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Quinta, 01 Dezembro 2022

Você conhece a história da corda utilizada no Círio de Nazaré?

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Um dos momentos mais especiais do ano para Belém, no Pará, é o Círio de Nazaré. A festividade religiosa católica em devoção a Nossa Senhora de Nazaré é celebrado anualmente há 200 anos na capital paraense. O Círio já foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

A história do Círio começa em 1700, quando a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi encontrada por uma figura conhecida como Caboclo Plácido, às margens de um riacho, próximo de onde é hoje a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré. A primeira procissão aconteceu em 1793 e desde então vem atraindo os fiéis.

A Festividade de Nossa Senhora de Nazaré ocorre no mês de outubro com a realização do Círio e de outras procissões, como a Trasladação, a Romaria Rodoviária, a Romaria Fluvial, o Círio das Crianças e o Recírio, dentre outras.

Um dos grandes símbolos do Círio é a corda. Saiba como ela surgiu:

Foto: Adriana Spaca / Flickr

 A origem da Corda 

 A corda do Círio foi introduzida pela primeira vez na procissão em 1855 e tinha como objetivo puxar a berlinda que levava a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, já que naquele ano, uma enchente da Baía do Guajará acabou alagando a orla que se estendia até o Mercado Ver-o-peso até às Mercês.

Ao passar pela procissão, a berlinda acabou ficando atolada e nem os cavalos conseguiam puxá-la. Foi então que os animais foram desatrelados e um comerciante local cedeu a corda para que os fiéis pudessem puxar a berlinda. 

Desde então, foi incorporada às festividades e passou a ser o elo entre Nossa Senhora de Nazaré e os fiéis. Ela permanece adaptada às estações de metal que auxiliam no traslado das berlindas durante as romarias.

A corda do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém (PA), é de sisal e foi confeccionado em Santa Catarina com 800 metros de comprimento e 50 milímetros de diâmetro, dividida em duas partes de 400 metros.

Foto: Reprodução / Basílica do Santuário de Nazaré

Inicialmente, a corda tinha formato de "U", com duas extremidades ligadas a berlinda, a configuração continuou assim até o ano de 2003. Em 2004, por motivos de segurança, a corda ganhou formato linear dividida em cinco estações confeccionadas em duralumínio que ajudam a dar tração à corda e ritmo às romarias.

Em cada uma das estações há a presença constante dos chamados "Evangelizadores da Corda" que têm a função de estimular os promesseiros por meio de palavras de ordem, cânticos e orações. Atualmente, o atrelamento à berlinda ocorre de forma planejada.

Nos últimos anos, devido a pandemia de Covid-19, a corda foi apenas exposta aos fiéis, sem procissões da trasladação, na noite de sábado, e também no domingo, dia do Círio. 

Para o Círio 2022, a corda viajou cerca de 15 dias na estrada e chegou à capital paraense no dia 22  de setembro. Este ano ela voltará a ser usada nas duas maiores e mais tradicionais procissões, o Círio e a Trasladação. 


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