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Quinta, 02 Dezembro 2021

Pará apresenta equipamento que promete conservar sabor natural do açaí

Pará apresenta equipamento que promete conservar sabor natural do açaí
Produtores de açaí do Pará já podem contar com uma máquina de processamento do fruto que reproduz o modo de amassar os caroços, exatamente como faziam no passado as mulheres do interior.

A versão ajustada do processador foi apresentada na manhã desta terça-feira (13), no restaurante do escritório central da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Marituba, na região metropolitana de Belém. As informações são da Agência Pará.
Foto:Divulgação/Emater
O modelo inovador foi alcançado por meio de uma parceria que envolveu o agricultor Samuel Souza, idealizador do mecanismo, a Emater, como intermediadora, e as empresas Promenge (de São Paulo) e Grandbel (de Belém). Desse trabalho conjunto saiu o protótipo do equipamento, que tem estrutura portátil e é feito 100% de aço inoxidável, com o propósito de preservar a qualidade e a “verdade artesanal do processo”, como define Samuel Souza.

O agricultor conta que lhe causava incômodo o sabor do açaí extraído nas máquinas normalmente utilizadas pelos batedores e submetido ao processo de higienização (“branqueamento”) exigido pela Vigilância Sanitária para o funcionamento dos pontos de venda. “É um sabor que não se compara àquele que experimentávamos na nossa infância”, define. Dessa inquietação surgiu a busca por parcerias que o ajudassem a encontrar uma maneira de reproduzir o tal sabor verdadeiro do açaí.

Foi quando Samuel decidiu procurar o escritório da Emater em Benevides, município onde nasceu, e a partir de uma conversa com o engenheiro agrônomo Antônio Carlos Lima deu início ao projeto de prospecção de uma máquina que atendesse esses critérios conceituais.

“A máquina é realmente inovadora”, defende Antônio Carlos Lima, responsável pelo projeto na Emater. “Em relação às máquinas atuais a diferença do produto final é muito grande, seja no aspecto físico-químico ou na qualidade das propriedades organolépticas e nutricionais, em que o choque mecânico é bastante reduzido”, explica. E completa: “Nela não há perda das proteínas, visto que os caroços passam por um processo de atrito em vez de serem triturados".

“Quando o protótipo ficou pronto, ampliamos a ideia na perspectiva de atender o setor da agricultura familiar, em especial iniciativas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae)”.

Hoje a versão final do modelo da máquina foi apresentada. Na opinião do diretor técnico da Emater, Rosival Possidônio, “o resultado dessa iniciativa é de suma importância para o Estado, particularmente para as regiões produtoras de açaí, uma vez que existe a perspectiva real de proporcionar um salto de qualidade na produção de polpa de açaí para comercialização”.
Ainda neste mês a máquina será levada ao Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (CEDRS/Pará) e, posteriormente, à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e instituições afins. “Com isso, queremos captar patrocínio para a produção em série do equipamento”, informou o engenheiro agrônomo Paulo Lobato, assessor da Diretoria Técnica da Emater (Ditec).

Para Lobato, a apresentação do protótipo é motivo de orgulho para quem faz parte da assistência técnica e extensão rural pública e é também a prova de que o Estado existe também para construir parcerias, seja com a sociedade civil, organizações não governamentais ou com a iniciativa privada. “O que importa é trabalharmos juntos. O açaí é uma riqueza do Pará e a Emater não poderia se abster de fomentar uma cadeia produtiva tão importante como essa”.

Rodjel Refundini, engenheiro mecânico e petroquímico que desenvolveu o protótipo, disse que o projeto foi elaborado com base nos relatos e considerações da Emater e de Samuel Souza, com a finalidade de adequar a tecnologia às necessidades e à tradição amazônica de consumir o açaí. “Trabalhamos na perspectiva de utilidade máxima do fruto e viabilidade econômica e social desse processo não apenas para a agricultura familiar, como para o trabalhador autônomo do setor.”

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