MANAUS – O tênis amazonense não é dos maiores expoentes do Brasil, mas revelou bons talentos nos últimos anos. A começar por Charles Costa, tenista com 50 vitórias no circuito profissional e que já esteve entre os 900 do mundo. Mais recentemente foi a vez de Pedro de Paula, de apenas 20 anos, somar pontos no ranking da ATP.
Apesar de pertencerem a gerações distintas, uma infeliz coincidência une as trajetórias de Charles e Pedro: a saída do Amazonas para se manter na modalidade. Charles se mudou para Santo André, enquanto Pedro de Paula se firmou em Santa Catarina. Ambos buscaram melhor estrutura e proximidade dos grandes centros para disputar torneios nacionais e internacionais. Mas o que pode ser feito para fomentar o tênis no Amazonas de forma que não haja um êxodo de talentos?
Pedro de Paula é o principal nome do Amazonas no tênis de quadra. Foto: Divulgação/Circuito Nacional Correios

Pedro de Paula é o principal nome do Amazonas no tênis de quadra. Foto: Divulgação/Circuito Nacional Correios
“Por conta da nossa localidade geográfica, os tenistas deixam o Estado e não foi por menos que o Pedro [de Paula] saiu. Essa dificuldade faz com que o intercâmbio seja pequeno”, admite o presidente da Associação Manauara de Tênis, Mamed Stone, à rádio CBN Amazônia. “Por isso que, em 2014, tivemos a iniciativa de criar a Copa Norte de Tênis. Para fazer com que o Norte se fortaleça e o nosso intercâmbio aumente”, completou.
A Copa Norte é a grande atração do calendário do tênis amazonense, divulgado na última quinta-feira (14). A competição é disputada em cinco etapas e a primeira inicia já no dia 11 de fevereiro.
Mamed também critica a falta de apoio do poder público e do empresariado ao tênis local. “Uma vez o Ênio Moreira, que organiza torneios em Porto Alegre e Florianópolis, me disse que um manauara que tinha perdido na primeira rodada de um torneio não tinha verba pra dar continuidade [na carreira]. Essa falta de incentivo faz com que muitos tenistas estacionem. Quando ele avança de nível pra disputar os Futures e os Challengers, o calendário aumenta e isso se torna caro”.Mamed também faz um paralelo entre o tênis brasileiro e argentino, além de mencionar Roraima como exemplo ao Amazonas. “A Argentina é o país do tênis, existem várias quadras públicas lá. Pra se ter uma ideia, Buenos Aires tem mais quadras do que no Brasil inteiro. Aqui do nosso lado nós temos Boa Vista, onde existem várias quadras públicas na praça”, valorizou.Legado olímpico
O presidente sonha que as Olimpíadas deixem um legado positivo para o tênis amazonense – ainda que Manaus só receba partidas de futebol durante os Jogos. “Nós temos muito potencial na periferia. E agora nós temos, através das Olimpíadas, o Projeto Transforma. Ele leva as modalidades olímpicas para as comunidades e Manaus também vai ser contemplada. Que fique um legado positivo, porque a Copa não deixou nenhum. Se a gente conseguir isso no tênis, pode ter certeza que muitos tenistas vão despontar”.
Elitismo?
Outro desafio é desmistificar a crença de que o tênis é um esporte elitista. “Isso é coisa do passado. Hoje dá pra pagar um preço acessível. Aqui no Tropical Hotel, onde eu dou aula, barateamos muito as aulas pra que o tênis se torne algo mais popular. Também existem trabalhos muito bons no Sesi, na Academia de Tênis, no Novotel. A preocupação é procurar um profissional habilitado”.

