Unha-de-Gato, por exemplo, é uma planta adaptógena. Foto: Nils Servientis/BioDiversity4All
É de conhecimento comum que muitas plantas possuem propriedade medicinais para os seres humanos, como o combate ao estresse causado pela desregulação hormonal, por exemplo. Entre elas, existem as plantas classificadas como adaptógenas, uma classe que auxilia justamente no controle do estresse humano.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
De acordo com o farmacêutico Saulo Breves, para ser denominada como adaptógena, uma planta deve ter influência que restaure o equilíbrio do corpo, aumentar a resistência do organismo ao estresse e não deve apresentar grau de toxicidade alto.
“Dentre elas, temos por exemplo a Maca Peruana (Lepidium meyenii), que ajuda a regular os hormônios e a aumentar a disposição”, exemplifica Breves.
As adaptógenas possuem compostos químicos e substâncias ativas que atuam em uma região do sistema nervoso chamada ‘eixo hipotálamo-hipófise adrenal’, de modo que estimulam o controle do cortisol (hormônio do estresse) por meio destas substâncias.
Leia também: Planta anti-inflamatória, algodão roxo se adapta na Amazônia e ajuda parteiras
Potência das plantas adaptógenas seguem sob estudos
Segundo Saulo Breves, a comprovação científica concreta sobre os efeitos das plantas adaptógenas ainda é uma área em desenvolvimento, mas com muitos avanços significativos.
“Atualmente, muitos estudos são promissores, mas há heterogeneidade de extratos, doses e qualidade metodológica, o que limita conclusões definitivas para todas as indicações”, informou o farmacêutico ao Portal Amazônia.
Entre as adaptógenas que já possuem estudos revisados sobre a sua eficácia, existe a Withania somnifera (ashwagandha), que tem inúmeros estudos de revisões sistemáticas e ensaios clínicos que mostram redução de níveis de cortisol e melhora de sintomas de estresse e ansiedade em adultos. Também há estudos em sono e alguns efeitos em parâmetros metabólicos, segundo Breves.

Outro exemplo dado pelo farmacêutico é a Rhodiola rósea, a qual já possui evidência, com múltiplos estudos clínicos e revisões, que mostram efeito na redução da fadiga mental e melhora de resistência ao estresse, além de auxiliar no desempenho cognitivo sob estresse.

Exemplos de plantas adaptógenas na Amazônia
Na Amazônia, de acordo com Saulo Breves, é difícil afirmar que existem plantas adaptógenas específicas na região, uma vez que, com a definição destas, muitas espécies podem ser consideradas, mas ainda não existem estudos científicos suficientes. Entre as plantas regionais que possuem esse potencial, ele cita:
Unha-de-gato (Uncaria tomentosa)

Da família botânica Rubiaceae, a espécie é utilizada na medicina tradicional por diversas comunidades indígenas amazônicas para processos degenerativos e inflamatórios, úlceras gástricas, contracepção, entre outros.
Uma pesquisa realizada pelo grupo da professora Carla Carvalho, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, mostrou que o consumo de extrato da unha-de-gato melhora os sintomas da obesidade em camundongos. O trabalho, que faz parte da tese de doutorado da pesquisadora Layanne Araújo, foi publicado na revista Scientific Reports.
A planta também tem sido utilizada no tratamento do HIV desde a década de 1990 e inúmeros outros trabalhos tem sido desenvolvidos por universidades como a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) em busca de registrar seus efeitos anti-inflamatórios, imunoestimulantes, anticancerígenos e mais.
Além disso, no início de 2009 estudos publicados indicaram seu uso terapêutico contra a dengue. Atualmente, existem pesquisas que avaliam seu efeito neuroprotetor, considerando a possibilidade da unha-de-gato ser um candidato em potencial para o tratamento fitoterápico para o Alzheimer.

Saracura-Mirá (Ampelozizyphus amazonicus)
Da família das plantas Rhamnaceae, esta planta tem ocorrência limitada à região amazônica e possui inúmeras propriedades etnobotânicas e farmacológicas.
Entre as propriedades farmacológicas encontradas estão as atividades antiviral, antibacteriana e antifúngica, tripanocida, antimalárica, larvicida, imunobiológica e anti-inflamatória, diurética e antidiurética, citotóxica e antitumoral, adaptogênica e imunomodulatória. Por conta de seu potencial medicinal, a planta é uma das que podem ser parte das adaptógenas.
*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
