Arte: Reprodução/Amazon Sat
A secretária executiva da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Vanessa Grazziotin, participou do programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat, uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica voltada para o debate de temas que impactam diretamente na Amazônia. Na entrevista, a titular destacou o papel desempenhado pela OTCA na promoção da cooperação entre os países amazônicos e nas decisões construídas em conjunto para fortalecer políticas voltadas à região.
Um dos temas debatidos no programa, comandado pelo jornalista Welliton Lopes, foi o combate ao crime organizado, em especial o garimpo ilegal, que ainda predomina em áreas de fronteira entre o Brasil e países vizinhos.
A secretária destacou que a OTCA tem avançado em projetos e mecanismos de cooperação adotados entre os governos dos oito países membros da entidade: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
“Na OTCA, nós já instalamos a Comissão Especial de Segurança, formada pelos oito países, e ela é tão importante que foram criadas quatro subcomissões diferenciadas, e uma delas é só para crimes ambientais. O nosso objetivo é entender como que cada país coopera, não só do ponto de vista das operações e ações, mas também do ponto de vista da inteligência, porque se você reprime o garimpo aqui no território brasileiro, por exemplo, eles pulam para outro país, lá reprimem e eles voltam para cá”, explicou Grazziotin.
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Terras raras é um tema sensível, afirma secretária da OTCA
Considerado a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o Brasil possui um grande potencial de presença do grupo dos 17 elementos químicos essenciais para a transição energética e na fabricação de itens modernos como carros elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos. Nesse contexto, a Amazônia apresenta a maior concentração desses elementos em território brasileiro, principalmente nos estados do Amazonas e Roraima, o que também já vem chamando a atenção da OTCA para possíveis discussões globais sobre o tema.
Questionada sobre o tema, Vanessa classificou o assunto como “extremamente sensível” e que o Governo Federal precisa entender e tratar essa questão das terras raras envolvendo a Amazônia.
“Esse é um tema que o debate ainda não chegou de forma mais contundente, porque é um tema muito sensível e esses tipos de temas são tratados primeiro internamente e depois entram numa discussão maior. Estima-se que o Brasil detenha a segunda maior reserva de terras raras do mundo, perdendo apenas para China, e grande parte dessas terras raras estão na Amazônia. [..] Tem que ter todo cuidado do mundo, eu acho que o Brasil tem que pesquisar, ver quais regiões possui terras raras e, se um dia for necessário, como tratar essa questão para Amazonia, porque não vai ser fácil”, explicou a secretária da OTCA.
A entrevista também discutiu o papel estratégico da Amazônia nas discussões globais sobre mudanças climáticas, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, além dos desafios de conciliar proteção da floresta, crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida das populações que vivem na região. Um dos desafios citados por Vanessa é a preservação dos rios da Bacia Amazônica de forma integrada entre os países amazônicos.
Ela alerta que a água existente no planeta é finita, ou seja, tem risco de acabar e que a conservação de cursos d’água como o Rio Amazonas precisa ser visto como prioridade por todos os países membros da OTCA.
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A política de defeso de animais como peixes da região amazônica também foi outro tema que, segundo Grazziotin, tem sido um dos principais diálogos trabalhados pela OTCA. “Não adianta nada você aqui no território brasileiro (período de defeso respeitado) e aqui do lado, no Peru ou Colômbia não ter, sendo que é o mesmo rio que passa. Claro que nós não vamos impor nada para eles, assim como eles não podem impor para gente nenhuma lei, mas no diálogo, os países conversam e a gente tem conseguindo avançar”, pontuou.
‘Entrevistas’
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasceu com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília e dos debates que influenciam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, economia, meio ambiente, desenvolvimento regional e relações internacionais, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e autoridades.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa busca aprofundar debates e mostrar os bastidores das decisões que impactam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica, transformando temas complexos em informações acessíveis ao público.
“Entrevistas” tem episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e reexibições às quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas-feiras, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus (GMT -4).
