É do Pará: jogador do Atlético-MG supera desconfiança e vira destaque no futebol

MANAUS – Ser um jogador profissional é uma missão árdua. Para quem é da Amazônia, o isolamento e a desconfiança tornam a tarefa ainda mais delicada. Mas as dificuldades foram superadas pelo talento do paraense Giovanni Augusto. Ele deixou Belém em 2008, mas somente neste ano se consolidou como um dos destaques do futebol brasileiro pelo Atlético Mineiro. De lá pra cá, uma carreira cheia de reviravoltas. Mas o meia de 26 anos tratou de recolocar a Região Norte em destaque no cenário nacional.
Paraense Giovanni Augusto (à esq.) é sensação do Campeonato Brasileiro. Foto: Divulgação/AV Assessoria de Imprensa
Nascido em Belém e criado em Benevides, na Região Metropolitana, Giovanni concorda que o nortista é tratado com ‘estranheza’ nos grandes centros. “Muitas pessoas não têm conhecimento do nosso Estado e acabam julgando sem saber. Mas a vida é assim mesmo. Vim para Belo Horizonte com o propósito de vencer na vida, independentemente do que iria enfrentar. As coisas começaram a acontecer e foram me enxergando com outros olhos”, disse ao Portal Amazônia.
O meio-campista percorreu do sub-15 aos juniores do Paysandu, clube de formação e também de coração. Ele crê que os clubes da região devem dar mais atenção à base para revelar talentos. “Existem bons profissionais. Eu trabalhei com o Nad, mas acho que falta recursos pra esses caras trabalharem melhor. A base não só do Paysandu como também do Remo ainda tem muito a crescer”.
Giovanni Augusto despontou pelo Papão em 2008, na Copa São Paulo de Futebol Júnior, considerada a ‘vitrine’ do futebol brasileiro. “Nós saímos na primeira fase, mas consegui me destacar. Chamei a atenção de outros clubes, não só de Belo Horizonte, mas também do Rio de Janeiro e de Porto Alegre. Como meu empresário tinha contato no Atlético, isso facilitou a minha vinda. Foi a melhor escolha que eu fiz”, orgulha-se.Campeão mineiro em 2010 e posteriormente emprestado ao Náutico, Giovanni teve o seu primeiro grande momento no Atlético Mineiro em 2011, onde se destacou nas finais do Campeonato Mineiro e no início do Campeonato Brasileiro. Em meio ao sucesso, ele caiu na tentação de tantos outros jogadores de futebol: noitadas, mulheres e dinheiro. “Não tenho vergonha de dizer o que aconteceu. Quando eu comecei a despontar no futebol, apareceram muitas pessoas que se diziam meus amigos. E a noite oferece muita coisa boa, mulheres, essas coisas. Isso me prejudicou. Perdi o foco, deixei o Atlético como segunda opção. Desde então fui emprestado pra outros times e com o tempo fui amadurecendo. Vi que a vida é de outra forma”, relatou.
Marasmo
De 2011 a 2014, Giovanni passou por cinco times diferentes: Grêmio Barueri, Criciúma, Náutico, ABC e Figueirense. No Criciúma, conseguiu o acesso à Série A em 2012. No Náutico, em 2013, sofreu uma lesão séria e passou um longo tempo afastado. Entretanto, o paraense ficou estigmatizado como ‘baladeiro’ e começou a perder espaço no futebol.
Mas a vida reservava surpresas ao jovem de Belém. Durante as ‘andanças’ pelo Brasil, Giovanni conheceu sua atual esposa, Izabel. A união gerou um filho, Vittório. A família foi decisiva para o garoto recolocar a cabeça no lugar e recuperar o tempo perdido. “Voltei a priorizar somente o futebol. A facilidade que o futebol oferece é uma ilusão, é tudo passageiro. Você acha que é o dono do mundo, que as pessoas gostam de você, mas elas estão do seu lado por interesse”.
