Alta Floresta Não Atropela: programa urbano de mitigação de atropelamentos registra avanços e amplia parcerias no Mato Grosso

Relatórios do programa Alta Floresta Não Atropela indicaram que, após a instalação das estruturas, centenas de travessias seguras foram registradas nos primeiros meses de monitoramento.

Os registros de animais cruzando vias movimentadas no município de Alta Floresta, no Mato Grosso, tornaram-se um alerta constante para gestores e moradores. Foi aí que surgiu o programa Alta Floresta Não Atropela, para criar pontes para que animais não precisem passar por áreas onde veículos passas.

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Relatórios do programa Alta Floresta Não Atropela divulgados pela prefeitura indicaram que, após a instalação das estruturas, centenas de travessias seguras foram registradas nos primeiros meses de monitoramento. As câmeras instaladas nas pontes registraram grupos de macacos utilizando os dosséis para cruzar a via sem descer ao asfalto.

Com o aumento dos deslocamentos de primatas e pequenos mamíferos, surgiram também pontos críticos de atropelamento no perímetro urbano que necessitaram uma melhor atenção do programa Alta Floresta Não Atropela.

Para enfrentar os problemas o município combinou ao programa Alta Floresta Não Atropela monitoramento, infraestrutura e educação ambiental para reduzir riscos e garantir travessias seguras.

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Estrutura, funcionamento e ações implementadas

O Alta Floresta Não Atropela reúne diferentes medidas, todas definidas com base em levantamentos técnicos e no mapeamento detalhado das rotas usadas pelos animais. Entre essas ações estão a instalação de pontes de dossel, estruturas aéreas que permitem a passagem de primatas sem contato direto com o trânsito urbano.

As intervenções incluem ainda placas de sinalização, redutores de velocidade e adequações em bueiros para facilitar a movimentação de espécies terrestres. Técnicos envolvidos no projeto apontam que os corredores de travessia foram implantados justamente onde havia maior risco de atropelamentos.

Implementado em outubro de 2024 no município, o programa tem registrado que até maio de 2025 aconteceram 3.943 travessias seguras de mais de 10 espécies, incluindo roedores e marsupiais arborícolas, além de primatas. Essas ações integram o primeiro Plano Urbano de Mitigação da Amazônia brasileira a incluir soluções específicas para reduzir atrope lamentos de fauna e promover a reconexão de fragmentos florestais em áreas urbanas.

A Secretaria de Meio Ambiente do município de Alta Floresta afirmou por meio de sua secretária, Gercilene Leite que o plano foi construído com base em parcerias técnicas e em análises de especialistas que acompanharam o comportamento da fauna.

“O Alta Floresta Não Atropela, além de proteger os primatas, trouxe uma nova visão de conservação ambiental. A ideia é uma ação conjunta que busca respeitar a nossa biodiversidade e possibilita manter o ecossistema em equilíbrio”.

Parcerias e ampliação do monitoramento

Imagem capta primata passando por ponte. Foto: Divulgação/ Prefeitura de Alta Floresta

O programa é sustentado por uma rede de cooperação que envolve órgãos ambientais estaduais, universidades, institutos de pesquisa, organizações civis e empresas locais. Essa articulação permitiu ampliar o alcance das ações e reforçar o monitoramento das áreas de risco.

Uma das atualizações trimestrais divulgadas pela gestão municipal registrou mais de 1,8 mil travessias seguras ao longo de quatro meses. Essa contagem foi realizada por meio de registros automáticos e observações diretas, possibilitando análises frequentes sobre o uso das estruturas pela fauna.

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O painel de monitoramento tornou-se referência local ao reunir gráficos, mapas e imagens captadas nas travessias. Essas informações são essenciais para determinar novos pontos de intervenção e orientar as próximas etapas do projeto.

Além da infraestrutura, o programa investe em campanhas educativas voltadas a motoristas, estudantes e moradores de regiões próximas às áreas de travessia. As ações destacam a importância de reduzir a velocidade e manter atenção redobrada nas vias que cortam áreas arborizadas.

Reconhecimento, expansão e próximos passos

Com o avanço das medidas, o Alta Floresta Não Atropela passou a ser citado na imprensa regional e em eventos relacionados à gestão ambiental. A visibilidade do projeto chamou a atenção de outras prefeituras, que buscaram conhecer o modelo aplicado em Alta Floresta.

Representantes municipais destacaram que o objetivo é expandir o número de pontes de dossel e reforçar a manutenção das estruturas já instaladas. Há previsão de novas implantações em trechos classificados recentemente como críticos, com base no monitoramento contínuo da fauna.

Mesmo com os progressos, técnicos afirmam que ainda existe a necessidade de ampliar as campanhas de conscientização e de fortalecer a fiscalização de velocidade em áreas próximas aos corredores de travessia. As análises indicam que o comportamento dos motoristas continua sendo um dos principais fatores de risco para atropelamentos.

O município afirma que o programa só continuará avançando com apoio constante da população e com a atualização permanente das estruturas instaladas. A expectativa é de que o Alta Floresta Não Atropela mantenha a tendência de redução de riscos e se torne referência para outros municípios que enfrentam desafios semelhantes na convivência entre áreas urbanas e fauna silvestre.

Iniciativas semelhantes em outras cidades da Amazônia

Além do programa em Alta Floresta, outras cidades amazônicas também desenvolveram programas voltados à redução de atropelamentos de fauna e à preservação da conectividade entre fragmentos florestais.

Em Manaus (AM), o projeto Fauna Viva nas Vias reforça ações de monitoramento e implantação de sinalização em trechos de maior circulação de animais silvestres, especialmente em áreas próximas a reservas e corredores ecológicos urbanos. A iniciativa inclui campanhas educativas e estudos técnicos que buscam identificar mudanças no comportamento da fauna em relação ao tráfego urbano.

Imagem de corredor suspenso para passagem de animais em Manaus. Foto: Divulgação/ Semcom – Prefeitura de Manaus

Outra referência é o Corredores Verdes de Santarém, no Pará, que trabalha com a instalação de passagens de fauna, adequação de trechos urbanos que cruzam áreas de mata e mapeamento contínuo dos pontos mais sensíveis ao atropelamento de animais. O programa também promove oficinas com comunidades escolares e motoristas, reforçando práticas de prevenção e a importância da preservação da fauna local.

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