​Trem de chegada e de partida

Defendo que o fechamento de ciclos deve ser comemorado. Em algumas culturas, comemora-se a morte com festas em homenagem a quem parte. Para mim faz todo o sentido.

Estou mudando de Curitiba. Fecha-se um ciclo de 21 anos. Quando cheguei, era uma outra pessoa. Tinha consciência de que iniciava uma etapa nova na minha vida. Não era apenas uma mudança de cidade. Era quase tudo novo. Novo trabalho. Nova residência. Nova igreja. Novos amigos. Novos lugares para conhecer, dentre eles, parques, restaurantes e localidades. Quase uma nova vida. Os sonhos eram grandes e a expectativa também. Ia dar tudo certo. Deu tudo certo. Algumas conquistas. Algumas perdas. Todas contribuíram para o meu crescimento. O sentimento é o de gratidão e a sensação é a de missão cumprida. Não na vida, mas em Curitiba.

Defendo que o fechamento de ciclos deve ser comemorado. Em algumas culturas, comemora-se a morte com festas em homenagem a quem parte. Para mim faz todo o sentido. Palmas, muitas palmas para quem sai do palco, com o desejo de que esta pessoa tenha feito o que veio cumprir. Não saberemos quanto a ela, mas acredito que podemos saber quanto a nós mesmos. Temos esta resposta dentro da gente. Se procurarmos, encontraremos.

Fechar um ciclo é também a abertura de um outro e isto é algo mágico. Se a morte é um fim, é também o início. É como diz a música cantada por Elis Regina: “o mesmo trem de chegada é o trem de partida”.

Foto: Reprodução/LinkedIn

Valorizo as pessoas que concluem o que se propõem, como um curso, uma dieta ou um programa de exercícios. Não é apenas a conquista da meta que deve ser valorizada. A jornada é, no mínimo, tão importante quanto. Além delas, meta e jornada, há o fechamento do ciclo, que precisa ser demarcado. Esta é outra função da comemoração. Fogos para o encerramento do ano, que são também para o início do outro. Palmas para o certificado de formação, com direito a beca e a discurso. Medalha pelo cumprimento da maratona, mesmo para quem chegou em último lugar. Um casal de amigos queria fazer uma festa de descasamento. A ideia parecia estranha para a maioria das pessoas, mas, se eles chegaram ao final como amigos e não como inimigos, e queriam comemorar isto, por que não?

Trabalhei dois anos em uma empresa, depois fui consultor dela por mais dez e até hoje, passados outros tantos anos, somos amigos e nossas empresas são parceiras. Tenho gratidão e orgulho desta relação por tudo que realizamos, mas sinto uma certa frustração. Cada ciclo poderia ter sido demarcado, refletido, comemorado. Passamos em branco de uma para outra fase, sem ao menos um brinde, um obrigado, de parte a parte. Momentos mágicos foram desperdiçados. Deve ser, por isso, que muitas culturas têm rituais para a passagem dos filhos para a adolescência. Depois para a saída de casa com o casamento. Quantas vezes os pais só se dão conta, bem tarde, de que os filhos cresceram e eles nem perceberam?

Assim quero comemorar e agradecer a Deus por tudo que vivi e aprendi neste ciclo em Curitiba. Dá um frio na barriga, mas é uma sensação boa. Estarei por perto, pela filha que fica, pelos amigos e pelos clientes que permanecerão aqui, mas quero demarcar e degustar um brinde pelo cumprimento desta importante etapa de minha vida. Neste momento, começa uma outra fase. Muita coisa será nova. Os sonhos são grandes e a expectativa também. Vai dar tudo certo. Um brinde a todos os amigos e a você, caro leitor. Obrigado por compartilharem comigo este encerramento e início de um novo ciclo.

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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