MPI e Ministério das Mulheres apresentam avanços na construção de política para mulheres e meninas indígenas

Relatório do MPI e do Ministério das Mulheres reúne resultados iniciais e reforça compromisso com proteção social e garantia de direitos.

MPI e Ministério das Mulheres apresentam avanços na construção de política para mulheres e  meninas indígenas. Foto: Priscilla Torres da Rocha

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e o Ministério das Mulheres (MM) realizaram, na terça-feira (7),  uma cerimônia na Esplanada dos Ministérios para apresentar os avanços na construção da Política  Nacional para Mulheres e Meninas Indígenas (PNMMI). O evento marcou a entrega simbólica do  Relatório de Análise de Impacto Regulatório (AIR), que serviu de base para a elaboração da minuta de  proposta de decreto que instituirá oficialmente a política. 

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O ato marcou mais um passo na consolidação da Política Nacional para Mulheres e Meninas Indígenas,  reafirmando o compromisso do Governo do Brasil com a promoção de direitos, o enfrentamento às  violências e a valorização das mulheres indígenas como protagonistas na construção de políticas públicas,  no âmbito do Abril das Originárias e das ações do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. 

A formulação da política foi fundamentada em dois subsídios técnicos, relatórios sobre homicídios,  feminicídio e suicídios de mulheres e meninas indígenas entre 2003 e 2022, e em subsídios sociais  provenientes da conferência, ambos consolidados no relatório apresentado. 

Desse modo, a política foi organizada em dez propostas priorizadas distribuídas em sete eixos temáticos  que a estruturam: Direito e Gestão Territorial; Emergência Climática; Políticas Públicas e Violência de  Gênero; Saúde Integral e Saberes Tradicionais; Educação Intercultural; Autonomia Econômica; e  Participação Política. 

O relatório apontou para uma relação entre as múltiplas violências agregadas e a necessidade de  preencher a lacuna na intersecção entre as políticas para mulheres e as políticas indigenistas, nas quais é  preciso incluir as especificidades dessa parte da população, para a efetiva proteção social, a promoção de  suas vidas e a garantia integral de direitos das mulheres e meninas indígenas em todo o território nacional.  

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MPI e Ministério das Mulheres apresentam avanços na construção de política para mulheres e  meninas indígenas
MPI e Ministério das Mulheres apresentam avanços na construção de política para mulheres e  meninas indígenas. Foto: Reprodução/Ministério das Mulheres

A iniciativa é resultado de um processo coletivo que envolveu diferentes órgãos do Governo Federal e a  participação ativa do movimento indígena, com protagonismo da ANMIGA na incidência política ao  levar ao Estado as demandas históricas dessas mulheres e defender políticas que respeitassem suas  realidades, territórios e modos de vida. 

Nesse processo, a Secretaria Nacional de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas (SEART/MPI)  atuou no fortalecimento do diálogo entre governo e os territórios. Entre suas ações, destacaram-se: 

● 2023: a participação no Grupo de Trabalho Técnico dos Ministérios das Mulheres e dos Povos  Indígenas para elaboração do Plano de Ação do Projeto Guardiãs, que resultou na Portaria  GM/MPI nº 335; 

● 2024: a criação do Programa Mulheres Indígenas Tecendo o Bem Viver por meio da Portaria  Conjunta MPI/MM nº 1; 

● 2025: o Edital de Chamamento Público Mulheres Indígenas: Tecendo o Bem Viver, com  montante global de R$ 1 milhão, que contemplou 13 iniciativas de organizações lideradas por  mulheres indígenas em todos os biomas, com financiamentos entre R$ 30 mil, R$ 50 mil e R$  100 mil. 

Construção conjunta

A PNMMI é fruto de uma construção conjunta entre o MPI e o Ministério das Mulheres, em parceria com a Articulação  Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). O processo teve como marco  inicial a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, realizada entre novembro de 2024 e agosto de  2025, com sete etapas regionais organizadas por biomas e uma etapa nacional. 

As etapas regionais ocorreram em Amambai (MS), reunindo 134 mulheres de 22 etnias; Florianópolis  (SC), com 109 mulheres de 12 etnias; Paulo Afonso (BA), com 86 mulheres de 35 etnias; Porto Velho  (RO), com 108 mulheres de 32 etnias; Baía da Traição (PB), com 145 mulheres de 19 etnias; São Paulo  (SP), com 134 mulheres de 20 etnias; e Rio Branco (AC), com 110 mulheres de 35 etnias. A etapa  nacional, realizada entre 4 e 6 de agosto de 2025, reuniu 5 mil mulheres de mais de 100 etnias, com  representação de todos os biomas e estados brasileiros. 

Próximos passos da PNMMI 

O Grupo de Trabalho Interministerial, instituído pela Portaria Interministerial MM/MPI nº 6, de 4 de  novembro de 2025, encerra as atividades em maio de 2026, após seis meses de trabalho na elaboração da  minuta de proposta de decreto. A minuta precisa passar por avaliação inicial da Consultoria Jurídica  (CONJUR) do MPI e seguirá para outras análises posteriores, com a apresentação de documentos  complementares, como minuta de exposição de motivos e parecer técnico. 

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MPI e Ministério das Mulheres apresentam avanços na construção de política para mulheres e  meninas indígenas. Foto: Reprodução/X-@@nidewana

Em seguida, o documento será enviado ao Ministério das Mulheres para assinatura conjunta e posterior  avaliação da Casa Civil da Presidência da República, onde seguirá em tramitação com análises e revisões  até a coleta da assinatura presidencial. 

A governança da política deverá contar com um comitê gestor de composição paritária entre governo e  sociedade civil, com participação prevista de 13 órgãos: Ministério dos Povos Indígenas (MPI),  Ministério das Mulheres (MM), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Ministério do  Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Ministério dos Direitos  Humanos e da Cidadania (MDHC), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA),  Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Casa Civil da Presidência da República, Ministério da  Justiça e Segurança Pública, Ministério das Cidades, Ministério da Cultura e Ministério da Igualdade  Racial.

*Com informações do Ministério dos Povos Indígenas.

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