Escola de Verão de Pós-Graduação em Ciências Ambientais abre inscrições online gratuitas

A Escola de Verão terá uma programação variada, com abrangência às áreas das Ciências Exatas e da Terra, Engenharias, Ciências Agrárias e  Ciências Sociais e Humanas

A quarta edição da Escola de Verão será realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA), da Universidade do Estado do Pará (Uepa), de 5 a 9 de julho, e está com inscrições on-line, gratuitas, abertas até a próxima sexta-feira (2), para qualquer pessoa interessada por assuntos que relacionem temas ambientais com questões sociais, econômicas e culturais. A programação oferta 21 minicursos e permite a cada participante a inscrição em até dois deles. O evento será certificado, para quem tiver frequência completa no curso para o qual se inscrever.

Foto: Divulgação

“O objetivo da Escola de Verão é promover a inserção social do PPGCA. Ou seja, aproximar o Programa da comunidade na qual está inserido, estabelecer uma ponte para troca de saberes entre os membros do PPGCA e a sociedade”, explica o coordenador do PPG, Altem Pontes.

Por ser um evento multidisciplinar, a Escola de Verão terá uma programação variada, com abrangência às áreas das Ciências Exatas e da Terra, Engenharias, Ciências Agrárias, Ciências Sociais e Humanas, além das Ciências Biológicas e da Saúde. De acordo com professor Altem Pontes, o contexto atual, que impõe a realização do evento em uma versão digital on-line permite a ampliação do público. “Para a maioria dos minicursos, nós ofertamos de 30 a 50 vagas. Pretendemos alcançar alunos que estejam em outros municípios e até mesmo em outros estados”, afirma.

A IV Escola de Verão do PPGCA configura-se como uma oportunidade de aproveitar o mês de julho, tradicionalmente associado às férias escolares, para ampliar conhecimentos sobre temas ambientais discutidos em interfaces com diferentes áreas do conhecimento.

Meio ambiente e uma perspectiva holística da saúde

A diversidade de temas contempla discussões como as que serão realizadas no minicurso “Holopatogênese, Meio Ambiente e Saúde: Uma Proposta Interdisciplinar”, a ser ministrado pelo professor José Augusto Carvalho de Araújo. “Podemos dizer que a relação saúde e meio ambiente é indissociável, ou seja, as questões ambientais são parte integrante da saúde. Para compreendermos esta relação homem-meio é importante dizer que eles estão em constante interação”, explica o professor.

Para Augusto Araújo, a maioria das pessoas não se vê como parte do meio ambiente e não compreende que a própria saúde está relacionada ao meio ambiente, porque “a ciência nos ensina e ver somente a doença, e os seus desdobramentos e consequentemente, aprendemos que o adoecer é um resultado, mas não sabemos as causas. Não nos é ensinado a entender sobre a saúde. A holopatogênese é um conceito que inverte a lógica, e nesse caso ensinaríamos sobre a saúde, suas condições sociais, o que são fatores de vulnerabilidades, os riscos, a importância sobre a prevenção e a promoção à saúde”, esclarece.

Na perspectiva de uma saúde integral, essa relação entre saúde e meio ambiente envolve também a saúde mental, que na avaliação do professor “talvez seja o tema mais controverso e invisível da atualidade”. Nesse sentido, o professor afirma que “a saúde mental é resultado do meio ambiente, enquanto espaço de harmonia, equilíbrio, discernimento sobre práticas saudáveis de saúde, práticas saudáveis de relações sociais. A crise das pessoas é uma crise de identidade, por não se conhecerem socialmente falando”.

Comunicação química

Pensar em um contexto de harmonia e saúde, também requer levar em conta os invertebrados frequentemente lembrados apenas como incômodos: os insetos. No minicurso “A Comunicação Química entre os Insetos”, cinco professores vão abordar aspectos relativos à importância dessa comunicação, que viabiliza a interação dos insetos com o ambiente e outros organismos.

Andreza Mesquita Martins, química e mestre em Ciências Ambientais pelo PPGCA, umas das responsáveis pelo minicurso, ressalta que a ação humana que mais prejudica essa comunicação é a destruição dos habitats, com desmatamento, queimadas e outras interferências desse tipo. Por outro lado, atitudes que parecem pontuais e inofensivas, como o uso de inseticidas no ambiente doméstico, também podem ser prejudiciais, como o uso de inseticidas.

“Quanto ao uso dos inseticidas domésticos, geralmente são usados para matar mosquitos, baratas entre outros. Entretanto, o uso deles também pode afetar insetos que desempenham funções importantes dentro do ambiente, como as abelhas que são polinizadoras. Portanto, o uso abusivo destes inseticidas pode causar um desequilíbrio não só na comunicação química, mas nas suas cadeias ecológicas, provocando um desequilíbrio ecológico”, detalha Andreza Martins. 

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