“Doutores com Patas”: projeto de equoterapia auxilia no tratamento de crianças com autismo no Pará

O Projeto de Equoterapia é realizado na Ufra – campus Parauapebas. A previsão é que novas inscrições sejam abertas no início de 2021.

Quem gosta da companhia de animais sabe que eles são ótimos enfermeiros. Hipócrates, considerado o pai da Medicina, em 400 A.C já contava com o apoio dos animais, no tratamento das doenças do homem. Na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) campus Parauapebas, o projeto de extensão “Doutores com Patas” leva esse ensinamento à diante, e tem os animais como co-terapeutas na reabilitação, educação e desenvolvimento biopsicossocial de crianças com deficiência.

O Projeto, com foco na Equoterapia e pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo, estava parado por conta da pandemia, mas retornou as atividades no final de outubro, apenas com os praticantes que já atendiam anteriormente. A previsão é que novas inscrições sejam abertas no início de 2021.

Projeto de extensão “Doutores com Patas”. (Foto:Divulgação/Ufra)

A prática, que utiliza o apoio do cavalo, com ações que envolvem técnicas de equitação e atividades equestres. Os interessados podem enviar um e-mail à equipe do projeto, pelo doutorescompatas@gmail.com. Para a inscrição de novos praticantes é obrigatório o encaminhamento do médico e do fisioterapeuta, já que a terapia com cavalos tem algumas restrições.

Desde 2018 o projeto mantém atividades terapêuticas com crianças na faixa etária entre 03 e 06 anos, utilizando animais como carneiros, bezerros e cachorros. A coordenação do projeto é da psicóloga do campus, Cláudia Camilo que acredita na utilização do método terapêutico dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, objetivando a reabilitação, a educação e o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais. A psicóloga é capacitada para aplicação da prática, possui os cursos Básico e Avançado oferecidos pela Associação Nacional de Equoterapia – Ande Brasil. Desde que retornou, o projeto está atendendo ativamente 04 crianças.

Segundo a coordenadora, essa é uma opção de tratamento complementar, através de um método terapêutico que é reconhecido.

“A lei 13.830/2019 fala sobre o reconhecimento da prática de equoterapia, os conselhos de fisioterapia e terapia ocupacional reconhece a prática como uma opção de tratamento. Para uma cidade que muitas vezes não consegue atender as demandas da terapia tradicional, as famílias ficam felizes em ter mais essa opção, e nós somos os únicos a oferecerem em Parauapebas”, disse. Para a coordenadora, o projeto também é uma oportunidade de estimular pesquisas na área. “É uma área que ainda precisa de mais pesquisas e publicações, e precisa ser mais difundida mas que tende a crescer”.

As atividades tem o apoio de alunos de graduação dos cursos de zootecnia e agronomia, que atuam como monitores e são orientados sobre como trabalhar com a criança e a família. Os alunos auxiliam no atendimento e desenvolvem a prática básica da equoterapia, de acordo com as necessidades que as crianças possuem. O projeto tem a vice-coordenação do professor Luís Rennam e ocorre em parceria com o JR Rancho – Centro de Treinamento Genilson Martin, com apoio da White Tratores, que disponibilizaram o espaço, profissionais e os cavalos para a realização da prática.

Histórico da Equoterapia

Segundo a Associação Equoterapia, o cavalo já era usado como um agente curativo em 458 – 370 a.C, por Hipócrates, considerado o pai da medicina. Ele já aconselhava a equitação como tratamento de diversas patologias e para beneficiar a saúde de forma geral. Da mesma forma que Galeno (130-199 d.C.) também o fez centenas de anos depois. 

A palavra equoterapia foi criada pela ANDE-BRASIL (Associação Nacional de Equoterapia) em 1989, para caracterizar todas as práticas que utilizem o cavalo com técnicas de equitação e atividades equestres, objetivando a reabilitação e/ou educação de pessoas com deficiência ou com necessidades especiais.

Benefícios da prática

De acordo com a Ande – Brasil a interação com o cavalo, incluindo os cuidados iniciais, desenvolvem novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima. O ato de cavalgar leva o praticante a conhecer sentimentos de liberdade, independência e capacidade.

Projeto de extensão “Doutores com Patas”. (Foto:Divulgação/Ufra)

O cavaleiro, quando posicionado sobre o centro de gravidade do cavalo, recebe influência dos movimentos tridimensionais do animal, e o corpo, buscando equilíbrio, se adapta a essas oscilações.

O resultado disto é uma combinação simultânea e harmônica de todos os movimentos. Os movimentos dos músculos e articulações do corpo humano são transmitidos ao sistema nervoso central, melhorando o equilíbrio e o tônus muscular, essenciais para a recuperação do andar e da independência motora dos pacientes.

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