O Uirapuru também é conhecido por lendas na Amazônia. Foto: Luis Morais
O uirapuru é uma das aves mais enigmáticas da Amazônia. Discreto, difícil de ser visto e ainda mais raro de ser ouvido, pois ele guarda uma característica única: canta apenas entre 12 e 15 dias por ano. No folclore amazônico, a ave é conhecida por ter sido um guerreiro que caminhava pela floresta tocando sua flauta de bambu.
No vídeo exclusivo gravado em Porto Velho (RO) pelo pesquisador Luis Morais, é possível ouvir o canto do uirapuru, considerado um dos maiores tesouros sonoros da mata.
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Segundo o biólogo e professor Guilherme Marietto, especialista em aves, o som do uirapuru é melodioso e doce, lembrando uma flauta.
“Ele alcança notas complexas e muito impressionantes. É um canto que realmente chama atenção”, explica.
Esse canto acontece apenas durante o período de reprodução, entre setembro e outubro. Assim que o macho encontra uma fêmea, ele se cala e só volta a cantar no ciclo seguinte.
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Outra curiosidade é que não existe diferença visível entre macho e fêmea. A identificação só é possível durante o canto, já que apenas os machos produzem o som.

Ouvir o uirapuru é um privilégio raro
A ave vive em matas maduras e fechadas, ambientes escuros e de difícil acesso. Extremamente sensível a mudanças, abandona o local até mesmo quando uma árvore cai e abre uma clareira. Além disso, sua plumagem discreta se confunde com o chão da floresta, tornando a observação quase impossível.
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A espécie registrada no vídeo é o uirapuru ferrugíneo, que ocorre em Rondônia, Amazonas e Acre, além de regiões do Peru e da Bolívia. Apesar da dificuldade em estudá-lo, especialistas acreditam que o tamanho da floresta amazônica ajuda a proteger a espécie de ameaças diretas de extinção.
Guilherme comenta que ainda há muito a ser descoberto sobre o uirapuru, pois segundo o especialista, não se sabe como é o ninho, quantos ovos coloca ou se o macho permanece com a fêmea após a reprodução. Essa falta de informações reforça o mistério em torno da ave e alimenta lendas populares, como a de que “quando o uirapuru canta, todos os outros pássaros se calam”.
*Com informações da Rede Amazônica RO
