Feitos à base de carne de fibra de caju e insumos amazônicos, hambúrgueres possuem proposta sustentável

Empresa mostra que é possível oferecer opções de hambúrgueres deliciosos e ao mesmo tempo sustentáveis 

O hambúrguer é uma iguaria conhecida no mundo todo e possui uma infinidade de adaptações, seja de molho, carne ou complementos. Registros revelam que surgiu a partir do bife de Hamburgo e foi trazido para os Estados Unidos pelos alemães e, em seguida, conquistou o mundo.

Mas, será que é possível unir inovação, sustentabilidade e sabor em um negócio de sucesso? Nesse sentido, no Dia Mundial do Hambúrguer, comemorado dia 28 de maio, o Portal Amazônia mostra hambúrgueres que fomentam o desenvolvimento sustentável e a bioeconomia da região amazônica.

Foto: Divulgação

O início de tudo 

Criada em 2017, a Amazonika Mundi utiliza insumos nacionais para criar alimentos à base de plantas capazes de substituir proteínas animais. Thiago Rosolem, CEO e cofundador da foodtech conta que a ideia surgiu a partir de uma música do cantor nordestino Alceu Valença

“Nós já trabalhávamos com proteínas vegetais, com hambúrgueres vegetais, estávamos procurando algo que fosse legitimamente nacional. E foi quando no rádio, tocando ‘morena tropicana’ que eu e meu irmão ouvimos aquela parte ‘pele macia, ai, carne de caju’ e ali percebemos que existia aquilo e fomos pesquisar. Isso foi em 2017. E ali, a gente entendeu que existia um projeto na Embrapa e são 590 mil toneladas descartadas do caju. Com isso surgiu a ideia da empresa. E a ideia de trabalhar com as comunidades foi também promovendo a bioeconomia brasileira.”

comentou o CEO. 

 Amazonika Burguer

 O Amazonika Burguer é 100% vegetal, feito com carne de fibra de caju e a pimenta indífena assîssî. A pimenta é produzida na calha norte paraense, nas Terras Indígenas Nhamundá-Mapueira e Trombetas-Mapueira.

A produção fica com as mulheres das aldeias, que cultivam as pimenteiras em quintais e pequenas roças, principalmente durante a época das chuvas. Thiago explica que a Amazonitika tem acesso à pimenta através de uma parceria com o Origens Brasil, que impulsiona negócios sustentáveis na Amazônia.

Foto: Divulgação

“Não fazia sentido a gente ter pimenta do reino, branca ou rosa, ou outra industrializada. O comércio é feito através de um contrato de transparência com um valor ajustado entre as partes que gere um interesse pró manutenção da floresta, a melhoria da produção das pimentas e a divulgação desse insumo”

explica.

Vale ressaltar que a produção da fibra de caju é uma tecnologia compartilhada com a Embrapa e que a foodtech (nome dado às empresas que trabalham com novas tecnologias para revolucionar o setor alimentício) possui planos para diversas aplicações como iogurtes, suplementos alimentares, dentre outros.

O processo também inclui payback para as comunidades tradicionais que incentiva a melhoria da produção e a capacitação das pessoas que estão envolvidas no projeto dentro da Amazônia. 

Quinoa Burguer 

 Feito com tucupi preto e molho amazônico, possui sabor e textura únicos. O tucupi preto, na verdade, é amarelo. Preparado a partir da mandioca-brava, o caldo passa alguns dias no fogão à lenha até ficar mais concentrado. É rico em umâni, o quinto sabor do nosso paladar e possui o carinhoso apelido de shoyo indígena.

Foto: Divulgação

Agora responde: Você experimentaria algum desses hambúrgueres?

Para quem não é fã de hambúrguer, a Amazonika Mundi também possui outras opções, como a almôndega, que além da carne de fibra de caju e da pimenta assîssî, possui extrato de açaí. 

Além dos produtos, é importante mostrar que a empresa tem o compromisso em reduzir o impacto ambiental causado pela indústria alimentícia, através, por exemplo, da adoção de embalagens biodegradáveis e do incentivo a reciclagem entre seus clientes.

 Disponibilidade

 Apesar de utilizarem insumos naturais que fomentem a bioeconomia, os produtos ainda não estão disponíveis na região amazônica, mas existem planejamentos para que isso ocorra em breve.

Hoje você encontra no sudeste quase todo e também na região nordeste. Nós somos pioneiros no Brasil e no mundo quando se trata de caju. Nós conseguimos recentemente um fundo de investimento e vamos conseguir expandir mais o produto para outros lugares. Espero que esteja chegando na Floresta Amazônica o mais rápido possível. Eu amo o Pará, amo Manaus, Anavilhanas e quero que a marca esteja presente nesses lugares”

finaliza Thiago Rosolem.

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