Avanço da febre Oropouche na Amazônia é investigado por pesquisadores no Amapá

Estudo analisa comportamento do mosquito maruim e os fatores que favorecem a transmissão da febre Oropouche em áreas urbanas e rurais do estado.

Em 2025, o Brasil registrou mais de 10 mil casos da febre Oropouche, alta de 50% em relação ao ano anterior. Mosquito maruim é estudado. Foto: Divulgação/Dive

Pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap) iniciaram um estudo para avaliar os riscos de transmissão da febre Oropouche na Amazônia. Em 2025, o Brasil registrou mais de 10 mil casos da doença, alta de 50% em relação ao ano anterior.

O vírus Oropouche circula no país há décadas, mas ainda é pouco conhecido. A transmissão ocorre pelo mosquito maruim, comum em áreas de floresta.

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Na região amazônica, já foram registrados surtos e casos isolados ao longo dos anos. No Amapá, os cientistas buscam entender como a doença se espalha.

Transmissão da febre Oropouche

O Oropouche é um arbovírus, ou seja, transmitido por insetos. O principal vetor é o mosquito maruim, que também pode carregar outros vírus tropicais de importância epidemiológica.

De acordo com o Ministério da Saúde, há dois tipos de circulação: silvestre e urbana. No ambiente rural, o mosquito transmite naturalmente. Já nas cidades, o ser humano pode se tornar hospedeiro. O professor Nonato Souto, da Unifap, explica:

“Ele é um inseto silvestre, mas consegue vir para o ambiente urbano quando há expansão demográfica”, disse

Rondônia é o 2° estado do país com mais casos de Febre Oropouche em 2024, aponta Ministério da Saúde —
Foto: Flávio Carvalho/WMP/Fiocruz

Em Macapá, por exemplo, a urbanização avança sobre áreas de floresta. O maruim é atraído por fatores como gás carbônico, ácido lático e a presença de animais.

“Nós exalamos gás carbônico, ácido lático, temos animais. Todos esses fatores acabam atraindo o mosquito da mata para dentro das residências”, detalha Souto.

O mosquito pode percorrer até 1 quilômetro da mata para áreas urbanas, aumentando o risco de transmissão. Os pesquisadores destacam que ainda há muito a ser estudado sobre o comportamento do vetor e do vírus.

Leia também: Estudo aponta fatores por trás de expansão de febre Oropouche para fora da Amazônia

Investigação em Mazagão

Segundo os pesquisadores, em Mazagão a investigação é mais aprofundada. O pesquisador Eric Fonseca, doutorando em entomologia médica, participou da análise do surto registrado em 2024.

“Percebeu-se uma grande proliferação e abundância dos maruins nessa localidade. O ambiente propício, o clima e os depósitos de água favoreceram a reprodução e aumentaram a presença dos vetores”, afirma.

As amostras coletadas no município estão sendo analisadas em laboratório em São Paulo. Atualmente não existe tratamento específico, mas os pesquisadores acreditam que os estudos podem ajudar a desenvolver soluções no futuro.

Os sintomas da febre Oropouche incluem febre, dor de cabeça e dores nas articulações. Eles são semelhantes aos da dengue, zika e chikungunya, mas o vírus tem origem silvestre.

Os cientistas esperam que a pesquisa ajude a criar sistemas de monitoramento mais eficientes e, futuramente, até vacinas contra o vírus. O laboratório da Unifap busca recursos para ampliar os estudos.

“Esse é o nosso desafio: comprar equipamentos, viajar para coletar amostras e firmar parcerias, já que a identificação do vírus exige análises sofisticadas”, disse Nonato.

Locais onde o maruim já foi identificado

Municípios do Amapá:

  • Mazagão
  • Porto Grande
  • Serra do Navio
  • Oiapoque

Bairros de Macapá:

  • Brasil Novo
  • Marabaixo
  • Cabralzinho
  • Amazonas
  • Igarapé Mirim

*Por Isadora Pereira e Mariana Braga, da Rede Amazônica AP

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