1º Alerta de Cheias do Amazonas 2026: rio deve ficar acima da cota de inundação em Manaus e Manacapuru

Projeções divulgadas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) apoiam os municípios em ações para prevenir ou reduzir os impactos de cheias no Amazonas.

Rio Negro. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) apresentou, nesta terça-feira (31), o 1º Alerta de Cheias do Amazonas de 2026, com 75 dias de antecedência para o pico das cheias. De acordo com as projeções, Manaus e Manacapuru podem registrar níveis acima da cota de inundação.

Há baixa probabilidade de um cenário de inundação nas estações de Itacoatiara e Parintins. As informações são essenciais para que as Defesas Civis municipais e estadual possam se preparar e tomar medidas para reduzir os impactos de eventos extremos.

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De acordo com o pesquisador do SGB Andre Martinelli, gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA), o cenário indica que será uma cheia com níveis próximos à média.

“O ciclo 2025/2026 tem mostrado forte variabilidade, no início do processo houve a influência do La Niña, que refletiu em níveis no limite superior da faixa de normalidade. A partir de janeiro de 2026 iniciou-se uma transição para a neutralidade ESNO, trazendo os níveis para valores muito próximos da média nas principais estações monitoradas”, afirmou.

Os dados em tempo real sobre os níveis na bacia estão disponíveis na plataforma do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE).

Previsões das cheias

Segundo os dados divulgados, para Manaus, a previsão é que o rio Negro atinja cerca de 28,3 m, com um intervalo variando entre 27,55 m e 29,07 m (considerando 80% de intervalo de confiança). A probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação na capital (27,50 m) é de 92%. Para a cota de inundação severa (29 m) essa probabilidade é de 12%, e para a cota máxima (30,02 m em 2021) é de apenas 1%.

Já em Manacapuru, a previsão é que o Solimões atinja, aproximadamente, 19,40 m, com um intervalo provável de 18,59 m a 20,21 m (considerando 80% de intervalo de confiança). Segundo o modelo utilizado, a probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação em Manacapuru (18,20 m) é de 98%, mas para a cota de inundação severa (19,60 m) essa probabilidade é de 37%, já a cota máxima registrada em 2021 (20,86m) a probabilidade é abaixo de 1%.

Leia também: Secas e cheias devem tornar-se mais intensas e frequentes na Amazônia, aponta pesquisador

1º Alerta de Cheias do Amazonas 2026: rio deve ficar acima da cota de inundação em Manaus e Manacapuru
Cheia em Manacapuru. Foto: Reprodução/Defesa Civil do Amazonas

Em Itacoatiara, o rio Amazonas pode chegar a 13,90 m, com intervalo provável entre 13,42 e 14,39 m (considerando 80% de intervalo de confiança). Segundo o modelo utilizado, a probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação (de 14 m) é de 39%, já a probabilidade de atingir cota de inundação severa (14,20 m) é de 20%. Para superar a cota máxima (15,20 m em 2021), a probabilidade é menor que 1%.

Em Parintins, a previsão é que o rio Amazonas atinja um valor em torno de 8,16 m, com um intervalo provável entre 7,65 e 8,67 m (considerando 80% de intervalo de confiança). Segundo as projeções do SGB, a probabilidade de que o rio venha atingir a cota de inundação em Parintins (8,43 m) é de 24% e de superar a cota de inundação severa (9,30 m) ou a cota máxima ( (9,47 m) é menor que 1%.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funcionam os processos de enchente e vazante dos rios?

Rio Negro invadindo centro de Manaus, durante cheias do rio. Foto: Reprodução/Defesa Civil do Amazonas

O evento do 1º Alerta de Cheias do Amazonas contou também com a participação do pesquisador Renato Sena do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); do Secretário Adjunto de Operações de Defesa Civil do Estado do Amazonas, coronel Erick de Melo Barbosa; e do Secretário Executivo da Defesa Civil de Manaus, tenente-coronel Agnelo Lima Júnior. Os próximos eventos do Alerta de Cheias 2026 serão realizados nos dias 30 de abril e 29 de maio.

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil

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