Manguezais na margem do estuário do rio Mojuim, no Pará. Foto: Divulgação/Observatório da Costa Amazônica
A Amazônia, o maior bioma do Brasil, cobre cerca de 49% do território nacional, sendo a maior floresta tropical do mundo e abrigando a maior biodiversidade do planeta, com uma vasta área que se estende pela região Norte e outros estados, de acordo com dados o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mas além da imensa floresta, a Amazônia também possui uma costa litorânea rica em manguezais, estuários e florestas de várzea, caracterizada pelo encontro do grande volume de água doce do rio Amazonas com o Oceano Atlântico, formando um sistema único de ambientes costeiros.
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Para o geólogo Caiubi Kuhn, a extensão costeira da Amazônia é importante para assegurar a soberania do Brasil.
“A costa amazônica tem uma importância muito grande para o país, por vários aspectos. Ela possui uma série de recursos, desde recursos pesqueiros, como também recursos naturais, como é o caso dos recursos minerais. Então, nos últimos anos, tem se avançado cada vez mais as pesquisas sobre depósitos minerais existentes na plataforma continental. E essa expansão do domínio brasileiro, ela representa um ganho para o país em termos de recursos naturais. E também auxilia na proteção, em especial, do litoral brasileiro”, explica Caiubi.
Mas afinal, qual a extensão da costa amazônica?
De acordo com a Revista da Gestão Costeira Integrada, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), a zona costeira amazônica brasileira possui características meteorológicas e oceanográficas bastante peculiares quando comparadas a outras regiões costeiras do Brasil.
A revista universitária aborda que, esta faixa costeira se encontra entre o rio Oiapoque (AP) e a baía de São Marcos (MA), local onde estão inseridos diversos ambientes marinhos como praias, planícies de marés, pântanos salinos e doces, manguezais e muito mais.
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De acordo com o geógrafo Cleberson Ribeiro, o Brasil ocupa 47% da área da América do Sul e possui uma linha de costa de, aproximadamente, 8.500 km de extensão, dos quais 35% são ocupados pelo litoral amazônico brasileiro, ou seja 2.975 km de tamanho.
Nesta faixa territorial encontram-se ainda as regiões metropolitanas de Macapá-Santana (AP), Belém (PA) e São Luís (MA), municípios com moderada densidade demográfica e grandes extensões territoriais que são difíceis de acessar, pouco habitadas por populações tradicionais ou são inabitadas.

Nas três cidades abrigadas pela zona costeira, segundo a revista, estão concentrados, aproximadamente, 2,8 milhões de habitantes e a economia está baseada, principalmente, nas atividades industriais, portuárias, metalúrgicas, imobiliárias, pesqueiras, turísticas, comerciais, extrativistas e pecuaristas.

Já nas pequenas comunidades que vivem na área costeira, a economia local é amparada pela agricultura e a pesca. Em algumas cidades litorâneas, os centros históricos, os encantos da música, culinária, artesanato são responsáveis pelo turismo local.
Além disso, outros meios de renda são localizados nessa área, como a exploração de minério, a carcinicultura, e piscicultura, a apicultura, entre outras, também são desenvolvidas ao longo do litoral amazônico brasileiro, de acordo com a Univali.
As mudanças climáticas e as zona costeira amazônica
O geógrafo Cleberson, afirma que a zona costeira amazônica é uma região bastante específica, com um clima local e reduzido, e ambiente particularmente sensíveis e influenciados pelas condições climáticas locais. “Essa área, caracterizada por uma extensa floresta e um rio de grande volume, está próxima à linha do Equador e apresenta condições microclimáticas e ambientais singulares, tanto em relação à fauna quanto aos microssistemas”, explica o pesquisador.
Para o geógrafo, diante das mudanças climáticas, pode-se observar impactos significativos nas condições que caracterizam esse sistema costeiro, incluindo períodos de estiagem mais prolongados e estresse hídrico. “A análise dessa região exige a consideração da fauna, flora e das populações tradicionais que nela habitam, todos elementos integrados em um contexto específico”, pontua.
A zona amazônica possui uma condição peculiar e única, diferenciando-se das demais porções costeiras do Brasil. Essa particularidade é causada, exclusivamente, pela sua posição geográfica, já que fica distinta da influência de massas de ar polar ou outros fenômenos climáticos observados em outras regiões.
Segundo Ribeiro a costa amazônica é influenciada pelo processo de vazão do Rio Amazonas. Com isso, essa costa está direcionada, diretamente, com a grande proporção de vazão do rio Amazonas e como consequência, ela vai ter também outras condições, tanto climáticas quanto de temperatura.
“Então, nós vamos ter um limite muito relacionado a essa base. Lembrando que o rio Amazonas, por exemplo, vai representar um pouco mais de 15% de toda a água doce descarregada nos oceanos, elevando muito essa quantidade de sedimentos que é depositado no rio Amazonas até dentro da parte ocidental. Temos uma dimensão muito específica dessa parte, dessa seção da nossa costa derivado principalmente em relação ao rio”, disse o geógrafo ao Portal Amazônia.
*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
