Foto: Reprodução/Secom MT
A trajetória da capital mato-grossense, Cuiabá, está diretamente ligada à de pessoas que marcaram seu tempo e deixaram legados em diferentes áreas da cultura, política, literatura e costumes populares. Ao longo dos séculos, cuiabanos transformaram suas origens em símbolos de identidade regional, contribuindo para a construção de uma cidade rica em tradições e memórias.
As histórias desses cuiabanos seguem sendo transmitidas de geração em geração, preservando saberes, expressões culturais e modos de vida que definem a essência de capital. Em cada uma delas, há um pedaço da cidade e de sua gente — seja no trabalho, na arte, na fé ou na luta.
Os cuiabanos que se destacaram ao longo do tempo representam não apenas a história local, mas também o modo como a capital dialoga com o Brasil e com o mundo. Suas trajetórias revelam a força de um povo que valoriza as origens e mantém viva a cultura regional. A contribuição dessas personalidades reforça a importância dos cuiabanos que ajudaram a construir o patrimônio histórico e cultural da capital.
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Entre as figuras que marcaram esse caminho estão nomes reconhecidos nacional e internacionalmente. Da culinária à literatura, do folclore à política, cada um contribuiu para projetar a imagem de Cuiabá e reforçar sua importância na história do país.
Conheça algumas dessas personalidades cuiabanas que se tornaram referência e inspiração para novas gerações:
Dona Eulália
Nascida na zona rural de Cuiabá em 1934, Eulália da Silva Soares, conhecida como Dona Eulália, se tornou um dos maiores ícones da culinária cuiabana. Sua trajetória começou no bairro da Lixeira, onde passou a vender bolinhos de arroz, quitute que se tornaria símbolo da gastronomia regional.
De porta em porta, em frente de escolas e na Igreja São Benedito, ela conquistou o público com a receita tradicional. O sucesso a levou a abrir, no quintal de casa, um espaço dedicado à venda dos bolinhos — um ponto cultural e gastronômico da cidade.
Reconhecida pela autenticidade do sabor, Dona Eulália foi premiada diversas vezes pela Veja Comer & Beber Cuiabá entre 2017 e 2020. Sua dedicação ajudou a consolidar o bolinho de arroz como um patrimônio afetivo e culinário do estado.
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Dona Domingas e o Grupo Flor Ribeirinha
Natural da comunidade de São Gonçalo Beira Rio, Domingas Leonor da Silva, ou Dona Domingas, é a fundadora do Grupo Flor Ribeirinha, uma das mais importantes expressões culturais de Mato Grosso. O grupo atua há mais de três décadas no resgate e difusão das tradições do Siriri e do Cururu, danças típicas da região.
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O Flor Ribeirinha ultrapassou fronteiras e se tornou referência mundial, com títulos conquistados em festivais na Turquia (2017), Polônia (2021) e Bulgária (2022), além do tetracampeonato mundial no Cheonan World Dance Festival em 2024 na Coreia do Sul.
Dona Domingas também recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Mato Grosso e foi vencedora do Prêmio Nacional Mestre da Cultura Popular em 2018. Em 2025, o grupo foi oficialmente reconhecido como patrimônio histórico e imaterial de Cuiabá.
Manoel de Barros, um dos cuiabanos mais conhecidos do Brasil
O poeta Manoel Wenceslau Leite de Barros, nascido em Cuiabá em 1916, é considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira e está entre os cuiabanos mais conhecidos do Brasil. Sua obra, profundamente marcada pelo Pantanal, explora a simplicidade e a força poética das pequenas coisas.
Autor de quase 30 livros, Manoel publicou seu primeiro em 1937, Poemas concebidos sem pecado, e o último em 2011, Escritos em verbal de ave. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Jabuti, em 1990 e 2002, e o Prêmio Nacional de Literatura, em 1998.
Sua poesia foi traduzida para várias línguas e admirada em diferentes países. Até hoje, sua escrita inspira leitores e escritores pela forma singular como retrata a natureza e a linguagem popular do Centro-Oeste e dos cuiabanos.

Eurico Gaspar Dutra
Entre os cuiabanos de destaque está também Eurico Gaspar Dutra, nascido em 1883, que teve papel marcante na história política do Brasil. Depois de atuar como ministro da Guerra no governo de Getúlio Vargas, foi eleito o 16º presidente da República, exercendo o mandato entre 1946 e 1951.
Durante seu governo, buscou fortalecer as relações diplomáticas do país, especialmente com os Estados Unidos, e apoiou o desenvolvimento de infraestrutura, com destaque para a construção da Via Dutra, que liga Rio de Janeiro e São Paulo.
Em homenagem a ele, o Estádio Presidente Dutra, conhecido popularmente como “Dutrinha”, tornou-se um dos principais palcos esportivos dos cuiabanos, com história que remete a partidas memoráveis e ao futebol cuiabano.
Mãe Bonifácia
Figura histórica e símbolo de resistência, Mãe Bonifácia foi uma mulher negra alforriada que viveu em Cuiabá no século 19. Poucos registros oficiais existem sobre sua vida, mas a tradição oral manteve viva sua memória.
De acordo com pesquisadores, Mãe Bonifácia orientava escravizados em fuga, indicando caminhos seguros e ensinando estratégias de sobrevivência. Era reconhecida por sua bondade e por práticas de cura com ervas e rezas.
Em sua homenagem, foi criado o Parque Estadual Mãe Bonifácia, inaugurado em 2000, com 77 hectares de área verde e trilhas que preservam parte da vegetação nativa da capital. A história da curandeira também inspirou um longa-metragem que será filmado em Mato Grosso.


