Cientistas encontram fungo ‘zumbi’ em tarântula gigante na Amazônia; vídeo

Durante atividade de pesquisa na Reserva Adolpho Ducke, em Manaus (AM), pesquisadores se depararam com a espécie de fungo Cordyceps caloceroides infectando aranha.

Foto: Reprodução/Instagram-Dreschler_santos

Um vídeo que mostra um fungo “zumbi” parasitando uma aranha tarântula na Amazônia viralizou nas redes sociais na última semana.

O registro, feito pelo pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Elisandro Ricardo Drescher-Santos, mostra a espécie Cordyceps caloceroides agindo na aranha Theraphosa blondi, uma das maiores do mundo, encontrada na Reserva Adolpho Ducke, próximo de Manaus (AM).

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Nas imagens, uma estrutura alongada e alaranjada aparece saindo do corpo da aranha. Segundo o pesquisador, essa formação é a estrutura reprodutiva do fungo.

Após ser infectada, a aranha muda de comportamento e se enterra no solo da floresta, que possui uma camada espessa de folhas e matéria orgânica. Veja o vídeo:

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Em explicação, o pesquisador afirma que esse tipo de fungo costuma infectar hospedeiros específicos como insetos ou aracnídeos, e dependem diretamente desses organismos para completar seu ciclo de vida.

“Isso faz sentido do ponto de vista evolutivo, porque eles utilizam um recurso muito específico para se desenvolver. Como é uma aranha grande, o fungo tem energia suficiente para produzir essa estrutura comprida que projeta para fora do solo. Na ponta, fica a região fértil, onde os esporos são produzidos e liberados”, explicou o pesquisador.

Cientistas encontram fungo 'zumbi' em tarântula gigante na Amazônia; vídeo
Poros do fungo são produzidos e liberados para contaminar outros insetos. Foto: Reprodução/Instagram-Dreschler_santos

De acordo com Elisandro, o exemplar encontrado está entre os mais bem preservados já registrados, o que permite comparações com outros encontrados em regiões do Brasil e até em outros biomas.

O pesquisador também reforçou que esse tipo de espécie não infecta seres humanos. Ele explicou que as pessoas respiram diariamente milhares de esporos de diferentes fungos sem adoecer, graças ao sistema imunológico.

Saiba mais: Nem todo fungo é vilão: a importância de sua preservação ao longo da BR-319

“A gente respira mais de dez mil esporos a cada inspiração e não se contamina. Esse grupo de fungos é altamente especializado em insetos e aracnídeos”, disse.

Segundo Elisandro, essas relações existem há milhões de anos. Estudos indicam, por exemplo, que essa associação pode ter surgido há mais de 50 milhões de anos.

“Tudo na natureza está muito integrado. A gente tende a olhar como unidades separadas, mas tudo evoluiu junto”, afirmou.

Preservação dos fungos

O pesquisador destacou ainda a importância de estudá-los e conservá-los, que passaram a ser oficialmente reconhecidos no Brasil como um grupo próprio da biodiversidade, ao lado da fauna e da flora.

“Hoje a gente fala em fauna, flora e funga. Eles são recursos importantes para a indústria farmacêutica, alimentícia, para a medicina. A penicilina é um exemplo clássico”, explicou Elisandro.

O Brasil abriga mais de 10% da biodiversidade global, incluindo espécies de fungos, muitas delas exclusivas do país. Para o pesquisador, conhecer essa diversidade vai além do avanço científico. “Isso pode gerar avanço socioeconômico e faz parte da soberania do nosso país”, concluiu.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

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