Pela primeira vez, cientistas monitoram casos de animais encontrados na costa do Amapá

O próximo passo é mobilizar moradores das comunidades em regiões banhadas pelos rios, para que ribeirinhos e pescadores acionem os pesquisadores e ajudem nessa coleta de informações.

Cientistas que integram o projeto Caracterização e Monitoramento de Cetáceos nas bacias Pará, Maranhão e Foz do Amazonas iniciaram o monitoramento de encalhes de mamíferos na costa amapaense. Os cientistas resgatam animais mortos como peixe-boi, baleia e outros cetáceos (animais mamíferos marinhos) para construção de acervo científico.

Esse trabalho é executado pelos cientistas e estudantes do Instituto Federal do Amapá (Ifap), do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) e do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

O próximo passo é mobilizar moradores das comunidades em regiões banhadas pelos rios, para que ribeirinhos e pescadores acionem os pesquisadores e ajudem nessa coleta de informações.

A geógrafa Claudia Funi, que é mestre em biodiversidade tropical e coordena o projeto defende o papel indispensável das comunidades no mapeamento de cetáceos.

Foto: Rafael Aleixo/g1 Amapá

“Nós só chegamos aos animais porque os moradores acionaram a gente, inclusive nos ajudaram no resgate das carcaças de animais. Até pra realizar o projeto com equipamentos como barco e motor foram orientados pelos pescadores”, conta a pesquisadora.

O Amapá registrou nos últimos anos vários casos de mamíferos encalhados. O mais recente ocorreu na orla de Macapá, ao lado da Fortaleza de São José, quando um peixe boi de quase dois metros de comprimento foi resgatado já morto pelo corpo de bombeiros junto do Ifap, Iepa, Instituto Mamirauá e Bioparque da Amazônica.

O animal já em estado avançado de decomposição está no Iepa sendo utilizado para estudos e pesquisas. Em entrevista ao Grupo Rede Amazônica, o médico veterinário Luiz Sabioni, pesquisador colaborador do grupo de pesquisa em mamíferos aquáticos amazônicos do Instituto Mamirauá e do setor de mastozoologia do Iepa, relatou que toda essa pesquisa partiu de uma preocupação com a atividade sísmica.

Segundo o Ecology Brasil, A atividade de pesquisa sísmica investiga o fundo marinho antes do processo de exploração e produção de óleo ou gás natural no mar. É um método acústico que utiliza ondas sonoras, que mostra como estão acumulados os hidrocarbonetos.

Foto: Natanael Rocha/Arquivo pessoal

O resultado da atividade sísmica não prevê o local exato de acúmulo de óleo e/ou gás, apenas indica os pontos mais prováveis para a sua concentração.

Esses sons afetam na saúde dos animais marinhos e faz com que eles deixem sua região de origem desorientados e acabem encalhados em lugares como a costa do Amapá, que tem aproximadamente 60 metros de profundidade, cetáceos precisam de uma profundidade de pelo menos 120 metros.

“Algumas análises e necrópsia da parte do ouvido e de alguns vasos específicos do sangue conseguem dar um sinal de alerta se realmente aquele animal é vítima da atividade sísmica”, revela o veterinário Luiz.

*Por Lorena Lima, da Rede Amazônica AP

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