Entenda o que levou o rio Madeira a alcançar o menor nível já registrado

Neste ano, o rio atingiu a marca histórica de 1,10 m no dia 6 de outubro.

Foto: Thiago Frota/Rede Amazônica

Em estado de alerta, o rio Madeira atingiu nível histórico de seca, chegando a medir 1,10 m no mês de outubro, de acordo com o Boletim de Monitoramento Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB). A estiagem está ligada a dois fatores que impedem a formação de chuvas na região: o aquecimento das águas no Atlântico Norte e o fenômeno El Niño.

Segundo a meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), Marília Nascimento, as temperaturas altas do Atlântico Tropical Norte, tendem a ressaltar as condições de movimentos de ar descendente sobre a Amazônia, que impedem a formação de chuvas. As mudanças climáticas podem ser um dos fatores que intensificam a variação de temperatura das águas.

“O Dipolo do Atlântico, que seria essa gangorra de aquecimento/resfriamento das águas do Atlântico tropical, é um fenômeno natural, porém não se descarta que o aquecimento global cause alterações nesse fenômeno”, explica.

A meteorologista ressalta também o fenômeno climático El Niño, que altera temporariamente a distribuição de umidade e calor no planeta, principalmente na zona tropical, e desfavorece a ocorrência de chuva na região Norte do país, principalmente no norte e leste.

“Os principais efeitos do El Niño sobre o nosso país são o aumento das chuvas na região Sul e a diminuição das chuvas na região Norte e Nordeste. Porém, sobre a Região Norte essa diminuição das chuvas ocorre principalmente nos setores norte e leste e deverá ser percebida nos próximos meses”,

informa.

Seca do rio Madeira

Marcus Suassuna, pesquisador em Geociências pelo do Serviço Geológico do Brasil esclarece que as chuvas em Porto Velho não causam um impacto significativo no nível do rio, pois cerca de 75% da bacia do rio Madeira está na Bolívia.

“Para o nível do rio Madeira aumentar em Porto Velho, o que importa, de fato, são as chuvas que caem sobre a Bolívia. Como os níveis estão mais baixos na bacia do Beni/Madre de Dios, é mais importante que chova sobre aquela região, pois é lá que vamos ter uma resposta mais rápida”, destacou o pesquisador.

Foto: Thiago Frota/Rede Amazônica

Segundo o Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Rio Madeira, realizado pelo CPRM, ao longo da última semana, os níveis dos rios em todos os pontos de monitoramento tiveram tendência de descida.

Em um comparativo anual do mês de outubro de 2020 e 2021, a bacia do rio Madeira atingiu níveis, respectivamente, de 2,39 m e 2,19 m. Em 2022 o nível estava em 2,32 m em Porto Velho. Neste ano, o rio atingiu a marca histórica de 1,10 m no dia 6 de outubro.

O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos ressalta que, no setor mais a oeste, onde está localizado o rio Madeira, o Dipolo do Atlântico acaba tendo maior influência, pois esse aquecimento maior das águas do Atlântico Norte desfavorece a formação de nuvens de chuva sobre esta região. 

Quando volta a chover na região? 

Segundo a CPTEC, o período de chuva na região inicia, geralmente, por volta de outubro e novembro, com o aumento gradual das pancadas de chuva.

Em Rondônia, há previsão de algumas pancadas de chuva nas próximas semanas no setor leste da Região Norte, lado contrário ao rio, mas não são esperados volumes de água muito significativos.

“As chuvas deverão ter um volume menor do que é esperado para essa época do ano”.

Para a cabeceira do rio Madeira, na Bolívia, estão previstas algumas chuvas nas próximas semanas, mas o volume também vai ser abaixo do que é esperado para a época, devido, principalmente, ao aquecimento anormal das águas do Atlântico Norte e do Pacífico Equatorial, dando continuidade ao fenômeno El Niño.  

*escrito pelo estagiário Marcos Miranda sob a supervisão de Daniele Lira, do Grupo Rede Amazônica

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