Sabonetes de copaíba e andiroba geram renda para mulheres da Amazônia

A comunidade se localiza no alto do Rio Araguari, entre a Floresta Nacional do Amapá (Flona) e a Floresta Estadual do Amapá

Essencial para o equilíbrio do planeta, a floresta também pode ser fonte de riquezas sustentáveis para famílias que moram até mesmo em áreas protegidas. Neste sábado (5), Dia do Meio Ambiente, mulheres extrativistas do Amapá mostram o modelo de bioeconomia que adotaram para gerar renda e cuidar a região onde vivem.

O grupo integra a Associação Bom Sucesso, que é da comunidade Capivara, entre os municípios de Porto Grande e Ferreira Gomes. Elas realizam a extração de óleo de copaíba e andiroba para produção de sabonetes naturais.

A comunidade se localiza no alto do Rio Araguari, entre a Floresta Nacional do Amapá (Flona) e a Floresta Estadual do Amapá, que são unidades de conservação de uso sustentável.

Foto: Associação Bom Sucesso/Divulgação

Segundo a extrativista Arlete Leal Pantoja, membro da associação, tudo iniciou em 2014, quando uma professora indicou o potencial econômico da andiroba que tinha em abundância na comunidade.

“A gente começou a coletar seriamente a andiroba em 2014. Aí a gente começou a tirar óleo. Um ano depois fomos capacitadas para produzir sabonete de andiroba, sabonete de copaíba, vela repelente da andiroba. Aí começou todo o trabalho”, lembrou.

Além das trabalhadoras, quatro homens auxiliam na produção de quase 1 mil sabonetes por mês. Os produtos são escoados aos municípios de Oiapoque e Macapá, e também são vendidos pela internet.

Apesar do bom desempenho, as extrativistas enfrentam desafios, como a concessão da floresta à iniciativa privada para exploração madeireira, não-madeireira e de turismo. São 4 áreas selecionadas dentro da Flona, área de atuação dessas mulheres.

“Hoje o que preocupa muito a gente é essa história do manejo florestal que tá vindo aí, tipo da andirobeira que a gente sabe que ela é muito usado para a madeira. A gente fica pensando: será se vão derrubar elas também para transformar em madeira?”, contou Arlete.

De acordo com coordenadora para Clima e Serviços Ambientais da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Mariane Nardi, a bioeconomia é um conceito que associa o empreendedorismo com a sustentabilidade.

Foto: Associação Bom Sucesso/Divulgação

 “A bioeconomia é um novo conceito que tem vindo para a sociedade e também sai um pouco daquela ideia do extrativista estagnado que só vai lá coletar. Então a gente vê pessoas empreendendo na floresta, alimentando a sua família e mantendo a floresta em pé. Você associa benefícios e produz conservação”, afirmou.
A Sema acompanha os modelos de bionegócios no Amapá, na intenção de fomentar a bioeconomia de acordo com a realidade de cada unidade de conservação, informou a titular da pasta, Josiane Ferreira.

“Nós ativamos os conselhos, nós voltamos a ter reuniões com as comunidades. O Estado do Amapá fornece cursos de boas práticas de extrativismo para que, de fato, a gente tenha a potencialidade da bioeconomia junto a essas comunidades tradicionais”, frisou.

Apesar de promissores, os bionegócios ainda são raros e as comunidades tradicionais contam com poucas políticas públicas de estímulos da bioeconomia.

“Esse fortalecimento da governança que é propriedade da Sema, e do ICMBio quando as unidades são federais, são essenciais para a gente poder estimular esses negócios. E as decisões têm que ser dialogadas com a população que vive ali na unidade de conservação. Isso possibilita que eles acessem o negócio com segurança”, destacou Mariane.

Existe planejamento de incentivos financeiros na forma de pagamento direto aos extrativistas, produtores rurais com objetivo de incentivar a bioeconomia nas comunidades na Amazônia. Enquanto isso não acontece, a Arlete segue almejando um futuro de sucesso para a associação.

“A gente tem sonhos de expandir o mercado, de buscar o sucesso de vendas. Meu maior sonho um dia é a gente ter uma mini usina de produção para que a gente possa vir de lá com os produtos todos prontos e expandir o mercado porque eu sei que tem mercado”, finalizou.

Escrito por Victor Vidigal e Willian Amanajás da Rede Amazônica

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Lucia Alberta Baré: amazonense é nomeada nova presidenta da Funai

Antes de assumir funções de direção na Funai, Lucia Alberta Baré atuou por oito anos na Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira (AM).

Leia também

Publicidade