Arte: Reprodução/Amazon Sat
Após o fim das Eleições gerais de 2026, o cenário político brasileiro previsto foi tema do programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat e uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica voltada às discussões que ocorrem em Brasília e impactam diretamente a região amazônica. A edição entrevistou os cientistas políticos Ariel Calmon e Letícia Mendes, da BMJ Consultores Associados, que abordaram sobre as perspectivas da política brasileira para os próximos quatro anos.
Comandado pelo jornalista e apresentador Wellinton Lopes, o programa levanta o debate acerca da polarização instaurada no cenário político brasileiro, baseada principalmente no duelo ideológico entre a esquerda e direita que marcou a disputa da maioria dos pleitos eleitorais em todo o país. Um dos pontos debatidos na edição é a nova configuração do Congresso Nacional, formado pela Câmara dos Deputados e o Senado Federal, que terá predominância da direita.
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Para Letícia Mendes, essa polarização no ambiente político será o principal desafio de Lula em seu quarto mandato como presidente da República.
“O que a gente acompanhou no resultado das eleições é que o Brasil ainda vai vivenciar um período de muita polarização. Ainda que tenhamos a reeleição do presidente Lula, o Congresso Nacional que o eleitor decidiu e colocou ali nas urnas é um Congresso mais à direita. Isso reflete muito esse período de polarização que a gente já tinha vivenciado na outra eleição, então vai ser um período desafiador, ainda também de um relacionamento tensionado entre os poderes, entre eles o Supremo. O maior desafio político do presidente Lula para essa gestão é apaziguar esse momento de polarização” afirmou Letícia.

Já Ariel Calmon destacou o crescimento da mobilização popular no segundo turno das eleições, inclusive que contribuiu para a vitória histórica de Lula, e frisou que esse apoio pode ser um dos trunfos do atual presidente para driblar o cenário desfavorável.
“Aquela máxima de que o segundo turno é outra eleição nunca valeu tanto como nessa de 2026. Foi inédita a quantidade de pessoas nas ruas se mobilizando, isso aconteceu nos dois lados, mas especialmente na campanha do presidente Lula foi mais percebido e fez muita diferença, como a gente pôde ver no resultado. Então, Lula tem esse fato, ele não pode esquecer disso para governar, a gente sabe que o Congresso será adverso, vai precisar negociar com o centro, com a direita, mas se o presidente esquecer essa base e essa mobilização, ele corre risco de não terminar o mandato”, salienta o cientista político.
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Perspectivas do cenário político para 2027
Ao longo da entrevista, Ariel e Letícia citaram outros desafios para o início da gestão ‘Lula 4’ – em referência ao quarto mandato do presidente – como, por exemplo, a discussão de pautas prioritárias e promessas de campanha como a PEC da Segurança Pública, programas sociais e quais serão as lideranças das Casas Legislativas. Para a dupla, a expectativa do cenário político do ano que vem será de muito diálogo e negociações entre os dois lados ideológicos.
“Eu vejo que o presidente Lula, ao longo dos próximos dois meses, vai querer aproveitar o Congresso que ele já conhece e sabe como se comporta, para avançar nas pautas prioritárias. Eu acho que a PEC da Segurança é a principal, primeiro por conta do novo ministério que ele anunciou, é mais um cargo que ele vai poder acomodar no novo governo. […] Existem outras medidas provisórias como a do (programa) Desenrola, sobre a proibição das Bets, temos a reforma tributária. Acredito que o Congresso precisa avançar nisso e tudo isso vai definir o orçamento do ano que vem”, apontou Letícia, que é cientista política especialista no Poder Legislativo.
Para Ariel, a possibilidade de algum parlamentar do Partido Liberal ocupar a presidência tanto do Senado Federal quanto na Câmara dos Deputados e dificultar a discussão de pautas e demandas do Governo é bastante alta.
“(O risco) é muito real, de pautas travadas e também de pautas adversas, para colocar o governo numa ‘sinuca de bico’. Aquela contradição orçamentária, a necessidade de buscar recursos e correr atrás de promessas de campanha que não vai conseguir cumprir. Então, o PL numa dessas Casas vai ser muito difícil, o Senado será o campo mais desafiador e o partido vai impor essa dificuldade, não só pela agenda de governo que é muito diferente do governo eleito, mas pela necessidade de sucessão”, pontuou.
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Quem também participou de forma especial da conversa foi o diretor de relações institucionais do Grupo Rede Amazônica, Gustavo José, que fez uma análise da relação entre o cenário político regional e a presidência da República com os governadores, deputados federais e senadores eleitos nos estados da região Norte.
Assista o programa completo:
‘Entrevistas’
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT-4).
