Projetos inovadores impulsionam o agronegócio e fortalecem a sustentabilidade em Roraima

Projetos impulsionam o agro em Roraima. Foto: Raquel Maia/Amazônia Agro/Rede Amazônica RR

A inovação tecnológica ocupa um espaço cada vez maior no agro de Roraima, inclusive para melhorar atividades marcadas por trabalhos manuais e pelo alto risco à vida dos trabalhadores. É o caso da colheita do açaí, por exemplo, tradicionalmente feita de forma manual, mas que tem ganhado novas oportunidades por meio da inovação.

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Segundo Reginaldo Rhubí, coordenador de inovação na Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) em Roraima, políticas públicas adotadas pelo Governo estadual com foco no agro tem colaborado para a mudança e melhoria do setor.

“Nos últimos anos houve, na gestão do governador Denarium, uma mudança estratégica na política de gestão do desenvolvimento, fazendo com isso uma reestruturação e dentro desse aspecto nós tivemos duas mudanças significativas do que diz respeito à inovação. Uma delas é a criação da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento e Inovação, fazendo com que o Governo do Estado tenha uma política oficial e efetiva sobre ciência, tecnologia e inovação, e também com a criação da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPERR), que são instituições que têm fins complementares dentro do processo de inovação”.

Segundo ele, nesse aspecto, com a execução da política geral de desenvolvimento ‘Roraima 2030’, “existe o eixo de desenvolvimento sustentável que tem como visão transversal a ciência, a tecnologia e a inovação, com aspectos que, olhando para o agro, hoje nós temos muitos projetos alinhados com essa iniciativa, observando a inovação com aspecto à política do agro”.

Um dos exemplos é a própria FAPERR que, por meio de editais, tem incentivado os projetos inovadores roraimenses, que também contemplam o agro.

“Nesse aspecto, nos últimos anos, nós temos adotado dentro da Expoferr o que nós chamamos de Hub Seadi de Innovation, que é o nosso hub de inovação aonde discutimos, trazemos e agregamos projetos de inovação e tecnologia com o foco no agro”, exemplifica.

“Na última edição da Expoferr (em 2025), nós tivemos o primeiro edital do Agro Inventores, que foi uma iniciativa do secretário Márcio Granjeiro, com a experiência que ele tem de agrônomo, de produtor rural e também de uma sensibilidade em entender que o produtor tem demandas que muitas das vezes não são atendidas pelo mercado. O próprio produtor acaba sendo inventor e resolve a sua necessidade. Por isso criamos o prêmio que, nesta primeira edição, nos mostrou que esse é um incentivo muito importante para ser feito junto com quem realmente tem a demanda”, completa Rubhi.

Saiba mais: Prêmio AgroInventores de Roraima impulsiona inovação durante Expoferr Show 2025

A ação promoveu incentivo aos “inventores” (estudantes, universitários, produtores, etc) e o coordenador de inovação espera que a edição de 2026 seja ainda maior, como uma forma de “incentivar cada vez mais a capacidade inventiva local, para que com isso a gente estimule a criação de novos negócios, de negócios de impacto ao setor agropecuário”.

Incentivo à inovação: universo agro é amplo

Lembra o exemplo da colheita do açaí? Um dos cases de inovação que mostra o potencial no agro é o do Climbot: um robô desenvolvido para mecanizar a colheita do açaí em áreas de floresta nativa, especialmente na Amazônia, e que se destaca como uma solução inovadora para a realidade do extrativismo

A ideia do projeto surgiu em 2019, a partir de um problema conhecido por quem vive do extrativismo, já que para alcançar os cachos de açaí, o trabalhador precisa subir palmeiras que podem ultrapassar dezenas de metros de altura. Além de colocar vidas em risco, essa atividade limita a escala de produção e impacta diretamente a renda de quem depende da prática.

Agro em Roraima
Colheita de açaí no agro em Roraima. Foto: Wenderson Nunes.

Foi nesse contexto que o Climbot começou a ser desenvolvido, e funciona como um equipamento escalador que é capaz de subir pelo tronco do açaizeiro, realizar o corte do cacho com precisão e retornar o solo, sem que o trabalhador precise se expor ao risco de altura.

Todo o sistema foi projetado para operar em ambientes de floresta, lidando com irregularidades naturais e com a variação de diâmetro do tronco das palmeiras, além de reduzir significativamente o risco de acidentes. 

Desenvolvido pela Agranus, uma startup de base tecnológica, o robô foi concebido especificamente para a realidade do açaizeiro e da floresta amazônica, já que diferentemente de máquinas adaptadas de outros setores, o Climbot tem como objetivo respeitar a floresta em pé, sem a necessidade de derrubada das palmeiras ou de alterações no ecossistema.

Além disso, o projeto também prevê ações de compensação ambiental, como a produção e distribuição de mudas de açaí para produtores, fortalecendo a sustentabilidade da atividade.

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Robô Cilmbot ajuda no extrativismo do açaí no agro em Roraima. Foto: Arquivo pessoal/ Carlos Coutinho

“O objetivo principal do projeto é substituir ou reduzir drasticamente o risco da colheita manual, promovendo maior segurança ao trabalhador, aumento da produtividade, padronização do processo e melhoria das condições de trabalho no extrativismo do açaí. Além disso, o Climbot busca viabilizar a colheita em regiões onde há escassez de mão de obra qualificada, garantindo a continuidade da atividade econômica de forma sustentável”, explica o CEO da startup, Carlos Coutinho

De acordo com Coutinho, o projeto incorpora avanços em engenharia mecânica, com um sistema de escalada próprio, e está em evolução para integrar visão computacional, software embarcado e inteligência artificial, permitindo maior automação, precisão na identificação dos cachos e otimização do processo de colheita.

Para a Agranus, segundo o CEO, o impacto social do projeto é tão relevante quanto o tecnológico. ”O Climbot representa uma inovação também do ponto de vista social e econômico, ao reduzir acidentes de trabalho, aumentar a eficiência da colheita e gerar impacto positivo direto na renda dos produtores”, ressalta. 

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Foto: Rafael Rocha/Embrapa

Atualmente, o Climbot passa por testes em campo, acompanhado por empresas que validam o desempenho do equipamento. Com a patente já submetida, o projeto avança para a fase de consolidação como produto comercial e desponta como uma das iniciativas mais promissoras do agro na amazônia.

O Climbot mostra que é possível aliar tecnologia, sustentabilidade e impacto social positivo no campo. E assim como ele, outros projetos inovadores começam a surgir em Roraima, como a startup que faz trabalhos com foco no ambiental, não só para propriedades rurais, mas também com foco na recuperação de áreas. 

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