Pesquisa descobre hantavírus em morcegos da região Norte

Essa descoberta aumenta a preocupação com a possibilidade de surtos de Hantavirose, principalmente em regiões de desmatamento e produção de grãos.

A pesquisa foi conduzida a partir da análise sorológica e molecular de amostras biológicas de 47 exemplares, colhidos na região de Sinop, no MT. (Foto:Divulgação/UFMT)

Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) identificaram a presença de hantavírus em duas espécies de morcego presentes na região norte do estado, os Phyllostomus hastatus e Dermanura gnoma. Essa descoberta aumenta a preocupação com a possibilidade de surtos de Hantavirose, principalmente em regiões de desmatamento e produção de grãos. A pesquisa foi conduzida a partir da análise sorológica e molecular de amostras biológicas de 47 exemplares, colhidos na região de Sinop.

A presença de hantavírus em espécies morcegos é recente para a Ciência. De acordo com o professor Gustavo Canale, do Câmpus de Sinop, esses vírus estão mais associados à pequenos roedores silvestres, que podem transmitir a Hantavirose pela urina.

“A hantavirose pode ser causada por diversos vírus da mesma família. Alguns com sintomas mais leves e outros com sintomas mais graves, mas todos podem levar ao óbito, por isso da preocupação”, explica.

O desmatamento e, especialmente, a produção intensiva de grãos nessas áreas, elevam a preocupação, uma vez que os animais que transmitem o hantavírus podem usar as culturas como fonte de alimento, aumentando consideravelmente sua população e interagindo mais com as famílias que trabalham nas fazendas e moram nas regiões próximas.

“Mato Grosso já tem mais casos que a média do restante do país e vemos índices elevados da doença na região de Sinop, Tangará da Serra e Diamantina, onde já acontecem surtos esporádicos”, alertou.

Dinâmica da transmissão de hantavírus na região de estudo. O papel dos morcegos no ciclo ainda precisa ser melhor investigado (fonte da imagem: Sabino-Santos Jr et al., 2018 Scientific Reports). Imagem retirada de https://www.nature.com/articles/s41598-018-27442-w, com licença Creative Commons

Os sintomas de Hantavirose nos casos leves podem ser confundidos com outras zoonoses, como Dengue e Chikungunya, o que, de acordo com o professor, também contribui para uma subnotificação dos casos. Nos casos mais avançados, o vírus ataca o pulmão, causando dificuldade para respirar, aceleração dos batimentos cardíacos e tosse seca, desenvolvendo um quadro de “Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus”.

Por causa da forma de transmissão, as populações mais vulneráveis são as que não possuem um saneamento adequado e as que moram em áreas “periurbanas”, ou seja, além dos subúrbios de uma cidade, onde atividades rurais e urbanas se misturam.

“A melhor medida profilática para a questão dessas doenças é manter as florestas em pé. Floresta saudáveis e com alimento, para que os mamíferos não precisem procurar por comida nas cidades. E onde você tenha um balanço entre o número desses animais e seus predadores e competidores”, concluiu.

A pesquisa foi desenvolvida pelo Grupo de Ecologia Aplicada (Geca), da UFMT, em parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o Centro de Pesquisa em Virologia da Universidade de São Paulo (USP), A Oregon State University e a University of East Anglia.

Saiba mais: Hantavirose: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção.

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Borboleta amazônica híbrida: pesquisa comprova nova espécie

As análises genéticas e ecológicas indicam que os primeiros cruzamentos entre as duas espécies de borboletas que originaram a nova ocorreram há cerca de 180 mil anos.

Leia também

Publicidade