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Quinta, 26 Novembro 2020

Seca do rio Madeira isola produtores no Sul do Amazonas

Seca do rio Madeira isola produtores no Sul do Amazonas

Cerca de 35 mil pessoas, boa parte, produtores rurais, moradores dos municípios de Apuí (distante 455 quilômetros) e da comunidade do Santo Antônio do Matupi, em Manicoré (a 883 quilômetros), no Sul do Amazonas, sentem os impactos negativos decorrentes da estiagem e o menor nível das águas do rio Madeira. Há uma semana os municípios estão impossibilitados de escoar sua produção e ainda de receber insumos necessários ao cultivo agrícola. As comunidades ainda sofrem com o desabastecimento do combustível, tendo como alternativa a compra em Itaituba, no Pará, a maiores custos.

De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, os municípios de Apuí e Manicoré são considerados polos expressivos da produção rural no Estado tanto na pecuária como na agricultura familiar. O presidente explica que devido ao menor nível do rio Madeira as embarcações que transportam combustível, ração para o gado, sementes e demais insumos até os municípios estão impossibilitados de navegar por alguns trechos do rio e por isso não conseguem fornecer os produtos necessários à atividade agrícola dos locais. Da mesma forma, a produção da pecuária e agrícola que é enviada a Manaus não consegue sair dos polos produtivos.

"O verão ainda está iniciando e o rio Madeira já secou muito, o que nos preocupa quanto ao abastecimento de produtos e escoamento da produção das comunidades em questão. Sal, combustível, gêneros alimentícios que vinham de Rondônia não têm mais condições de serem transportados por meio de balsa. A única alternativa é a utilização da BR-319 ou o fornecimento por Itaituba", disse.

A comunidade de Santo Antônio do Matupi apresenta forte produção no segmento madeireiro, que também está comprometida pela dificuldade no transporte, na travessia do rio. “Ainda que o verão esteja no início há produtores que estão com atraso no recebimento de sementes e insumos para a agricultura e a pecuária. Os produtos foram comprados e estão em cargas em caminhões sem poder concluir o trajeto fluvial”, comenta Lourenço.

Segundo o presidente, em Manaus ainda não há desabastecimento quanto a produtos que chegam de Rondônia como leite e peixe. Porém, ele acredita que caso o volume das águas continue baixando há possibilidades de encarecimento no valor do frete e consequentemente no preço dos produtos. “É uma situação preocupante porque ainda não estamos no pico da vazante”, destacou.

Navegação também sente nível do Madeira

Empresas do transporte fluvial também sentem o impacto da seca e do menor volume do rio Madeira. O Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma) alerta para o risco de paralisação no transporte de cargas, caso as águas continuem baixando pelas próximas duas semanas. Os dirigentes estudam a possibilidade de um acordo com a direção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, localizadas em Porto Velho (RO), que prevê a abertura das barragens e a liberação das águas com o intuito de viabilizar fluidez ao transporte aquaviário.

O vice-presidente do Sindarma, Claudomiro Carvalho, explica que devido ao baixo nível das águas as embarcações reduziram em 30% a capacidade de cargas transportadas. As dificuldades na navegação ocasionaram o aumento no tempo de viagem. Em média, o trajeto feito pelo rio Madeira, entre Manaus e Porto Velho, durava quatro dias, tempo que neste período dura até sete dias de transporte. No sentido oposto (Porto VelhoManaus), que antes era de oitos dias, o tempo de viagem passou para 15 dias.

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