Com foco social, time de Rondônia estreia na elite com projeto ousado

MANAUS – Uma das novidades na edição 2016 do Campeonato Rondoniense de Futebol é o Rondoniense Social Clube. Criado inicialmente como um projeto social, o clube passou a disputar campeonatos de base e agora estreia no futebol profissional. Com um projeto ousado, o ‘Periquito’ quer colocar Porto Velho no mapa do futebol brasileiro. E para isso, não esquece de suas raízes: revelar jovens jogadores da região.
Rondoniense treina para surpreender em sua primeira temporada no futebol profissional. Foto: Alexandre Almeida/Rondoniense SC
Em quase nove anos de atividades, o Rondoniense encaminhou diversos jovens para avaliações em grandes clubes do Brasil. Um deles é Gabriel Vasconcelos, 19, hoje no time profissional do Corinthians.
O Rondoniense é o único clube de Porto Velho a possuir um centro de treinamento. O ‘Ninho do Periquito’, como é chamado, conta com três campos de futebol e uma área de 47,5 mil metros quadrados – a projeção é que mais de R$ 2 milhões sejam investidos na modernização do CT nos próximos quatro anos.
A natureza do Rondoniense é a inclusão social de crianças e adolescentes através do esporte. Agora no futebol profissional, o Periquito quer potencializar sua filosofia. Não à toa, doze jogadores da base fazem parte do plantel profissional. Para lapidar a garotada, o clube foi atrás de Ariel Mamede, técnico com experiência nas categorias de base do Vila Nova.
“A escolha de vir pra Porto Velho e aceitar o projeto do Rondoniense é justamente em cima da filosofia do clube. Estamos fazendo uma mesclagem de jovens com jogadores de fora. Achei interessante a gente começar em um projeto que tem ambição de ser grande e que se encaixa no meu perfil”, disse Ariel à rádio CBN Amazônia.
Ariel Mamede e Higo Magalhães: técnico e auxiliar-técnico do Rondoniense. Foto: Alexandre Almeida/Rondoniense SC
Campeão goiano sub-20 pelo Vila Nova em 2015, Ariel fala com propriedade sobre base. E ele faz um diagnóstico de como enxerga a formação de jogadores em Rondônia e, num contexto geral, na Região Norte.
“Talentos com certeza tem vários, mas ainda se tem uma imagem muito retrógrada daqui. O jogo é muito individualista, os jogadores decidem o jogo por si só, não têm um senso coletivo bom. A distância pros grandes centros também atrapalha bastante. Mas vejo com bons olhos, tenho certeza que o futebol rondoniense ainda vai evoluir muito”, opinou Ariel.
Muitos dos jovens alçados ao time principal do Rondoniense ainda vão completar 16 ou 17 anos. “Na maioria das vezes, quando a gente identifica um talento, ele vale a pena quando são mais jovens. Quando passa de 18 ou 19 anos, a gente precisa de um algo a mais. Tem que ter um entendimento tático, uma tomada de decisão, aquela experiência empírica que o atleta adquire. Quanto mais velho, mais fica difícil moldar esses talentos”, ponderou o técnico.
Reforços pontuais também foram trazidos para compor o Rondoniense. É o caso do volante Dhonathan, que trabalhou na base do Vila Nova com Ariel. Jogadores como o goleiro Alex Cardoso e o meia Fernandinho, campeões estaduais pelo Genus, também chegaram ao clube de Porto Velho.
Aliada à pretensão de aparecer no cenário nacional do futebol, o Rondoniense não esquece da causa social, que inclusive faz parte de seu nome. Na próxima sexta-feira (12), por exemplo, o clube promove a ação social ‘Sopão Solidário’, que distribuirá cerca de 500 refeições a moradores da Vila Canaã e do bairro Ulisses Guimarães, atendendo moradores de regiões menos favorecidas.
A estreia do Rondoniense no estadual – e no futebol profissional – está marcada para o dia 5 de março, contra o Guajará, no estádio João Saldanha, em Guajará-Mirim.
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