Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
Doze anos de grão-mestrado, auxiliado pelos Eminente Grão-Mestre Adjunto irmãos Henrique Taborda de Miranda até 1926 e Antônio Monteiro de Souza de 1926 a 1935, fizeram dele uma das mais importantes referências da maçonaria amazonense da primeira metade do século XX.
Coube a ele promulgar a primeira Constituição da Potência Maçônica, em 7 de agosto de 1927, dentro do movimento liderado nacionalmente pelo irmão Mário Behring. Iniciou-se na maçonaria na Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n°2, em 2 de dezembro de 1893 e seu Grão-mestrado foi marcado pelas ações de reorganização da maçonaria, sob a inspiração do Movimento de 1927.
“[…] Gaspar Antônio Vieira Guimarães pertenceu à plêiade de rapazes de talentos fulgurante que entraram no Amazonas, no último decênio do século passado, integrada também de Araújo Filho, Thaumaturgo Vaz e Henrique Álvares Pereira.
Nasceu a 20 de setembro de 1874, na cidade do Recife, sendo seus pais o Comandante Gaspar Antônio Vieira Guimarães e dona Maria Brígido de Abreu Villar, ambos pertencentes a nobreza de Portugal.
Desde muito jovem, mostrou seu pendor para as letras, fazendo jornaizinhos para os estudantes. Aos 18 anos de idade, publicou “Primeiros Voos”, livros diversos de apreciável inspiração. Formou se em Direito, quando não havia completado 19 anos de idade, na Faculdade de Recife, logo embarcando no paquete Brasil para Manaus, tendo como seus companheiros os doutores Samuel Mac Dowell e Albuquerque Maranhão, aportando aquela cidade a 31 de dezembro de 1892, após quinze dias de viagem.
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Dias depois, a 14 de janeiro de 1893 era o doutor Gaspar Antônio Vieira Guimarães 2° Promotor Público da Capital Amazonense, nomeado por ato do Capitão Eduardo Gonçalves Ribeiro, governador do Estado do Amazonas.
Casou-se a 25 de maio de 1895 com a senhorita Maria Ametista Rodrigues Campos, de ilustres e tradicional família paraense. Do casal nasceu somente um filho, o Doutor Ivan Campos Guimarães, amazonense, que tem exercido quer na sua cidade natal, quer no Rio de Janeiro, cargos importantes gozando de invejável posição social entre os cariocas.
O Doutor Gaspar Guimarães em 1907, estando no exercício de Juiz de Direito da Capital foi nomeado no Governo do Doutor Antônio Constantino Nery, para o cargo de Prefeito de Segurança, no qual lhe foi possível dá uma corrida aos vagabundos e malfeitores e uma limpeza na cidade, onde as mundanas campeavam.

Em todos os cargos que passou ficaram os sinais de sua inteligência, cultura e bondade. Nos jornais em que colaborou, ninguém foi maior, mais justo e comedido. Jornalista fidalgo, de sua pena jamais saíram diatribes e infâmias. Para confirmar a assertiva aí estão nos arquivos as coleções do Jornal do Comércio, Amazonas, A Capital, O Tempo e etc. Foi orador consumado nos gestos e nos pensamentos. Nos comícios estando presente a multidão não o deixava em silêncio, não só para ouvir os hinos de sua linguagem, como ainda ter um esclarecedor eminente. Suas palavras eram assim, claras e orientadoras.
Durante a 1ª Guerra Mundial de 1914 a 1918, tomou posição ao lado dos aliados noticiando e comentando diariamente os acontecimentos, com maestria de um crítico militar. Seu interesse pela causa da justiça e da civilização ofereceu-lhe um venérea, isto é uma esplêndida homenagem prestada solenemente, através do governo italiano. A este respeito, o seu filho doutro Ivan de Campos Guimarães disse-me:
“A repercussão da sua campanha em prol dos aliados foi tão grande que lhe valeu o conhecimento das condecorações e insígnias da Legião de Honra da França e das Ordens de Cavaleiro da Corte da Itália e da Bélgica, bem como mensagens de agradecimento enviada por Jorge V da Inglaterra, tendo sido em 1916 por ocasião de seu aniversario natalício alvo de grandes homenagens prestadas principalmente pelos Cônsules de países aliados, que lhe fizeram entrega de uma Polianteia, contendo artigos sobre sua personalidade.
Gaspar Guimarães não somente se dedicou à Literatura de Ficção, indo mais além produzindo obras didáticas e alta cultura e responsabilidade. Entre elas, acham-se além daquela já citada: As nossas Fronteiras
e a Reorganização do Exército Nacional – 1900, Dados Descritivos do Município de Coari – 1900, O Vínculo
Entre o Estado e o Funcionário, História do Lugar da Barra, Direito Internacional Público e Diplomacia –
1914, A Evolução Histórica da Divisão Judiciaria e Administrativa do Estado Amazonas – 1922, Noções
Teosóficas – 1934″.
Gaspar Guimarães foi um polígrafo. Velho e brilhante membro da Ordem Maçônica, quando esta no Amazonas atravessava uma crise, não de idealismo, mas, de sentido administrado, Gaspar Guimarães, um nome feito e respeitado na magistratura, no magistério superior, nas lides da impressa e chamado para prestar serviços. Foi eleito Grão-Mestre da Maçonaria Amazonense, então, adstrita e subordinada ao Grande Oriente do Lavradio. Pregava a liberdade, mas não à possuía. O remédio estaria na proclamação da independência e da soberania e instituição, segundo a vontade do povo maçônico. Cria-se o Grande Oriente do Amazonas e Acre, Gaspar Guimarães é eleito para exercer o Grão-mestrado e logo organiza juridicamente a entidade, dando-lhe uma constituição liberal e progressista quem sem demora foi aplaudida e reconhecida como umas das mais legitimas Potencias Maçônicas do Universo. Como Grande Secretário do Novo Oriente, tive a honra de trabalhar a seu lado.
A 13 de agosto de 1921, Gaspar Guimarães já então juiz de direito da capital é nomeado Desembargador do Egrégio Superior Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, na administração Rêgo Monteiro. Foi várias vezes seu presidente. Seus acórdãos são peças de alto valor jurídico, é obvio dizer partida de um juiz culto e íntegro.
Doente em consequência de um acidente que sofrera, aposenta-se do cargo de desembargador, tendo 42 anos de serviço público prestado ao Amazonas. Retira-se para o Rio de Janeiro, onde trataria melhor da saúde, faleceu a 23 de junho de 1938 com a colaboração obsequiosa do seu filho Doutor Ivan Campos Guimarães.
Fonte: BITTENCOURT, Agnello. Dicionário Amazonense de Biografias: vultos do passado. Rio de Janeiro: Editora Conquista, 1973, pág.: 236, 237, 238.
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Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
