Foto: Divulgação/Ministério dos Transportes
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
O Agronegócio é considerado um dos principais contribuintes para o crescimento econômico do Brasil. De acordo com informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) com apoio financeiro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB do Agronegócio correspondeu por 23,8% do PIB do País em 2023, com uma queda de 3% comparado ao ano anterior. Diante de uma série de desafios que o Agronegócio tem enfrentado, a logística ganha destaque, desde planejamento da plantação e o armazenamento, até a distribuição final dos produtos.
Não é construtivo, por conseguinte, insistir na cantilena de que rodovias ou ferrovias destroem meio ambientes, conscientes da disponibilidade de soluções efetivas. Na Europa a agropecuária convive com a Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF e o Manejo Florestal Sustentável (MFS) desde a Idade Média. A excelência tecnológica desenvolvida na França, Espanha, Portugal, Itália e outros países garante campos altamente produtivos em conexão a rígidos códigos preservacionistas.
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No Brasil, a obrigatoriedade de manter o meio ambiente ecologicamente equilibrado é tão importante quanto a necessidade de produzir alimentos e desenvolver o agronegócio, responsável por cerca de 20% dos empregos formais e por mais de um quarto (27%) do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A legislação ambiental brasileira obedece a um conjunto de leis, decretos e resoluções federais, estaduais e municipais, baseada no artigo 225 da Constituição de 1988. Visa, essencialmente, proteger o meio ambiente, promover a sustentabilidade e regular atividades de cidadãos e empresas, estabelecendo infrações e sanções para o não cumprimento. O que funciona para o Brasil, evidentemente é válido para a Amazônia. E, desta forma, como excluir a rodovia BR-319 e o sistema rodofluvial regional desse contexto?
O crescimento populacional mundial, que deverá superar 9,5 bilhões até 2050, pressiona a produção de alimentos, exigindo aumento de produtividade. Embora a Teoria Malthusiana previsse a fome por crescimento populacional, o progresso técnico (Revolução Verde) sustentou o abastecimento, mas hoje a demanda cresce 1.4% ao ano, desafiando a segurança alimentar devido a conflitos, clima e desigualdade. Estudos técnicos buscam influenciar gestores e lideranças das esferas pública e privada na tomada de decisões com foco na sustentabilidade e no equilíbrio da tríade agricultura, biodiversidade e serviços ecossistêmicos.
Água limpa, regulação do clima, manutenção da fertilidade e da estrutura do solo, polinização de culturas e controle biológico de pragas e doenças são alguns exemplos. Os desafios mundiais interligados demonstraram a importância de sistemas logísticos resilientes. A modernização dos portos, a melhoria da conectividade entre fazendas e mercados e a maior previsibilidade do transporte rodoviário podem contribuir para objetivos globais mais amplos, como a segurança alimentar, a logística rural, crucial para mover insumos, maquinários e produtos agrícolas aos centros de consumo ou portos, garantindo a integridade dos produtos perecíveis. Tudo voltado ao equilíbrio agroecológico.
O documento Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), coordenado pela Embrapa, mostra que o potencial produtivo do Brasil não se restringe às grandes propriedades rurais, estende-se à agricultura familiar e à praticada por povos tradicionais, peça-chave no contexto agrícola nacional. O setor congrega pequenos produtores rurais, povos e comunidades tradicionais (PCTs), assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores. Possui uma relação mais estreita com os recursos naturais dado o menor uso de insumos, a diversidade de cultivos e maior aproveitamento de resíduos, emprega dois terços da mão de obra rural. O setor depende de transporte, seja fluvial, rodo-ferroviário ou mesmo aéreo, como o ser humano do ar e da água.
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Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
