Foto: Elver Mayer/Acervo pessoal
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do professor e paleontólogo Manuel Alfredo, é uma das instituições responsáveis pelo estudo da descoberta histórica de fósseis de dinossauros no Maranhão, no município de Davinópolis. Os pesquisadores responsáveis pelo achado descreveram uma nova espécie de dinossauro saurópode em pesquisa publicada no Journal of Systematic Palaeontology.
A nova espécie de dinossauro identificada possui cerca de 100 milhões de anos e é o maior já descoberto no estado, com cerca de 18 metros de comprimento. Os fósseis revelam a existência de uma grande comunidade biológica na região durante o Período Cretáceo, há cerca de 115-120 milhões de anos.
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De acordo com o estudo publicado, o animal era um saurópode (pescoçudo) de médio a grande porte, com comprimento estimado em cerca de 20 metros.

O fóssil encontrado foi batizado de Dasosaurus tocantinensis. O nome foi escolhido para homenagear tanto a localização quanto a vegetação da região em que foi encontrado os fósseis, como pontua o professor da UFMA e paleontólogo, Manuel Alfredo.
“‘Dasosaurus’ (nome do gênero) quer dizer dinossauro da floresta, em referência à Amazônia Legal, da qual o Maranhão faz parte. ‘Tocantinensis’ (nome da espécie latinizado) como referência à região tocantina, onde foi encontrado”, explica.
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A descoberta surpreendeu os pesquisadores porque o Dasosaurus é o “irmão” evolutivo mais próximo de um dinossauro espanhol (Garumbatitan). Análises sugerem que esse grupo de dinossauros teve origem na Europa e migrou para a América do Sul através do norte da África antes de os continentes se separarem totalmente.
A peça foi descoberta em abril de 2021, durante obras de terraplenagem para a construção de um terminal ferroviário. A escavação, limpeza, remontagem e os primeiros estudos foram realizados pelo paleontólogo e, na época, professor da UNIFESSPA, Elver Luiz Mayer.
A pesquisa foi realizada no Pará pela proximidade geográfica dos achados e da instituição. Atualmente, os fósseis estão em exposição no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, em São Luís.
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De acordo com a Lei de Proteção ao Patrimônio Fossilífero, um fóssil é patrimônio da União e pode ser mantido sob a guarda de qualquer instituição federal, estadual ou municipal dentro do território brasileiro.

Apesar de ter sido coordenado pelo pesquisador Elver Mayer, o professor da UFMA e paleontólogo Manuel Alfredo Medeiros fez parte do estudo e foi um dos responsáveis pelo translado dos fósseis de São Félix do Xingu, no Pará, até São Luís, Maranhão, em 2025.
A equipe responsável pelo estudo do novo dinossauro contou com pesquisadores de onze instituições públicas brasileiras: Universidade Federal do Maranhão, Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Vale do São Francisco, Universidade Estadual Paulista, Universidade Federal de Santa Maria, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Piauí, Universidade Estadual do Maranhão, Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão.
O professor Manuel Alfredo destaca que a UFMA foi convidada devido à sua reconhecida experiência em pesquisas e publicações sobre a fauna extinta do período Cretáceo. “A UFMA foi convidada justamente porque já tem um histórico de mais de 25 anos com publicações nacionais e internacionais sobre a fauna extinta à qual esse novo animal fazia parte, que viveu entre 113 e 95 milhões de anos, no Período Cretáceo”.
Manuel Alfredo também reforça a posição de destaque do Nordeste, sobretudo do Maranhão, nas descobertas históricas do período Cretáceo.
“O Maranhão já vem atraindo a atenção e pesquisadores da França, China e USA por achados anteriores. Agora, com um dinossauro que tem parentesco com uma espécie europeia (da Espanha) esse interesse deve aumentar e se consolidar”, frisa.
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Entre os principais achados dessa fauna, em várias localidades do Maranhão (Davinópolis, Coroatá, Cajapió, Santa Rita, Duque Bacelar, Alcântara e São Luís), estão restos de dinossauros herbívoros e carnívoros, crocodilos, répteis voadores, como os pterossauros, além de inúmeros peixes, tartarugas e vestígios de formas vegetais antigas, incluindo coníferas, samambaias arborescentes e equisetos.
Para os pesquisadores, os achados ampliam a diversidade conhecida de dinossauros do Brasil, mostram que o Nordeste foi uma região-chave na história evolutiva dos saurópodes e fornecem evidências de conexões entre América do Sul, África e Europa.
*Com informações da UFMA
