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Domingo, 11 Abril 2021

Estudo mostra panorama da Covid-19 em populações indígenas do Pará

Os Laboratórios de Virologia e de Genética Humana e Médica, vinculados ao Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (ICB/UFPA), divulgaram o primeiro estudo sobre a situação da Covid-19 em populações indígenas do estado do Pará. A pesquisa, intitulada Estudo de prevalência, de vigilância epidemiológica e de biomarcadores da infecção por SARS-CoV-2 em áreas urbana e indígena no Estado do Pará foi realizada na população Xikrin do Bacajá, em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado do Pará (Sespa) e o Distrito Sanitário Especial Indígena de Altamira (DSEI-Altamira). Para ler o artigo completo publicado em inglês, acesse aqui.

A pesquisa teve como objetivo avaliar a prevalência da infecção pelo novo coronavírus, os aspectos epidemiológicos de risco para a exposição ao patógeno em comunidades de diferentes estratos populacionais do estado, correlacionado com marcadores virais, e as respostas imunológicas e inflamatórias da Covid-19. O projeto é multicêntrico e conta com a participação de diferentes grupos de pesquisa da UFPA, do Instituto Evandro Chagas (IEC) e da Universidade do Estado do Pará (UEPA), e apoio financeiro do MCTI/MS/CNPQ.

"Estudos soroepidemiológicos e de vigilância em populações da Amazônia, como o realizado na aldeia Xikrin do Bacajá, são de extrema importância, pois permitem melhorar a tomada de decisões para o controle da pandemia. As diferentes comunidades da Amazônia têm dinâmicas sociais e culturais variadas, principalmente quando comparadas a populações tradicionais urbanas e não urbanas, o que pode interferir na dinâmica da disseminação da SARS-CoV-2", comenta o professor Antonio Carlos Vallinoto, coordenador do projeto de pesquisa.

Foto: Arquivo do projeto


Resultados -
O estudo demonstrou que 73% da população apresentava anticorpos contra a proteína Spike (S1) do SARS-CoV-2, com taxa de mortalidade de 1,37%. O estudo usou diferentes metodologias e evidenciou, também, a baixa eficácia dos testes rápidos para estudos que visam a determinação da prevalência de anticorpos contra o coronavírus. As informações epidemiológicas associadas ao entendimento sociocultural da comunidade indígena Xikrin do Bacajá indicam o nível atual de suscetibilidade individual e populacional, que também pode impactar em uma possível segunda onda da epidemia.

"Os resultados nos mostram que o isolamento social em que esta população se encontra não foi capaz de impedir a entrada do vírus na comunidade e sugerem que os indivíduos podem ter alcançado a imunidade coletiva com uma baixa taxa de mortalidade. Espera-se que informações soroepidemiológicas como as reportadas no presente estudo sejam fornecidas para uso imediato na tomada de decisões e na criação de políticas de saúde do governo", explica Vallinoto.

Para a biomédica Eliene Putira Sacuena, da etnia Baré, uma das autoras do estudo e aluna do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPA (PPGSA/IFCH), os resultados demonstram também que essas populações precisam de atendimentos diferenciados para que as especificidades culturais de cada comunidade sejam respeitadas. "Acredito que o estudo possa trazer novas possibilidades de pensarmos juntos novas metodologias que possam atender aos povos indígenas e que a academia se abra para os saberes medicinais tradicionais que estão inseridos nestas comunidades, os quais devem dialogar com a ciência produzida na universidade", pondera.

Para os pesquisadores, é importante que haja uma continuidade dos estudos de vigilância soroepidemiológica, como sugerido em outra publicação dos grupos de pesquisa, e a melhoria das políticas de saúde indígena como um meio de monitorar e de minimizar o impacto da pandemia nessas comunidades. Segundo eles, é necessário prover o acesso das comunidades indígenas ao diagnóstico, aos materiais de higiene e à ajuda financeira emergencial, por meio de um plano nacional de prevenção e de controle da pandemia que complemente o Plano Nacional de Vacinação em execução, o qual prioriza os povos indígenas aldeados na primeira fase de aplicação de vacinas.

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