Meia paraense largou ‘noitadas’ para recuperar espaço no futebol. Foto: Divulgação/AV Assessoria de Imprensa
A reviravolta começou no ano passado, quando Giovanni teve ótima passagem pelo Figueirense. A cereja do bolo foi no dia 18 de maio de 2014: ele entrou para a história ao marcar o primeiro gol da Arena Corinthians, estádio que sediou a Copa do Mundo. Na ocasião, o time catarinense venceu o Corinthians por 1 a 0.Retorno triunfal
Com a cabeça no lugar, Giovanni retornou ao Atlético em 2015 para brilhar no clube que o acolheu. Ele reestreou no dia 3 de maio, no jogo que valeu o título do Campeonato Mineiro contra a Caldense.
De lá pra cá, o paraense tornou-se protagonista no time comandado por Levir Culpi. Titular absoluto no meio-campo, ele já soma cinco gols e sete assistências no Campeonato Brasileiro. Na atual temporada ele disputou 34 jogos, com 19 vitórias, sete empates e oito derrotas. O meia agora possui vínculo com o Atlético em 2018.
Giovanni não tem dúvidas: este é o auge de sua carreira. “Apesar de ter feito um excelente campeonato pelo Figueirense [em 2014], esse sem dúvida é o meu auge. Só fiquei fora de três jogos do Brasileiro. Espero concretizar esse bom ano com o título brasileiro, nós ainda temos chances. E espero crescer cada vez mais, pois ser bem sucedido no futebol é um sonho que está se tornando realidade”.
O Atlético é o atual vice-líder do Brasileirão, com 52 pontos. Neste domingo (1º), o Galo recebe ninguém menos que o líder Corinthians, com 60 pontos. E como não poderia deixar de ser, Giovanni Augusto é uma das armas do time mineiro para sair com os três pontos.
Giovanni Augusto virou titular absoluto do meio-campo do Atlético. Foto: Bruno Cantini/Atlético Mineiro
A boa fase faz com que o paraense de 26 anos sonhe com a seleção brasileira. “É o foco de todo jogador e comigo não é diferente. Seria uma conquista pessoal muito grande. A seleção é respeitada mundialmente, mesmo vivendo essa fase ruim. Mas o meu primeiro sonho é conquistar um título de expressão aqui no Atlético. Daí em diante eu acho que as portas se abrem com mais facilidade para a seleção”, projetou.Saudades: família, caranguejo e Paysandu
Giovanni não esquece a terra natal. Tanto que sempre retorna a Belém nas férias de fim de ano. “Eu amo muito Belém. Não consigo estar em outro lugar no fim do ano, ainda mais ao lado da família”. Mas a saudade não é só dos pais. O jogador sente falta de algo típico do Pará: o caranguejo. “Toda vez que eu vou pra Belém, a minha avó já compra uns 50 caranguejos. A primeira coisa que eu faço quando chego é comer”, divertiu-se.
Ele também não deixa de acompanhar o time do coração: o Paysandu. Giovanni comemora a boa fase do futebol paraense e torce para o Papão conseguir o acesso à Série A. “Eu sempre estou jogando em outros Estados e vejo que a torcida do Paysandu não deixa a desejar pra ninguém. Espero que tanto o Remo quanto o Paysandu possam voltar à vitrine do futebol brasileiro. São dois grandes clubes”, exaltou.
Em Benevides, Giovanni acompanhava o time do coração de um jeito bem diferente. “Eu assistia os jogos do Paysandu na casa de um cara que comprava todos os jogos. A casa dele ficava igual o Mangueirão, lotada de gente (risos). Em dia de jogo ele praticamente reunia toda a cidade”, recordou.
Por fim, Giovanni Augusto deixa um recado para os meninos da Região Norte que sonham com o sucesso no futebol. “O primeiro passo é ter foco naquilo que você quer. Vão aparecer muitas pessoas querendo te botar pra baixo, dizendo que você não vai conseguir. Nessas horas é preciso se apegar com Deus, você se sente seguro, protegido. Corra atrás daquilo que você sonha, é um esforço que vale a pena”.
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