Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O clima equatorial é caracterizado por ser quente, úmido e com chuvas abundantes e bem distribuídas ao longo do ano, e ele predomina os ares da Amazônia. Essas tempestades geralmente possuem companhias de ventanias, trovões e o companheiro principal, que possui uma descarga energética abundante e causa até medo em alguns cidadãos: o raio.
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Os raios são mais ocorrentes em regiões com muita umidade e calor, como é o caso da Amazônia, que favorece ainda mais a formação da atividade elétrica. Essas descargas estão relacionadas com o acúmulo de eletricidade nas nuvens do tipo cumulonimbus (Cb), por vezes acompanhadas de ventanias fortes e grande volume de água.
A descarga da eletricidade presente nessas nuvens é causada pela atração entre cargas de sinais opostos: positivas e negativas. Assim o raio pode ocorrer apenas entre nuvens ou entre nuvens e solo.

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Amazônia e os raios
Devido a localização geográfica da Amazônia, a manifestação de raios ocorre com maior frequência por dois fatores: a umidade e o calor amazônico, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Um estudo publicado pelo Grupo ELAT (Laboratório de Eletricidade Atmosférica), do Inpe, revela que entre os anos de 2081 a 2100, a ocorrência de raios deve alcançar a casa dos 100 milhões por ano. Na Amazônia, esse número já chega a 30 milhões por ano. São 13,4 descargas elétricas por quilômetro quadrado.
Ao Portal Amazônia, o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior, confirmou que a Amazônia é uma das três regiões no mundo com a maior incidência de descargas elétricas: “Isso ocorre devido a localização geográfica próxima à linha do Equador e a alta umidade por conta da floresta”.
Além disso, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), por meio de nota, concedeu ao Portal Amazônia um mapa que mostra a densidade de raios por ano na Amazônia:

De acordo com o mapa, o Amazonas, a região sul do Pará, o norte do Mato Grosso e Tocantins são as regiões com as maiores incidências de raios no país devido a alta disponibilidade de vapor d’água e altas temperaturas, que são ingredientes básicos para formação de tempestades.
O Censipam informou que o período em que mais se registra descargas elétricas na região amazônica é durante o trimestre entre setembro e novembro, período de transição entre a estação mais seca para o chuvosa.
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Cuidados essenciais em períodos chuvosos
Segundo a World Meteorological Organization (WMO), os raios estão entre as principais causas de mortes relacionadas a eventos meteorológicos.
Ainda na nota do Censipam, o órgão alerta que durante eventos com possibilidade de descargas elétricas, a atenção precisa ser ainda maior, com a adoção de cuidados preventivos. Entre as medidas recomendadas estão:
- evitar lugares abertos (campos, rios e floresta);
- procurar um abrigo fechado (pelas laterais também);
- afastar-se de árvores altas;
- afastar-se da rede elétrica, postes e antenas;
- evitar ficar descalço;
- caso alguma pessoa esteja na rua, procurar um veículo fechado (não tocar na lataria) para se abrigar;
- dentro de casa evitar contato com qualquer tipo de objeto que tenha uma estrutura metálica (incluindo alguns tipos de torneiras) e desligar aparelhos da tomada.
Outros cuidados recomendados pelo Censipam são: “em caso de incidência de raio sobre uma pessoa, procurar, com urgência por profissionais de saúde. É importante relembrar que, descargas elétricas podem ocasionar parada cardíaca e respiratória, situação em que a reanimação cardiorespiratória é indispensável até a chegada dos profissionais de saúde. Ressalta-se que não se deve oferecer alimentos, líquidos ou medicamentos à vítima sem avaliação e diagnóstico médico”.
“A maioria das vítimas de descargas elétricas se encontravam em regiões abertas e perto de lugares altos como as árvores. Baseado nesse fato, observa-se que os povos originários apresentam maior vulnerabilidade à incidência de descargas elétricas atmosféricas, não por questões particulares, mas em função de condições contextuais, como a realização frequente de atividades ao ar livre, a dependência da navegação fluvial, a permanência em áreas abertas ou próximas a árvores altas e o uso de habitações tradicionais que em geral, não dispõem de sistemas de proteção elétrica e aterramento”, conclui a nota do Censipam.
*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
