Foto: Reprodução/Prefeitura de Macapá
Macapá, no Amapá, é uma das cidades brasileiras que mais preservam suas origens culturais e a única capital brasileira em que passa Linha do Equador, levando-a a ser conhecida como a “Capital do Meio do Mundo”.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
Em 4 de fevereiro de 2026 Macapá completa 268 anos e, para celebrar a data, confira algumas características que a fazem ser única: 2 itens da gastronomia indispensáveis, 6 pontos turísticos icônicos e 8 pessoas que revelam os talentos do Amapá.

2 itens da gastronomia indispensáveis
Gengibirra
Gengibre, açúcar e aguardente são os ingredientes usados para fazer a gengibirra, uma das bebidas mais fortes e tradicionais encontradas na cidade e que até se tornou Patrimônio Cultural Imaterial do Estado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2019.
De acordo com a tradição, entre outras características, a gengibirra serve para fortalecer a voz dos cantadores e cantadoras na hora de puxar os versos do marabaixo, além de dar vigor para as dançadeiras e dançadores, se convertendo em um tipo de bebida ritual.
Camarão no bafo
Com uma conexão com o rio e o mar, Macapá oferece fartura de camarão e, por isso, uma receita muito popular nos restaurantes e nas mesas das famílias é o camarão no bafo. A receita é fácil de preparar: temperar o camarão com alho, sal e pimenta e colocar em uma panela bem tampada para o cozimento. Tradicionalmente, é acompanhado de pimenta e farofa quando servido.

6 pontos turísticos icônicos
Trapiche Eliézer Levy Futlama
O Trapiche Eliezer Levy, na orla da cidade, é um dos cartões postais de Macapá. O local é um importante ponto turístico e histórico da cidade.
O Trapiche Eliezer Levy começou a ser construído em 1936 pelo então prefeito Eliezer Levy, e foi inaugurado apenas no ano de 1945.
O local era um destaque devido aos quatro pontos de observação inspirados nos baluartes da Fortaleza de São José de Macapá.

Complexo Turístico Rampa do Açaí
O Complexo Turístico Rampa do Açaí é um ponto tradicional para escoamento de produtos vindos das regiões próximas de Macapá, especialmente o açaí. Além disso, tem se tornado uma área turística da cidade como um espaço para os produtores e batedores de açaí, a valorização dos produtores e compradores do fruto, além de área de passeio para as famílias e turistas.
Os visitantes podem conhecer a história do açaí por meio de um QR code em uma placa no meio do píer, que é feito em concreto armado e em formato de “T”. O local conta com dois restaurantes; uma açaiteria; geleira; banheiros convencionais e com acessibilidade; um mirante de 120 metros quadrados para contemplação do Rio Amazonas; e uma praça.

Praça Povos do Meio do Mundo
A Praça Povos do Meio do Mundo, localizada no bairro Jardim Marco Zero, é uma homenagem da Prefeitura a todos que deram origem à região. O monumento representa as raízes e os povos indígenas, negros, caboclos e ribeirinhos. Está próxima ao Monumento Marco Zero do Equador e Parque no Meio do Mundo, e foi inaugurada em comemoração do aniversário da cidade em 2024.

Parque do Meio do Mundo
E por falar no Parque do Meio do Mundo, ele foi criado para ser um espaço de lazer em um dos maiores complexos turísticos da cidade. O espaço tem como vizinhos o Monumento Marco Zero, que marca a Linha do Equador, o estádio de futebol Milton de Souza Corrêa, o Zerão, e o Sambódromo.

Fundação Bioparque da Amazônia
O Bioparque é uma fundação pública municipal, vinculada à Prefeitura de Macapá. O espaço agrega três biomas presentes no Amapá e os visitantes podem participar de atividades voltadas para educação ambiental, contemplação da natureza e prática de esportes de aventura, como arborismo, canoagem e tirolesa.
A Fundação Bioparque da Amazônia Arinaldo Gomes Barreto – FUNBAB é uma entidade sem fins lucrativos e tem por finalidades a conservação, preservação e a manutenção de 107 hectares de floresta amazônica nativa, conforme memoriais e contribui para o desenvolvimento regional, em base sustentável, centrando-se em cinco pilares: biodiversidade, ecologia, manejo de ecossistemas, educação e lazer.
A sua missão é contribuir com a qualidade de vida da sociedade por meio da interação com a natureza, assim como visa se tornar referência em gestão de qualidade em visitação pública de áreas verdes e relação com a comunidade de entorno. O local abriga ainda diversos animais e plantas.

