Parintins registra piora na qualidade do ar no dia 29 de novembro. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) manifestou preocupação com os impactos da severa estiagem e das queimadas sobre comunidades quilombolas, povos indígenas e a população do Amazonas. Em nota pública divulgada em outubro de 2026, a entidade classificou a situação como uma emergência humanitária e de saúde pública, destacando os efeitos da fumaça sobre crianças, idosos e famílias, com relatos de problemas respiratórios e aumento da demanda por atendimento nas unidades de saúde.
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Segundo a organização, comunidades tradicionais de Barreirinha, na bacia do Rio Andirá, como Santa Tereza do Matupiri, São Pedro, Ituquara, Boa Fé, Trindade e Santa Fé, enfrentam o avanço das chamas e a concentração de fumaça sobre os rios. Em Itacoatiara, o Quilombo Sagrado Coração de Jesus do Lago de Serpa também sofre os impactos dos incêndios na região.
A CONAQ cita ainda famílias do Quilombo do Barranco de São Benedito, em Manaus, além de comunidades de Parintins e Rio Preto da Eva, que enfrentam dificuldades para respirar em meio à fumaça.
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Diante do cenário, a CONAQ alerta sobre a gravidade dos casos e cobra dos governos municipal, estadual e federal o reforço do atendimento emergencial de saúde, a intensificação da fiscalização e a punição dos responsáveis por queimadas criminosas. A entidade também reivindica agilidade na titulação definitiva dos territórios quilombolas e destaca a importância da demarcação das terras indígenas como medida de proteção ambiental e territorial.

Leia a nota da CONAQ na íntegra:
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) manifesta a sua profunda preocupação, alerta público e irrestrita solidariedade às comunidades quilombolas, aos povos indígenas e a toda a população do Estado do Amazonas, que enfrentam os efeitos devastadores da severa estiagem e da propagação criminosa de queimadas e incêndios florestais.
O que se vivencia hoje no Amazonas não é apenas uma crise climática abstrata, mas uma emergência humanitária e de saúde pública provocada pelo racismo ambiental. A densa cortina de fumaça tóxica que paira sobre a capital e o interior adoece crianças, idosos e famílias inteiras, sobrecarregando postos de saúde e unidades hospitalares com casos agudos de insuficiência respiratória, asfixia e inflamações severas.
Nos territórios tradicionais, o sofrimento ganha contornos dramáticos. Na bacia do Rio Andirá e nas áreas de várzea de Barreirinha, comunidades como Santa Tereza do Matupiri, São Pedro, Ituquara, Boa Fé, Trindade e Santa Fé sofrem com o avanço das chamas sobre a vegetação ressecada e ficam encurraladas pela fumaça represada sobre os leitos dos rios.
Em Itacoatiara, o Quilombo Sagrado Coração de Jesus do Lago de Serpa sente a pressão direta do fogo que atinge milhares de hectares na região e consome áreas vizinhas, como o Rio Urubu e a Terra Indígena Paraná do Arauató. Nos centros urbanos, como no Quilombo do Barranco de São Benedito, em Manaus, bem como nos núcleos de Parintins e nos ramais de Rio Preto da Eva, as famílias quilombolas são submetidas a um confinamento involuntário dentro de suas próprias casas, sem ar puro para respirar.
A CONAQ recorda ao poder público e à sociedade brasileira que os povos e comunidades tradicionais há décadas alertam para a gravidade do colapso ambiental e protegem as florestas. É inadmissível que aqueles que historicamente preservam a biodiversidade sejam agora os primeiros a pagar com o próprio fôlego as consequências da degradação ecológica e da omissão governamental. Reafirmamos com veemência: não existe justiça climática sem demarcação indígena e sem quilombo titulado! A falta de regularização fundiária abre espaço para a grilagem, para o crime ambiental e para o fogo, desprotegendo os territórios.
Reconhecemos a relevância dos esforços emergenciais e das forças federais de combate em solo e no espaço aéreo, bem como a necessidade de ações coordenadas de saúde. Contudo, exigimos das autoridades dos governos municipal, estadual e federal:
Atendimento emergencial de saúde, Reforço implacável na fiscalização e punição dos causadores das queimadas criminosas, separando disputas de narrativas políticas do dever inegociável de salvar vidas e celeridade na titulação definitiva de todos os territórios quilombolas, única garantia jurídica e territorial para a defesa permanente da Amazônia e de quem nela vive.
Aos nossos irmãos e irmãs quilombolas, indígenas, ribeirinhos e a toda a população amazonense, expressamos nosso abraço fraterno, nossa força ancestral e nosso compromisso inabalável de seguir denunciando essa tragédia e lutando pelo direito elementar de respirar e existir em nossos territórios.
Brasília (DF) / Manaus (AM), outubro de 2026.
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
Quilombo Vivo: Terra, Soberania e Justiça Climática!
