Entenda porquê o lançamento do 1º foguete comercial do Brasil é um marco para o país

Apesar da conclusão antecipada da missão, que durou 30 segundos devido a uma falha no veículo espacial, o lançamento do primeiro foguete comercial brasileiro já representa um marco histórico do país.

Lançamento do veículo, mesmo com falha que antecipou o fim da missão, colocou o país no mercado global espacial. Foto: Divulgação/Innospace

O Brasil entrou no mercado global de lançamentos espaciais no dia 22 de dezembro de 2025 após a decolagem do foguete HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, direto da base do Centro Espacial de Alcântara (CLA), localizado no Maranhão.

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Apesar da conclusão antecipada da missão, que durou 30 segundos devido a uma falha no veículo espacial, o lançamento do primeiro foguete comercial brasileiro já representa um marco histórico do país.

Com base nas informações divulgadas pela Força Aérea Brasileira (FAB) e a Innospace, entenda por que aconteceu o incidente que culminou na interrupção de voo do foguete, meio minuto depois de deixar o solo, e por que a operação de lançamento é considerada bem sucedida, colocando o país no cenário do setor espacial mundial.

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Como foi o lançamento?

Às 22h13 (horário de Brasília) do dia 22 de dezembro de 2025, o foguete HANBIT-Nano decolou da plataforma do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) em sua trajetória vertical planejada. Em nota, a Innospace afirmou que o veículo demonstrou desempenho estável em sua fase inicial do voo, alcançando 30 segundos de ascensão nominal.

“A empresa executou com segurança a conclusão antecipada da missão SPACEWARD durante o primeiro lançamento comercial de seu veículo lançador de dois estágios. O motor principal do primeiro estágio, um foguete híbrido da classe 25 toneladas, foi acionado com sucesso e demonstrou desempenho estável durante a fase inicial do voo. Isso marcou o primeiro recorde de voo mundial para um motor híbrido de foguete na classe de empuxo de média a grande escala, demonstrado em um veículo lançador”, cita a empresa, em nota.

Lançamento do foguete hanbit-nano
Lançamento do foguete HANBIT-Nano, do Centro de Lançamento de Alcântara. Foto: Divulgação/Innospace

Também em nota, a Agência Espacial Brasileira (AEB) reforçou que todo o procedimento de lançamento do veículo espacial respeitou todas as normas vigentes.

“O lançamento do veículo HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, realizado a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, transcorreu de forma regular e segura em todas as etapas sob responsabilidade brasileira. Os sistemas de solo, a infraestrutura do Centro de Lançamento, os procedimentos operacionais e os protocolos de segurança funcionaram conforme o planejado, resultando em um lançamento preciso e plenamente aderente às normas internacionais”, afirmou a AEB.

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Falha

Porém, durante sua passagem por uma camada de nuvens, a empresa sul-coreana frisa que a comunicação entre o veículo e os sistemas terrestres foi perdida. A anomalia, ainda de causa indeterminada, causou a separação de sua estrutura em várias partes, resultando em queda livre em direção ao solo, dentro da zona de segurança designada.

Por conta disso, segundo a Innospace, foi determinado o fim da missão em total conformidade com os procedimentos de segurança de padrão internacional estabelecidos em coordenação com a Força Aérea Brasileira (FAB).

Lançamento do foguete HANBIT-Nano, do Centro de Alcântara. Foto: Divulgação/Innospace

“Como resultado, o veículo perdeu propulsão e controle de atitude e entrou em queda livre, separando-se em primeiro estágio, segundo estágio e fragmentos menores de detritos. Como o Ponto de Impacto Instantâneo (IIP) calculado permaneceu dentro do perímetro de segurança designado do local de lançamento […], o Sistema de Terminação de Voo (FTS) foi ativado de acordo com procedimentos pré-coordenados com as autoridades brasileiras de segurança. O veículo lançador foi detonado no ponto do impacto no solo, resultando na conclusão antecipada da missão”, explica a empresa na nota sobre a missão.

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Resultados positivos

Apesar do problema, a Innospace reforça que a operação foi bem sucedida e demonstrou confiança para futuras missões no território brasileiro.

Foto
Equipes da Innospace, FAB e AEB. Foto: CLA/FAB

“A execução bem-sucedida do procedimento de terminação de voo em condições anômalas demonstra a maturidade do projeto de segurança do veículo e a prontidão operacional integrada entre o operador de lançamento e a autoridade do local de lançamento. A empresa continuará os esforços de verificação técnica para aumentar ainda mais a confiabilidade dos lançamentos e preparar missões subsequentes”, frisou.

