Como as empresas do Polo Industrial podem apoiar clubes do Amazonas?

MANAUS – A Associação dos Clubes Profissionais do Amazonas (Acpea) promoveu o primeiro Fórum do Futebol Amazonense nesta quarta-feira (2), no auditório da  Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). O primeiro dia do evento foi marcado pela baixa presença de torcedores, mas um dos raros pontos altos do fórum foi a discussão de como as empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) podem patrocinar os clubes amazonenses. A proposta foi levantada durante a palestra do presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco. O presidente sugeriu que taxas federais e estaduais cobradas às indústrias podem ser usadas para ajudar o esporte amazonense, especialmente o futebol.

Wilson Périco foi o primeiro palestrante do Fórum do Futebol Amazonense. Foto: Antônio Assis/FAF
Périco reforçou que este não é um processo simples, afinal, depende da cooperação conjunta de clubes, federação, poder público e representantes da indústria para discutir a viabilidade do patrocínio. “Esperar que as empresas do Polo vão apoiar todos os clubes é chover no molhado. Mas pode ser realizado um projeto sério pegando o vencedor do campeonato [estadual] para fazê-lo subir de divisões”, disse.
Uma indagação do presidente do Rio Negro, Thales Verçosa, também suscitou a discussão de como as empresas do PIM podem ceder espaços que sirvam como centros de treinamento para os clubes amazonenses. Empresas como a Moto Honda da Amazônia e a Fábrica de Cimento, por exemplo, dispõem de campos de futebol.‘Lenda’ do futebol amazonense, Amadeu Teixeira (à dir.) esteve no Fórum. Foto: Antônio Assis/FAF
Périco acredita que uma boa conversa também pode aproximar a estrutura das empresas do PIM dos clubes amazonenses. “Não vejo isso como uma distância grande. Mas não é só o clube ir na porta da empresa e pedir. Isso também depende do envolvimento de outros setores. A maioria das empresas usam esses campos como lazer para seus trabalhadores, mas os clubes podem solicitar em quais horários esses locais podem ser usados”, destacou o presidente da Cieam.
O jornalista Dudu Monteiro de Paula, da Rede Amazônica, lembrou que o futebol amazonense era sustentado por comerciantes apaixonados pelo futebol local antes da ZFM. “Eles se instalavam aqui e tinham amor pelos clubes. Eles não ajudavam porque sobrava dinheiro, mas sim porque gostavam, frequentavam as festas dos clubes, tinham filhos lá. Essa identidade não existe mais”.
Desinteresse
Outra discussão relevante no Fórum partiu da apresentação de um estudo da Action Pesquisas em 2014, liderado por Afrânio Soares. Entre outros pontos, a pesquisa exibiu os motivos pelo qual o torcedor amazonense não se interessa pelo futebol local. De acordo com respostas dos próprios torcedores, a baixa qualidade do produto, a condição financeira e a violência nos estádios estão entre os motivos que afastam o público dos estádios amazonenses.Presidente da FAF, Dissica Tomaz discursou no Fórum do Futebol Amazonense. Foto: Antônio Assis/FAF
A distância do torcedor amazonense para o futebol local ficou evidenciada no próprio Fórum. Apesar de o espaço ser aberto ao público, poucos torcedores compareceram ao evento
Programação
O segundo dia do Fórum do Futebol Amazonense acontece nesta quinta-feira (3). A entrada é gratuita para o público e o evento é realizado no auditório da Fieam, localizado na Avenida Joaquim Nabuco. Na programação do evento estão quatro tópicos: nova abordagem do TJD; comissão de arbitragem da FAF; a mídia no futebol do Amazonas; e a imprensa esportiva amazonense em debate.
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