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Domingo, 21 Abril 2024

Venezuela afirma ter destruído pista de pouso clandestina em garimpo ilegal na fronteira com o Brasil

A Venezuela informou que suas tropas militares destruíram uma pista de pouso clandestina na região de um garimpo ilegal dentro do território venezuelano, após ser avisada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). A informação foi divulgada na segunda-feira (29) por um comandante da Força Armada Bolivariana.

A suspeita é que a pista de pouso servia como apoio logístico para o garimpo ilegal dentro da Terra Indígena Yanomami, na fronteira do Brasil com o país vizinho.

Imagens divulgadas pelo comandante Estratégico Operacional da Força Armada Bolivariana da Venezuela (FANB), Domingo Hernández Lárez, nas redes sociais, mostram carcaças de motores e até de um helicóptero. Além disso, haviam munições, mangueiras e fardos de alimentos, como feijão e arroz, em barracões montados no local.

Foto: Divulgação/Ibama

Os militares também apreenderam peças de motocicletas, antenas, painéis solares e outros equipamentos utilizados na atividade garimpeira.

Na publicação, o comandante da Venezuela afirmou que a pista de pouso era "usada por grupos criminosos para o tráfico de materiais logísticos associados à mineração ilegal" e que a "construção de estruturas que degradem a natureza" não serão permitidas nas áreas fronteiriças venezuelanas.

A pista foi destruída após o Ibama denunciar a existência dela à Embaixada da Venezuela. Ela foi identificada em dezembro de 2023, quando duas aeronaves saíram da pista e foram destruídas pelo Ibama.

Investigações apontaram que os aviões pertenciam a um empresário de Rondônia, que já teve outra aeronave queimada pelo Ibama em 2022. Além disso, em dezembro do ano passado, o empresário chegou a ser multado em R$ 3 milhões pelo órgão ambiental por fazer pista de pouso na Terra Yanomami.

A pista destruída também foi identificada durante um sobrevoo próximo a fronteira com o país vizinho, em janeiro deste ano. Apesar dos avanços, situação dos Yanomami ainda é delicada, um ano após a crise humanitária.

Leia também: Ministra dos Povos Indígenas afirma que crise Yanomami levará tempo para ser resolvida

Nessa segunda-feira (29), a Força Aérea Brasileira (FAB) interceptou um avião suspeito que sobrevoava uma região nas proximidades da Terra Indígena Yanomami, a cerca de 110 km de Boa Vista. O piloto da aeronave descumpriu ordens dos militares, fazendo com que eles atirassem.

Segundo a FAB, a aeronave estava fazendo um voo na Zona de Identificação de Defesa Aérea, criada para controlar o tráfego aéreo ilícito e combater o garimpo ilegal no norte do país.

Após descumprir as regras, os militares enviaram uma mensagem ao piloto suspeito, afirmando que duas rajadas de tiro de aviso seriam disparadas para alertá-lo. Momentos depois, a aeronave pousou em uma pista de terra, e o piloto fugiu. O avião foi vistoriado e apreendido pela Polícia Federal.

De acordo com o sistema de Consultas ao Registro Aeronáutico Brasileiro, a matrícula da aeronave interceptada pela FAB está cancelada desde maio de 2022. O avião também está com as operações negadas para táxi aéreo.

*Por Marcelo Marques, Yara Ramalho, da Rede Amazônica e g1 Roraima 

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