Resíduos eletrônicos. Foto: Reprodução/ Reset descarte tecnológico
O avanço da tecnologia e o mundo cada vez mais conectado, traz consigo o aumento do volume de resíduos eletrônicos, um problema silencioso e crescente. De acordo com dados do Monitoramento global de lixo eletrônico 2024, realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ocupa a 2ª colocação do ranking de países da América com a maior geração de resíduo eletrônico, com 2.400 de quantidade total, em milhões de quilos.
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Segundo Camila Dinelli, presidente do Instituto Descarte Correto, o resíduo eletrônico é todo equipamento elétrico ou eletrônico que chegou ao fim da sua vida útil ou deixou de funcionar. Isso inclui desde itens como celulares, carregadores, pilhas e baterias, até aparelhos maiores, como computadores, televisores, impressoras e eletrodomésticos em geral.
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Estima-se que, por levar diversos componentes químicos em sua composição, o tempo de decomposição parcial dos resíduos eletrônicos seja de 100 a 500 anos.
Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis do Acre
Pedro Moraes, trabalhador da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis do Acre (CATAR), desenvolve, em Rio Branco, um trabalho de reciclagem de resíduos eletrônicos, por meio da iniciativa que promove a sustentabilidade ambiental e também gera emprego e renda para os cooperados, por meio da coleta seletiva.
Segundo Moraes, a cooperativa mantém parcerias com o Governo do Estado e a Prefeitura da capital, responsáveis por encaminhar os resíduos eletrônicos descartados.
“Temos termos de cooperação com o Estado e a Prefeitura, então todo o material eletrônico recolhido vem para dentro da cooperativa. Essa ação faz parte das políticas públicas ambientais e hoje beneficia cerca de 15 famílias”, explicou.

O processo de reciclagem de resíduos eletrônicos na CATAR possui uma dinâmica própria. “A gente solicita o material, busca e traz para dentro da cooperativa, tira placa, tira ferro, tira plástico, tira tudo, seleciona e cada um vai para um lado e o que não presta, que é rejeito, vai para o aterro em forma de tratamento”, detalhou Moraes.
Ele explica ainda que os materiais eletrônicos possuem componentes altamente resistentes à decomposição e com potencial contaminante.
“Todos eles são resistentes à decomposição, mas só que ele tem um problema: ele contamina direto, ele não tem negócio, quando ele já vai se decompondo, ele já vai contaminando”, alertou.

Na cooperativa, praticamente todos os materiais e componentes, como placa-mãe e todo tipo de placa que tem dentro da CPU (computadores) são inseridos na cadeia produtiva. De acordo com Moraes o propósito é não descartar de forma irregular e reaproveitar o que for possível.
Resíduos eletrônicos dentro de casa

Itens como celulares, notebooks, tablets, cabos, carregadores e pequenos eletrodomésticos lideram os resíduos eletroeletrônicos mais gerados nas residências brasileiras, muitas vezes esquecidos em casa, guardados em gavetas ou armários.
Segundo Dinelli, esse acúmulo doméstico é uma das principais dificuldades para que esses materiais sejam encaminhados para a reciclagem e reinseridos na cadeia produtiva.
De acordo com dados da Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei nº 12.305/2010, a responsabilidade pelo descarte adequado é compartilhada entre poder público, empresas e consumidores, mas a implementação ainda é desigual em regiões mais afastadas, como o Acre.
Substâncias perigosas e riscos ambientais
Equipamentos eletrônicos podem conter substâncias perigosas, como chumbo, mercúrio, cádmio e níquel, além de poeiras tóxicas e até fungos patogênicos, que poluem o meio ambiente e prejudicam a saúde.
De acordo com a Cartilha de boas práticas para Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos, esses metais pesados são altamente tóxicos e podem causar sérios danos à saúde humana, incluindo problemas respiratórios e renais, alterações hormonais e genéticas, risco aumentado de câncer e comprometimento do sistema nervoso.
Quando descartados de forma inadequada, em lixões ou aterros sem controle, esses resíduos contaminam o solo e a água, facilitando a liberação dessas substâncias no meio ambiente.
“Por isso, o descarte correto é tão importante, além do foco na conscientização ambiental através da educação ambiental e campanhas públicas, que são alguns dos nossos pilares de atuação”, explicou Dinelli.
Tempo de decomposição: problema de séculos
Diferente de resíduos orgânicos, os eletrônicos possuem um tempo de decomposição extremamente longo.
O relatório Global E-waste Monitor aponta que, como os resíduos eletroeletrônicos são compostos por diferentes materiais, dificulta a definição de um único tempo de decomposição.

“Não existe um único tempo de decomposição, pois os equipamentos eletroeletrônicos são compostos por diferentes materiais. Alguns componentes, como plásticos e metais, podem permanecer no ambiente por muitas décadas ou até séculos. Por isso é tão importante que os resíduos eletroeletrônicos tenham destinação adequada, evitando impactos ambientais”, concordou Dinelli.
Além disso, alguns elementos presentes em baterias e placas eletrônicas não se decompõem completamente, apenas se fragmentam, mantendo seu potencial de contaminação ao longo do tempo.
Um problema com solução local
A solução para o crescimento do descarte correto dos resíduos eletrônicos passa por ações locais. O Ministério do Meio Ambiente defende e estimula atitudes simples da população, como não descartar esses resíduos junto ao lixo comum, e buscar pontos de coleta que contribuem significativamente para a redução dos impactos.
O tempo de decomposição desses resíduos pode ser longo, mas a mudança de comportamento precisa ser imediata para evitar danos irreversíveis, segundo Dinelli.
Consciência Limpa
O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional da Organização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto, Duque Sustentabilidade e Estácio Unimeta.