Para a Agência Espacial Brasileira, o lançamento demonstra que o país está pronto para ocupar de forma estratégica o cenário espacial global.

“Apesar da anomalia, este lançamento representa um marco histórico para o Brasil, por se tratar do primeiro lançamento comercial realizado a partir do território nacional, reforçando a maturidade operacional do Centro de Lançamento de Alcântara e sua relevância estratégica no cenário espacial global”, destaca a AEB, reafirmando ainda que “eventos dessa natureza fazem parte do processo de desenvolvimento tecnológico na atividade espacial” e que são “fundamentais para o aprendizado, a evolução dos sistemas e o aumento da confiabilidade em futuras missões”.

Local do lançamento espacial inédito, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) fica no litoral maranhense e é considerado uma das zonas mais privilegiadas devido sua localização próxima à linha do Equador. Segundo especialistas, a posição favorece a redução de custos e o tempo de voo mais rápido, além da distância de qualquer tráfego aéreo ou marítimo.

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Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão
Construída em 1982, Centro de Lançamento de Alcântara (MA) é considerada atrativa para o lançamento de dispositivos espaciais. Foto: Warley de Andrade/TV Brasil

Causas

As investigações acerca da falha que culminou com a fim da missão serão de responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), órgão da Força Aérea Brasileira, e da Innospace, empresa responsável pelo foguete HANBIT-Nano.

“O INNOSPACE iniciou uma análise inicial da terminação do voo baseada em dados de telemetria e rastreamento de voo analisados conjuntamente com a Força Aérea Brasileira. A determinação final da causa da falha será feita após uma investigação oficial liderada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) da FAB”, pontua a empresa sul-coreana.

Cenipa
Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos vai investigar a causa que determinou o fim da missão Spaceword. Foto: Divulgação/Cenipa

Por fim, a empresa lamentou o fim antecipado da missão Spaceword, mas sinalizou que poderá estudar novos lançamentos espaciais na plataforma do Centro de Alcântara.

“Pedimos sinceras desculpas aos nossos clientes que nos confiaram suas missões, apesar de este ser nosso primeiro lançamento comercial, pois não conseguimos atender totalmente às expectativas deles devido ao encerramento antecipado da missão. Uma reavaliação do lançamento HANBIT-Nano está em revisão para o próximo ano, dentro de vagas seguras no Centro Espacial de Alcântara. O cronograma detalhado será finalizado após a conclusão da investigação oficial liderada pela CENIPA e a implementação das medidas de melhoria dos veículos lançadores”, frisou Soojong Kim, fundadora e CEO da Innospace.

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Operação Spaceword

A Operação Spaceward é resultado de um edital de chamamento público publicado pela AEB em 2020, que selecionou empresas interessadas em realizar lançamentos a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. A sul-coreana Innospace foi a escolhida para operar e assinou contrato com o Comando da Aeronáutica (COMAER) em 2022.

Coordenada pela Força Aérea Brasileira (FAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), a missão Spaceword tinha como objetivo de lançar ao espaço o foguete HANBIT-Nano. A operação previa o envio de oito cargas de empresas e instituições de pesquisa do Brasil e da Índia para coleta de dados climáticos e ambientais, desenvolvimento tecnológico e iniciativas educacionais.

Cerca de 400 profissionais entre brasileiros – militares e civis – e sul-coreanos faziam parte da Operação Spaceward.

Foguete Hanbit-Nano
Cerca de 400 profissionais estavam mobilizados na operação de lançamento do foguete HANBIT-Nano. Foto: Foto: Divulgação/Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação

Após o incidente, a empresa reforçou que os “satélites e cargas úteis de clientes a bordo estão cobertos por apólices de seguro pré-acordadas, e a rescisão antecipada não deve ter impacto material nos contratos de serviço comercial de lançamento da INNOSPACE ou nos planos de negócios de longo prazo”.

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Dados do foguete

Produzido pela empresa sul-corena Innospace, o HANBIT-Nano possui 21,9 metros de altura e 1,4 metro de diâmetro, e um peso de 20 toneladas. Tais medidas equivalem, respectivamente, a um prédio de três andares e a carga de quatro elefantes africanos juntos.

A capacidade de aceleração do foguete HANBIT-Nano também chamava atenção. Segundo a empresa, o veículo tinha condições de atingir uma velocidade de 30 mil km/h, marca suficiente para atingir a atmosfera e entrar em órbita em apenas 3 minutos. Tal aceleração equivale a 30 vezes mais rápido que um avião comercial.

Foguete Hanbit-Nano, produzido pela empresa Innospace. Foto: Reprodução/Innospace
Foguete Hanbit-Nano, produzido pela empresa Innospace. Foto: Reprodução/Innospace
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