Desembargador Felismino Francisco Soares: Sereníssimo Grão-Mestre 1961 a 1962

Membro ativo da Maçonaria Amazonense, Desembargador Felismino Francisco Soares alcançou elevação em vários graus da Sublime Ordem e foi eleito Grão-mestre do Grande Oriente Estadual.

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

O Desembargador Felismino Francisco Soares por diversas vezes foi Venerável Mestre da Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º2. Tendo sido iniciado na mesma Loja, no dia 9 de março de 1935, foi elevado ao grau de companheiro, em 25 de abril de 1935 e Mestre Maçom, em 20 de julho de 1935.

Dotado de grande conhecimento jurídico, era respeitado pela sua qualidade de gestor e de hábil conciliador entre irmãos. Coube a ele encontrar o caminho do equilíbrio institucional em uma época de grandes convulsões sociais, como foram os anos de 1960. Ponderado, justo e discreto soube manter a GLOMAM fora das paixões políticas de então. Foi seu Eminente Grão-Mestre Adjunto Manoel Ribeiro.

Felismino Francisco Soares, filho do velho campeador Domingos Francisco Soares e Maria Rebelo Soares. Realizou os estudos de nível secundário na Escola Normal em Manaus, tendo colado grau como professor em 1920 e, onde exerceu posteriormente o cargo de secretário. Lecionou no interior do estado do Amazonas e depois no Rio de Janeiro.

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Como mestre em Manaus teve destacada atuação, lecionando História Universal e História do Brasil, na Escola Normal, hoje Instituto de Educação do Amazonas e Caligrafia, Legislação Fiscal e Prática do Processo Civil e Comercial na Escola Municipal de Comércio Solon de Lucena. Foi também assistente técnico do Departamento de Educação e Cultura do Estado do Amazonas.

Em 1927 fundou a Escola Noturna União Operária, pertencente à União Operária Amazonense. Em 1932 graduou-se em Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e filiou-se ao Partido Trabalhista Amazonense, tendo sido eleito Deputado Estadual em 1935, cujo mandato foi interrompido em 1937, em função do golpe de estado que foi instaurado no país, a chamada Ditadura Vargas.

Sua participação na advogacia foi marcante e dinâmica sendo considerada clássica. Inteligente, ágil de raciocínio, pouco precisou para ganhar a simpatia dos obreiros da maçonaria amazonense. Posteriormente foi Desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas, Corregedor de Justiça, Vice-presidente e Presidente. Exerceu em comissão a função de Chefe de Polícia do Estado.

Militou na imprensa local nos jornais Estado do Amazonas, O Liberal e O Trabalhista, tendo colaborado em jornais e revistas do Rio de Janeiro, como a Revista O Malho e Jornal dos Moços. Dedicou-se à música e a poesia. Foi autor de composições que alcançaram êxito, como a valsa Meiga Recordação. De sua lavra em prosa e verso, destacam-se: Jubileu em Florilégio, Contos e Poesias, Resposta, Cartilha Trabalhista, Doutrinação Política que constituiu em sua plataforma de conduta.

Casou-se duas vezes: a primeira em 1927 com a senhora Dídia de Amorim Soares, e a segunda em 1968, com a senhora Haydée de Amorim Soares, irmã da primeira esposa. Teve nove filhos dos quais sobreviveram apenas sete que se destacaram em nosso cenário como médicos, advogados, oficiais do exército nacional, bacharéis em administração pela Fundação Getúlio Vargas e professores.

Nasceu no dia 23 de julho de 1902 e faleceu no dia 1 de janeiro de 2000, deixando uma grande lacuna na Jurisprudência e na maçonaria amazonense.

Desembargador Felismino Francisco Soares: Sereníssimo Grão-Mestre 1961 a 1962
O Desembargador Felismino Francisco Soares. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Segundo o escritor Robério Braga, assim o descreve:

Felismino Francisco Soares, um dos grandes amigo de meu pai, Lourenço da Silva Braga, desde as lides político partidárias, em 1933, a tal ponto das famílias se tornarem fraternas e solidarias até os dias atuais. Era filho de Domingos Francisco Soares e Maria Ribeiro Soares, nascido em Urucurituba em 23 de julho de 1902. Casou-se com Dídia de Amorim Soares (1927) e com Haydee de Amorim Soares (1968).

Em 1913 estava no Ginásio Amazonense Pedro II. Em 1916 foi aprovado em exames na Escola Normal, sendo colega de Benedito Sidou, Ruth Pires, Dulce Caminha, Lucila Caminha, Lucinha Nelson, Amazônia Sidou, Cecilia Santos, dentre outros alunos. Formou-se em professor normalista em 1920, acompanhado de Raimundo Comte de Carvalho Leal, Ruth Pires dos Santos e Dulce da Silveira Caminha. Logo lecionou em escolas do interior do estado, na capital, no Rio de Janeiro e na Escola de Comércio de Manaus, depois Escola Solon de Lucena, aplicando várias disciplinas como Historia Geral, Historia do Brasil, Caligrafia, Legislação Fiscal, Pratica de Processo Civil e Pratica Comercial.

Foi auxiliar do diretor do Colégio Rayol, precisamente do seu proprietário, o professor Alexanddre Rayol (1927), ano em que exerceu a direção da Escola da Sociedade União Operaria, onde ajudou a fundar.

Formado em 1932 pela Faculdade de Direito do Amazonas. Atuou na advocacia sindical, ampliando sua influência na politica local. Foi suplente e em 1946 foi cogitado a ser candidato a governador em eleição simulada pelo Jornal do Commercio, fase em que foi eleito presidente do diretório municipal do PTB, em 1947 tornou-se Deputado Federal pelo partido Partido Trabalhista Nacional.

Como Desportista foi Secretário do Paiçandu Sport Clube, de Manaus 1918, líder e presidente do Princesa Isabel Esporte 1944, presidente da Liga Amazonense pró Liberdade de Consciência 1959. No serviço publico, foi técnico do Departamento de Educação e Cultura do Estado e Chefe de Polícia.

Encontra-se na imprensa artigos de sua lavra em O Trabalhista, O Estado do Amazonas, O Liberal, Jornal das Moças e revista O Malho, estes dois últimos, no Rio de Janeiro e muitos outros.

Em 1947 foi desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas e presidente em 1951. Escreveu Plaqueta tratando do tema trabalhismo e proletarismo, editada no Rio de Janeiro, noticiada em Manaus com o título de Cartilha Trabalhista. Como poeta publicou algumas poesias no Jornal do Commercio, as quais reunidas pelos filhos constituíram no livro Jubileu em Florilégio, comemorativo dos seus cinquenta anos de vida.

Membro ativo da Maçonaria Amazonense, alcançou elevação em vários graus da Sublime Ordem e foi eleito Grão-mestre do Grande Oriente Estadual.

Leia também: Desembargador Gaspar Antônio Vieira Guimarães: Sereníssimo Grão-Mestre 1923 a 1935

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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