Cardeal Leonardo Steiner reforça que há sensibilidade à pauta indígena, mas causa ainda enfrenta resistência

Arcebispo de Manaus, que é presidente do Conselho Indigenista Missionário, abordou sobre a sensibilidade do tema indígena no programa Entrevistas, do canal Amazon Sat.

Arte: Reprodução/Amazon Sat

A sensibilidade à causa indígena e as tomadas de decisões em favor dos povos originários foram um dos temas do programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat, que conversou com o presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o cardeal Leonardo Steiner. Durante o encontro, o arcebispo de Manaus afirmou que “há pessoas sensíveis aos indígenas” e que ainda existe uma certa resistência à pauta em alguns setores da sociedade.

A declaração do cardeal foi uma resposta ao questionamento do jornalista Welliton Lopes, apresentador do programa que busca aprofundar debates de temas e decisões que impactam diretamente na região amazônica. Na ocasião, Leonardo comentou sobre as discussões da pauta indígena no atual cenário jurídico e político.

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“Existe pessoas muito sensíveis aos indígenas, seja no Governo ou no Congresso Nacional, no meio jurídico, inclusive nós tivemos no Supremo um dos ministros que estudou essa causa e criou a teoria do indigenato (entendimento jurídico de que o direito dos povos indígenas sobre suas terras é natural e originário por serem os primeiros habitantes). Então, temos sempre pessoas que tem sensibilidade ao próximo e para as diferentes culturas, para os povos que escolheram suas opções de vida. Nós, como igreja, apresentamos o Evangelho e antigamente quase que obrigávamos, mas hoje essa sensibilidade, nós também despertamos”, explicou Leonardo.

Na área jurídica, por exemplo, Steiner destacou avanços como a ampliação dos espaços de debates e discussões voltados ao tema indígena e a participação de juristas e operadores do direito especializados na causa dos povos originários.

“Hoje tem vários indígenas formados em direito que têm ajudado muito os povos. Imagina uma indígena fazer uma sustentação oral no STF? Isso é de uma grandeza! Eu sinto nos ministros do Supremo uma sensibilidade, eu já fui com muitos indígenas nas audiências, a (ministra) Rosa Weber, por exemplo, ela tinha dez minutinhos, eu passei a palavra para o indígena, quando ele começou a falar, a ministra teve a delicadeza de usar a palavra. Quer dizer, é uma sensibilidade para ouvir a necessidade, a problemática para depois tomar uma decisão”, relatou.

Apesar da sensibilidade, Steiner salientou que ainda é possível encontrar certa resistência sobre a causa indígena. “Tem pessoas que não são apenas insensíveis, são contra os povos indígenas. Eu vou usar uma expressão até um pouco forte, mas eu tenho a impressão em algumas afirmações que, para essas pessoas, os indígenas não são gente, senão teriam mais respeito ao pensarem na criação das leis, mineração e demarcação de terras. Eu acho que seriam mais respeitosos”, ponderou o presidente do Cimi.

Leia também: Violência contra os povos indígenas: “números causam não só espanto, mas revolta”, comenta Leonardo Steiner

Insensibilidade e visão distorcida da sociedade

Por fim, Steiner frisou que a sociedade brasileira ainda possui uma visão equivocada sobre a cultura, modos de vida e os direitos dos povos originários.

“Infelizmente, a nossa sociedade ainda está tomada por uma maneira de compreender que os indígenas têm terras demais, que estão fora da nossa cultura e do desenvolvimento. Não conseguem entender que desenvolvimento não precisa ser desmatamento, que desenvolvimento não precisar levar a indústria para todo lugar nem agricultura para todos os cantos. E isso é bastante forte”, pontuou Steiner, que completou:

“Porque as demarcações não vão para frente? Porque existe um poder econômico por trás disso, mas talvez o que mais me espanta é esse modo de agressividade em relação aos povos indígenas. Onde foi parar a dignidade do homem, da pessoa?”, questionou.

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube:

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

O cardeal e arcebispo de Manaus, Leonardo Steiner, comentou sobre o relatório da violência contra os povos indígenas do Brasil e a sensibilidade à causa, divulgado pelo Cimi. Foto: Reprodução/Amazon Sat
O cardeal e arcebispo de Manaus, Leonardo Steiner, comentou sobre o relatório da violência contra os povos indígenas do Brasil, divulgado pelo Cimi. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT-4).

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