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Quinta, 11 Agosto 2022

Amazônia: transição florestal produtiva e intensificação tecnológica, base do desenvolvimento da agropecuária regional

Na visão da própria Embrapa, "Sinergias de mudança da agricultura amazônica: conflitos e oportunidades", aqui já resenhado, tornou-se rapidamente um dos livros mais consistentes, detalhados e de ampla visão sobre os atuais desafios e perspectivas da agricultura na Amazônia. Lançado há duas semanas pela Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA), analisa temas cruciais da pauta regional e apresenta propostas para produção agrícola e florestal na Amazônia Legal, região onde vivem cerca de 30 milhões de pessoas e o nível de desmatamento é estimado em 81 milhões de hectares. Outra grande questão levantada no livro diz respeito a que transição florestal produtiva (para redução da área desmatada) e a intensificação tecnológica com sustentabilidade configuram prioridades absolutas, considerando, como enfatiza Alfredo Homma, autor e editor técnico da obra, "não existir solução mágica para a região".

O livro é enfático: não se pode prescindir de planejamento e investimento em contínuas descobertas científicas e tecnológicas aplicáveis à Amazônia, nem de políticas públicas que favoreçam a inclusão e o engajamento de produtores e demais agentes das cadeias produtivas no compromisso de criar e adotar alternativas que elevem o padrão tecnológico e econômico visando a sustentabilidade das atividades agrícolas e pecuárias. Sobretudo "em face do grande número de pequenos produtores envolvidos, há necessidade de direcionamento econômico voltado para o social", salienta.

Fotos: Divulgação/Secom AM

Consensual no conjunto da obra a necessidade de promover o aumento da produtividade da atual agricultura como forma de manter a fronteira velha (áreas já exploradas) contida no tamanho que ocupa hoje e também causar redução das novas fronteiras. "É possível desenvolver uma agricultura amazônica utilizando somente as áreas já desmatadas", mesmo levando em conta que o processo de recuperação de áreas degradadas na Amazônia enfrenta fortes entraves devido ao custo elevado da operação (entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por hectare). Fundamental, com efeito, "o planejamento e investimento em contínuas descobertas científicas e tecnológicas aplicáveis, além de políticas públicas destinadas à inclusão e ao engajamento de produtores no compromisso de criar e adotar alternativas que elevem o padrão tecnológico, econômico, social e ambiental na base do desenvolvimento agropecuário amazônico".

Segundo Homma, "grandes avanços no planejamento do uso da terra têm sido percebidos, como a utilização de imagens de satélites. Nesse sentido, aponta-se o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), programa em implantação em todo o Brasil pelo do Ministério da Agricultura, como instrumento indispensável ao esforço de ocupação racional da Amazônia, principalmente quando se discute a dimensão da área que pode ser desmatada". A guerra da Rússia contra a Ucrânia, todavia, tem causado aqui devastadores efeitos negativos em relação à recuperação de pastos e culturas menores. A alta no preço dos fertilizantes, causada pela restrição da oferta do produto gerada pelo conflito, já está afetando grandes e pequenos produtores. Registre-se que somente cinco culturas – soja, milho, cana-de-açúcar, algodão e café – consomem cerca de 80% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira, avalia o pesquisador.

No estudo publicado pela Embrapa "Uso da terra na Amazônia: Uma proposta para reduzir desmatamentos e queimadas", de 2005, Alfredo Homma e o pesquisador Fabrício Khoury Rebello observam fazer-se "necessário pensar uma proposta de desenvolvimento agrícola para a Amazônia que contemple, ao mesmo tempo, preocupações com o meio ambiente, aumento da produtividade e o uso intensivo do fator de produção terra, como forma de reduzir as pressões sobre os recursos naturais e melhoria dos indicadores socioeconômicos regionais, aprimorando, assim, as condições de vida do homem da Região".

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR), do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA/INPA) e do Conselho Regional de Economia do Amazonas (CORECON-AM).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista


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