Mercado Central de Macapá
Em 13 de setembro de 1953, foi inaugurado o primeiro e maior prédio comercial de Macapá da época: o Mercado Central. Construído estrategicamente na frente da cidade, onde as embarcações atracavam com mercadorias no Trapiche Eliezer Levy, o local iniciou a comercialização de carnes, verduras, roupas, comidas, farinhas, plantas e ervas medicinais, além de serviços de costura, sapatos e consertos em geral.
A construção do prédio foi iniciada em 1952, pelo governador Janary Nunes e o prefeito Claudomiro de Moraes. Inicialmente, o prédio contava com 36 boxes, mas atualmente já conta com mais de 60. Após a última obra de reestruturação, o ambiente passou a contar com praça de skate, calçamento, novos banheiros e jardim com chafariz.

8 pessoas que revelam os talentos de Macapá
1. Cândido Mendes: Em Macapá, Cândido Mendes é um dos nomes mais conhecidos da capital, pois batiza a principal rua comercial do centro da cidade. O maranhense de São Bernardo do Brejo dos Arrapurus foi promotor público em São Luiz, professor de História e Geografia e membro da Academia de Letras do Maranhão.
2. Mestre Sacaca: Raimundo dos Santos Souza, conhecido popularmente por mestre Sacaca foi o primeiro funcionário do antigo Parque Florestal de Macapá, hoje Fundação Bioparque da Amazônia. Sua relação com as plantas foi incentivada desde a infância pela mãe, que sempre o orientou na produção de remédios caseiros. O trabalho de mestre Sacaca se tornou referência para pesquisadores da fauna e da flora da Amazônia.
3. Tia Chiquinha: Francisca Ramos dos Santos, popularmente conhecida como tia Chiquinha, foi mãe de 11 filhos. Ela foi esposa de Maximiano Machado dos Santos, o Bolão, conhecido por ser um grande tocador de instrumentos de percussão, como pandeiro, tambor de batuque e surdo de marcação. Moradora do Quilombo do Curiaú, local onde nasceu, ela era conhecida por ser dançadeira e cantadeira de marabaixo e batuque e sempre participava dos festejos do bairro Laguinho, onde morou por um tempo.
4. Dona Esmeraldina: Filha de tia Chiquinha, e como sua mãe, é uma das maiores responsáveis pela divulgação da cultura local. Moradora do Quilombo do Curiaú, dona Esmeraldina é cantadeira e dançadeira de marabaixo e em todo material que produz faz questão de mostrar a herança da manifestação cultural afro religiosa. Também é escritora, tendo lançado, em 2021, os livros ‘O Encanto do Boto’ e o ‘Sonho de Uma Menina’.
5. John Macapá: John Teixeira da Conceição, mais conhecido por John Macapá por conta da cidade que nasceu, é um lutador de artes marciais mistas. Com passagens marcantes pelo Ultimate Fighting Championship (UFC) e pelo Absolute Championship Akhmat (ACA), ele é considerado um dos maiores representantes na luta no cenário internacional.
6. João Amorim: cantor, compositor, guitarrista e violonista, João Amorim é um músico cujo repertório diversificado o faz “passear” pelo MPB, Rock, marabaixo, entre outros ritmos, e reuni-los em canções autorais. Já ganhou premiações como o troféu Sescanta pelas composições “Pôr-do-sol”, “A praça”, e “Dia”, em 2010. Sucessos como “Passa, tchonga”, tem mostrado a irreverência do artista mesclada com a regionalidade.
7. Bira: Ubiratan Silva do Espírito Santo, mais conhecido como Bira, foi um futebolista que atuava como atacante e ganhou notoriedade por integrar o Internacional que foi campeão brasileiro de 1979. Bira era irmão de outro amapaense de destaque nacional, Aldo, ídolo de Paysandu e Fluminense. Bira começou em uma equipe do bairro macapaense do Trem, chamada de “Reminho”, disputando partidas no campo adjacente à Paróquia da Nossa Senhora da Conceição, onde a presença na missa era a condição para poder jogar. Jogou por clubes como Macapá, Paysandu, Remo, Atlético Mineiro e Juventus-SP. Também foi treinador de times como Tuna Luso, Pinheirense e Bragantino.
8. Patrícia Bastos: Patrícia Bastos é a cantora e compositora que se tornou a primeira amapaense a cantar no Rock in Rio, em 2022. Formada em administração, ela começou a se dedicar à música aos 18 anos, quando entrou para a Banda Brinds, na qual permaneceu por cinco anos. Participou alguns festivais e conquistou prêmios como no 25º Prêmio da Música Brasileira, em 2014 (melhor disco regional e cantora regional), com o álbum ‘Zulusa’. Com o traço regional vivo, seu outro álbum, ‘Batom Bacaba’, foi indicado ao Grammy Latino de 2017 de Melhor Álbum de Raizes Brasileiras.
Macapá para o mundo ver
O projeto Macapá para o mundo ver é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) que propõe ações
integradas de comunicação, educação e valorização cultural durante o aniversário da cidade e o carnaval de
rua. Conta com o apoio da Tratalyx e da Prefeitura de Macapá.
