os ovos e liberam as larvas através das fezes dos animais.
Já presentes no solo, as larvas se proliferam e ficam prontas para infectar humanos e outros animais.
Transmissão
A transmissão do “mijacão” acontece por meio do contato direto da pele com o solo contaminado pelas larvas. Locais quentes e úmidos como praias, parques e quintais, frequentemente utilizadas pelos cães e gatos para defecar, são ambientes favoráveis para a contaminação.
Andar descalço ou brincar com os animais nesses locais são os principais facilitadores para a contaminação do “mijacão” nos humanos. Normalmente, as crianças são as mais acometidas pela doença, pelo fato de utilizarem esses ambientes para brincarem.

Sintomas
O primeiro sintoma do “mijacão” é o aparecimento de uma bolinha vermelha, semelhante a uma picada de inseto, provocada pela penetração do verme na pele. Em seguida, a coceira é acompanhada pela formação de linhas avermelhadas e sinuosas parecidas com uma mapa.
Isso ocorre porque a larva entra no organismo e consegue se mover na camada mais externa da pele, deixando a marca do seu trajeto em pequenas lesões, daí o nome “bicho-geográfico”.
Esses “túneis” podem avançar de dois a cinco centímetros por dia e coçam bastante, além da formação de bolhas. A sensação de movimento debaixo da pele e a irritação da coceira podem desencadear inflamação e até ferimentos.

Os sintomas aparecem minutos ou até semanas após o contato inicial com a larva, já que ela pode permanecer dormente por algum tempo até começar a se movimentar e liberar a secreção que causa a irritação na pele. Mãos, pés, joelhos e nádegas são os locais que normalmente aparecem os sintomas do “mijacão”, já que entram mais facilmente em contato com o chão contaminado e, consequentemente, com a larva infectante.
Diagnóstico

O diagnóstico do “mijacão” é, na maioria das vezes, clínico. O dermatologista pode identificar a condição pela aparência das lesões e pela história do paciente, como a exposição a ambientes onde a infecção é comum, como praias ou áreas com solo contaminado.
Em casos mais complexos, exames laboratoriais podem ser realizados para confirmar a presença das larvas ou para descartar outras condições com sintomas semelhantes.
Tratamento
O tratamento do “mijacão” é relativamente simples e envolve medidas como o uso de medicamentos antiparasitários, pomadas ou cremes corticóides e a aplicação de compressa de gelo no local. Os remédios devem ser prescritos pelo médico especialista para aliviar os sintomas e evitar complicações.
No entanto, em grande parte dos casos, os sintomas do “mijacão” desaparecem entre cinco a seis semanas após a morte das larvas no organismo. Em caso de tratamento, eles tendem a sumir entre dois ou três dias.
Prevenção
A adoção de algumas medidas ajuda a prevenir a infecção do “mijacão”, principalmente em áreas onde o risco de contágio é maior. São elas:
- Evitar andar descalço, principalmente em praias e áreas externas onde animais costumar estar presentes;
- Manter o bom higiene de animais, deixando a vermifugação de cães e gatos em dia e a limpeza dos seus ambientes
- Tomar um bom banho, especialmente depois de visitar locais suscetíveis à contaminação do “mijacão”;
- Usar toalhas ou panos, quando for deitar ou sentar em locais onde cães e gatos estão presentes.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
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