Projeto leva alunos indígenas a vivência literária em Guajará-Mirim

Segunda edição de “A Leitura Literária em Escolas Indígenas” uniu literatura, ancestralidade e educação ambiental com estudantes.

Estudantes da Escola Indígena Wem Canum Oro Waram durante culminância do projeto literário. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

A culminância da segunda edição do projeto de extensão “A Leitura Literária em Escolas Indígenas” foi realizada no dia 13 de outubro de 2026, no Hotel Pakaás Palafitas Lodge, em Guajará-Mirim, a 366 km de Porto Velho, na fronteira do Brasil com a Bolívia. Coordenada pela professora mestre Eunaia dos Santos Mercado, a ação integrou literatura, cultura, memória e educação ambiental com alunos do Ensino Fundamental II da Escola Indígena Wem Canum Oro Waram.

A iniciativa surgiu das vivências da docente no Câmpus Jorge Vassilakis, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), e está vinculada ao Grupo de Estudos e Pesquisas “Literatura, Língua(gens) e Memórias das/nas Fronteiras Amazônicas” (GEPELLIM), liderado pelas professoras doutoras Auxiliadora dos Santos Pinto e Márcia Dias dos Santos.

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Ao longo do semestre, os estudantes participaram de rodas de leitura com obras da literatura regional ribeirinha, debates sobre identidade, natureza e cultura indígena, além de leitura de poemas de autores regionais e nacionais. A programação contou ainda com roda de conversa com escritores regionais na escola, com destaque para o escritor Paulo Cordeiro Saldanha.

Segundo a coordenadora, a proposta tem compromisso social. “Minha trajetória acadêmica tem sido direcionada à produção de conhecimentos comprometidos com a valorização dos sujeitos historicamente invisibilizados. A iniciativa surgiu do compromisso pedagógico de promover experiências que articulem literatura, cultura, ancestralidade e educação ambiental, valorizando os saberes dos estudantes indígenas”, afirmou.

Como culminância, os alunos realizaram um passeio pedagógico de ecoturismo no Pakaás. A atividade incluiu observação da fauna e flora amazônica, registro em diário de bordo, produção de textos e poemas, palestra com escritores da literatura amazônica e oficina de Língua Brasileira de Sinais (Libras), ministrada pela professora doutora Ednéia Bento de Souza Fernandes.

O projeto contou com apoio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), da UNIR Câmpus Guajará-Mirim, da Academia Guajaramirense de Letras (AGL), do Exército Brasileiro e da Temática Editora & Cursos, que doou 60 exemplares de livros literários aos estudantes.

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Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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