Foto: Reprodução/ Insituto Descarte Correto
O descarte correto de residuos eletrônicos tem se tornado um desafio constante, principalmente nas cidades mais populosas da Amazônia. Isso ocorre porque, quando descartado de forma inadequada, esse tipo de resíduo pode causar prejuízos ao meio ambiente e também trazer riscos à saúde humana.
Uma das formas de reduzir os impactos ambientais provocados pelo descarte incorreto de resíduos eletrônicos é por meio da conscientização da população sobre a maneira adequada de destinar esse material.
Em várias cidades, já existem iniciativas voltadas para esse tipo de descarte, como cooperativas de reciclagem, fabricantes e lojas varejistas que adotam a logística reversa (processo que consiste no retorno de produtos, embalagens ou materiais do consumidor final ao fabricante), além de ações do poder público que disponibilizam pontos estratégicos para que a população possa realizar o descarte correto desses resíduos.
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Mesmo com essas iniciativas, especialistas apontam que a ampliação da conscientização da população ainda é fundamental para garantir que o descarte seja feito de forma adequada, reduzindo impactos ambientais e riscos à saúde.
Prejuízos causados pelo descarte incorreto
O descarte incorreto contamina o solo com metais pesados (chumbo e mercúrio por exemplo) e as substâncias tóxicas podem prejudicar a vida dos animais que dependem da área, fazer com que a terra se torne infértil e até mesmo contaminar as águas dos lençóis freáticos. Além disso, pilhas e baterias de lítio podem causar incêndios.
Diante da importância do tema, especialistas explicam como os resíduos eletrônicos devem ser descartados e quais são os problemas relacionados à destinação inadequada desses resíduos.
Os problemas de descarte de resíduos eletrônicos
Essa é uma preocupação comum em grandes cidades. Segundo a engenheira ambiental Fabiana Rocha, a maioria das cidades da região Norte, por exemplo, ainda não possui estrutura adequada para lidar com esse tipo de resíduo, o que contribui para que grande parte desses materiais seja descartada de maneira inadequada.
“A Amazônia passa ainda por um dos piores problemas que temos no que se trata de aterro sanitário, até por falta de interesse público, dos gestores que foram deixando de lado este processo. De forma geral, ainda existem muitas lacunas nesta questão de infraestrutura, de políticas públicas voltadas para o gerenciamento de resíduos e também de lixos eletrônicos dentro da Amazônia Legal. Muitos municípios ainda acabam enfrentando alguns desafios como a coleta regular, a destinação adequada, da implementação plena de coleta seletiva”, explica.
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No estado do Acre, que devido aos eventos climáticos extremos tem enfrentado cheias de rios e igarapés, atingindo diretamente a população de vários municípios, a preocupação com o descarte de resíduos eletrônicos também tem sido debatido.
Este material em contato não só com o solo, mas também com água, mostra a necessidade do poder público voltar a atenção com prioridade para essa situação.
Uma nota técnica feita em 2023 pelo Ministério Público do Acre, mostra que todos os municípios do estado não fazem a separação de resíduos, sendo descartados todos no mesmo espaço, em “lixões” de grandes centros urbanos.
Segundo Fabiana Rocha, as políticas para o descarte correto de lixo eletrônico já foram feitas, o que ainda é necessário é a concretização dessa política.
“O caminho mais adequado para o descarte dos materiais eletrônicos é a logístia reversa, que é prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Obrigatoriamente, os fabricantes, os importadores, os distribuídores, comerciantes, entre outros, precisam estar integrados para poderem participar do sistema de recolhimento da destinação correta deste tipo de material. Na prática, o cidadão deve procurar pontos de entrega voluntária, campanhas de coleta. Depois de colhido esse material passa por desmontagem e encaminhamento correto”, explica a engenheira florestal.
Descarte Correto
Uma dessas empresas que realizam a coleta de materias eletrônicos dentro de cidades da Amazônia para um trabalho ambiental é o Instituto Descarte Correto, que em fevereiro deste ano chegou ao município de Rio Branco em uma ação do projeto Consciência Limpa, da Fundação Rede Amazônica (FRAM) para receber resíduos eletrônicos da população de Rio Branco.
Segundo o CEO do Insituto Descarte Correto, Alessandro Dinelli, o trabalho de reciclagem de materiais eletrônicos dentro da Amazônia é de grande importância para o meio ambiente.
“O Descarte Correto já faz um trabalho de mais de 15 anos dentro da Amazônia e da região Norte. E antes deste ano ainda não tínhamos feito nenhuma ação em Rio Branco. Então somos muito gratos por esse convite da Rede Amazônica para que possamos fazer um trabalho em Rio Branco a partir de agora dentro desse cenário de ajudar a população a fazer o descarte correto de resíduos eletrônicos. São materiais agora que em vez de ir para um igarapé ou um lixão, passam a ter o destino correto”.
Ainda segundo Dinelli, há um trabalho em conjunto feito para disponibilizar a população de Rio Branco pontos de coleta para o descarte correto de resíduos eletrônicos.
“É um trabalho conjunto que vem sendo feito dia-a-dia, junto com esse trabalho feito pelo Projeto Consciência Limpa que já é uma realidade a população do Acre. É um projeto que leva a conscientização para as pessoas sobre os danos que estes resíduos eletrônicos causam a natureza se descartados de forma incorreta e agora com o Descarte Correto, podemos disponibilizar estes pontos para a população fazer a entrega deste material”.

Consciência Limpa
O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional da Organização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto, Duque Sustentabilidade e Estácio Unimeta.
