Foto: Reprodução/CredCarbo
A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realiza, no Acre, as ações do projeto Consciência Limpa, uma iniciativa que envolve educação ambiental, sustentabilidade e participação da comunidade. O projeto atua há mais de 20 anos na Região Norte e busca ajudar a população a entender melhor os problemas ambientais e adotar atitudes mais responsáveis no dia a dia.
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Uma das ações do projeto é sobre a importância do descarte correto de resíduos sólidos. O tratamento adequado de materiais ou objetos que não são mais úteis é essencial para a preservação do meio ambiente, conservação de ecossistemas, redução de custos e principalmente para a qualidade da saúde pública.
Isso porque o descarte inadequado, seja de resíduos sólidos quanto de substâncias tóxicas, além de contaminar o solo e a água, compromete a qualidade dos recursos naturais e a saúde humana.
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Diante da importância do tema, confira algumas dicas essenciais para o tratamento adequado de como separar e destinar os lixos de forma ecológica e sustentável.
1. Separar resíduo seco do orgânico/úmido
Os lixos recicláveis são os resíduos de papel, plástico, metal, vidro que estão limpos e secos. Se estiverem úmidos ou sujos, especialmente com restos de alimento, esses materiais não podem ser tratados.
Por isso, ao descartar os resíduos que são recicláveis, é preciso limpar e secar antes de misturar com os outros materiais. Você pode aproveitar guardanapos e outros papéis usados para remover a sujeira, por exemplo.

Restos de comidas, borra de café, folhas secas e outros resquícios de jardinagem, apesar de serem confundidos com lixo comum, podem sim ser reaproveitados ao serem transformados em adubo.
O mais correto é destinar os resíduos orgânicos para a compostagem, que pode acontecer desde
em grandes centros de compostagem, se a sua cidade dispor de um, até nas próprias casas ou condomínios.
2. Lixos comuns vão para aterros sanitários
Já o lixo comum, também chamado de rejeito, é composto por materiais que não possuem um tratamento adequado ou viável. Alguns exemplos são lixos do banheiro, bitucas de cigarro, materiais adesivos, esponjas e papel térmico, usados em comprovantes bancários. Eles devem ser descartados e destinados aos aterros sanitários.

3. Lixos eletrônicos
O lixo eletrônico, ou Resíduo de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE), são todos os itens que funcionam por meio da eletricidade. Os exemplos vão desde celulares até máquinas de lavar e liquidificadores.
O mais correto a se fazer com esse tipo de material é reuni-los e descartá-los em pontos de coleta especializados. A informação sobre esses locais também deve estar disponível na prefeitura da cidade.

4. Pontos para descarte de pilhas
As pilhas e baterias, por conterem substâncias tóxicas, não devem ser descartadas junto com outros itens, para evitar a contaminação.
Reúna as pilhas usadas e busque Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) perto de você. Essa informação costuma constar no site ou nos informativos da prefeitura da cidade.

5. Óleo de cozinha em garrafas PET ou de vidro
O óleo de cozinha não deve ser jogado na pia ou nos ralos, pois o óleo não é solúvel em água e é altamente poluente. Essa ação também pode provocar entupimento dos encanamentos e da caixa de gordura.
Para descartar esse material, armazene o óleo utilizado em um recipiente que não vaze, como garrafas de vidros ou PET. Quando cheio, descarte em um Pontos de Entrega Voluntária (PEV) específico para essa coleta.

6. Remédios vencidos
Os medicamentos vencidos e até mesmo as embalagens vazias, não podem ser reciclados ou reaproveitados devido à contaminação química. Em especial, não devem ser jogados no vaso sanitário.
O ideal é fazer uma separação distinta para eles, juntando-os em uma sacola de plástico branca. Farmácias e hospitais costumam receber esse tipo de material para destinar corretamente.

7. Produtos químicos
Os produtos químicos, como tinta, solvente, produtos de higiene e limpeza são extremamente perigosos para o meio ambiente e para a saúde humana.
Quando vencidos, o ideal é mantê-los dentro de sua embalagem original ou dentro de garrafas PET. Procure por pontos especializados nessa coleta e faça o descarte correto.

Descarte de resíduos no Acre
No Acre, a destinação correta de resíduos tem sido um grandes desafios ambientais no estado. Apesar da responsabilidade pela execução da coleta, tratamento e destinação final dos resíduos seja dos municípios, o Governo estadual tem atuado na formulação de políticas públicas, apoio técnico e ações de educação ambiental, fortalecendo a estrutura necessária para uma gestão mais eficiente e sustentável.
A gestão dos resíduos sólidos segue as diretrizes da Lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A legislação estabelece responsabilidades compartilhadas entre poder público, setor privado e sociedade, além de metas para eliminação de lixões e incentivo à coleta seletiva e à logística reversa.
Entre as principais frentes de atuação estão:
- Capacitação de técnicos municipais;
- Apoio na elaboração de planos e políticas públicas;
- Fortalecimento institucional das prefeituras;
- Promoção da educação ambiental nas escolas.
O Estado também atua em parceria com o Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Acre (CINRESOAC), que reúne municípios para buscar soluções conjuntas, como implantação de aterros sanitários e encerramento de lixões a céu aberto.
Campanhas de conscientização
A sensibilização da sociedade é um dos pilares da política ambiental acreana. A SEMA AC, em conjunto com órgãos ambientais, desenvolve ações educativas voltadas a estudantes e comunidades, com orientações sobre:
- Separação correta de resíduos;
- Redução do consumo e reaproveitamento de materiais;
- Importância da coleta seletiva;
- Destinação adequada de resíduos recicláveis e orgânicos.
Entre as iniciativas está o Programa Câmbio Verde, instituído pela Lei nº 4.622/2025, que incentiva a troca de resíduos recicláveis por alimentos, promovendo inclusão social e estimulando práticas sustentáveis. Além disso, campanhas pontuais e eventos ambientais reforçam junto à população dicas práticas sobre acondicionamento correto do lixo, horários de coleta e riscos do descarte irregular.
O estado utiliza como principal referência a legislação federal, especialmente:
- Lei nº 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos;
- Lei nº 9.605/1998 – Lei de Crimes Ambientais, que prevê penalidades para descarte irregular que cause danos ao meio ambiente.
- No âmbito estadual, a política ambiental é amparada pela Lei nº 1.117/1994, que estabelece princípios gerais de proteção ambiental.
Já na capital, Rio Branco, uma nova legislação municipal voltada ao fortalecimento da gestão de resíduos sólidos amplia os instrumentos de fiscalização, orientação e responsabilização, reforçando o compromisso local com o descarte adequado e a organização da coleta.
Desafios e perspectivas
Com 22 municípios e características territoriais desafiadoras, o Acre ainda enfrenta dificuldades estruturais, especialmente nas cidades do interior. No entanto, o avanço da articulação entre Estado e municípios, aliado à educação ambiental e ao fortalecimento da legislação na capital, aponta para um cenário de evolução gradual na gestão dos resíduos sólidos.
A consolidação de políticas públicas eficazes depende não apenas do poder público, mas também da participação ativa da sociedade. Separar corretamente o lixo, respeitar os horários de coleta e evitar o descarte irregular são atitudes fundamentais para garantir um ambiente mais saudável e sustentável para as futuras gerações acreanas.
Consciência Limpa
O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional daOrganização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto e Duque Sustentabilidade.
