Universidade Federal de Mato Grosso assina Carta de Belém pela Amazônia; leia na íntegra

O documento foi construído por redes de pesquisa, universidades e instituições. A Universidade Federal de Mato Grosso é uma das signatárias

Universidade Federal de Mato Grosso assina Carta de Belém pela Amazônia. Foto: Natália Almeida e Wallace Albuqerque

Em preparação para a COP 30, que será realizada em Belém (Pará), em novembro deste ano, a comunidade científica da Amazônia Legal deu um passo histórico com a publicação da Carta de Belém, documento construído por redes de pesquisa, universidades e instituições de toda a região. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é uma das signatárias, reforçando seu compromisso com a ciência, a sociobiodiversidade e a justiça climática.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é a COP 30?

Prof. Dr. Domingos de Jesus Rodrigues, pesquisador da UFMT Campus de Sinop, que atua como coordenador representando o estado de Mato Grosso na rede CAPACREAM (Centro Avançado de Pesquisa-Ação da Conservação e Recuperação Ecossistêmica da Amazônia) e no PPBio-AmOc (Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Amazônia Ocidental), esteve presente durante a lançamento da Carta. Domingos destacou a importância da cooperação científica na região.

Universidade Federal de Mato Grosso.
Universidade Federal de Mato Grosso. Foto: Universidade Federal de Mato Grosso

“Esse processo não começou agora: vem sendo estruturado há anos, justamente porque pesquisar a Amazônia exige redes inter e multidisciplinares, capazes de integrar universidades, institutos de pesquisa, comunidades locais e parceiros internacionais. A Amazônia é um território de dimensões continentais, onde o chamado ‘Custo Amazônia’ impacta qualquer iniciativa científica — transporte caro, em muitos locais apenas por rios, falta de infraestrutura, descontinuidade de editais e distâncias enormes. Assim, a UFMT se soma a outras instituições que trabalham em rede colaborativa, buscando superar esses desafios, garantir capilaridade, continuidade e impacto”, refletiu.

Principais propostas da Carta de Belém

O documento também elenca reivindicações estruturais, como financiamento contínuo para a pesquisa, fortalecimento das universidades e institutos amazônicos, criação de programas de comunicação pública da ciência e inclusão da justiça climática como princípio transversal da NDC brasileira.

Compromisso da Universidade Federal de Mato Grosso

Ao aderir à Carta de Belém, a Universidade Federal de Mato Grosso reafirma sua identidade como instituição amazônica e seu compromisso em promover soluções que conciliem sustentabilidade, justiça social e valorização da diversidade cultural da região, como explicou a reitora da UFMT, Profª. Dra. Marluce Souza.

“A ciência produzida na Amazônia precisa dialogar com os grandes desafios globais, mas sem perder de vista os saberes e os modos de vida de quem habita esse território. Neste sentido, a UFMT se une a esse movimento para transformar conhecimento em políticas públicas e contribuir para uma agenda de justiça socioambiental”.

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Universidade Federal de Mato Grosso entre as signatárias da Carta de Belém, documento em defesa da sociobiodiversidade amazônica. Foto: Natália Almeida e Wallace Albuqerque

O pró-reitor de Pesquisa, Prof. Dr. Bruno Araújo, também destacou a relevância da participação institucional. Segundo ele, a presença da UFMT entre as signatárias fortalece a cooperação científica e evidencia o papel estratégico das universidades da Amazônia Legal. “Esse alinhamento é fundamental para que a COP 30 seja um espaço de transformação real, no qual a ciência amazônica tenha centralidade na definição de soluções para a crise climática”, pontuou.

A UFMT desenvolve pesquisas essenciais para a preservação dos biomas brasileiros, como Pantanal, Cerrado e Amazônia. Um exemplo é o livro “Parque Estadual do Xingu: Biodiversidade, recursos naturais, importância ecológica e socioambiental”, lançado em 19 de setembro e organizado pelos pesquisadores pesquisadores Domingos de Jesus Rodrigues, Leandro Dênis Battirola, Thadeu Sobral-Souza, Thiago Junqueira Izzo e a pesquisadora Flávia Rodrigues Barbosa, em parceria com a Sema-MT, Fundação Uniselva e outras entidades.

Foto: Divulgação/UFMT

O livro reúne um mapeamento da flora e fauna do Parque Estadual do Xingu, no sul da Amazônia, resultado de um Termo de Cooperação Técnica com a UFMT e apoio do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA). A publicação evidencia a importância ecológica e histórica da área e apresenta descobertas inéditas, incluindo registros de samambaias, orquídeas, formigas e borboletas, com 1.517 indivíduos de 151 espécies catalogados entre 2021 e 2023, além da diversidade de mamíferos e peixes de médio e grande porte.

Este é mais um exemplo dos resultados alcançados pela UFMT em prol da ciência amazônica. Com a adesão à Carta de Belém, a universidade fortalece sua contribuição técnica e científica para a COP 30 e para a formulação de políticas públicas ambientais.

A carta

A Carta de Belém, sintetiza as contribuições de mais de 120 pesquisadores e pesquisadoras para a implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) do Brasil, compromisso firmado no Acordo de Paris para limitar o aquecimento global e mitigar os efeitos das mudanças climáticas. 

O documento é ao mesmo tempo uma síntese técnica das contribuições das redes de pesquisa colaborativa da Amazônia para a implementação da NDC brasileira, bem como um chamado político: “somente com a valorização da ciência em rede será possível transformar conhecimento em ação, convertendo compromissos em políticas públicas concretas e sustentáveis, em uma região historicamente negligenciada”.

*Por: Thiago Crepaldi (Membro do Programa Institucional de Comunicação Pública da Universidade Federal de Mato Grosso/PROPESQ), com informações do “Movimento Ciência” e “Vozes da Amazônia na COP 30”.

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