Foto: Brunna Silva/Arquivo pessoal
Personalidades da história afroamapaense participam da websérie Heranças Negras: Memórias Vivas do Amapá. A produção independente foi gravada em diferentes pontos de Macapá entre junho e julho de 2025 e recebeu recursos da Lei Paulo Gustavo.
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A websérie tem seis episódios, com cerca de dez minutos cada, lançados sempre às sextas-feiras. O objetivo é dar protagonismo às vozes negras do Estado, destacando vivências ligadas à educação, cultura e saúde. Segundo a diretora Brunna Silva, a proposta é mostrar histórias de resistência, identidade e pertencimento. Essa é a segunda produção audiovisual da artista.
“Eu saí do Fala Preta e queria continuar dando visibilidade para quem me deixou legado (…). Então o Heranças Negras veio da vontade de continuar fazendo audiovisual, de falar de quem nós somos. Pode não ser alguém de sangue pra mim, mas são pessoas que eu me inspiro e que deixam herança não só pra mim, mas para o Amapá inteiro”, explicou Brunna.
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Os personagens foram escolhidos pela trajetória de cada um. São três mulheres e três homens que representam diferentes áreas:
- Pedro Bolão – Cultura
- Maria do Socorro (parteira e puxadeira) – Saúde
- José Carlos Tavares (professor da Universidade Federal do Amapá) – Saúde
- Laura do Marabaixo – Cultura
- Neto Medeiros – (professor da Universidade Federal do Amapá) Educação
- Esmeraldina dos Santos – Educação
Pedro Bolão fala das raízes do batuque do Marabaixo no quilombo do Curiaú, onde vive e produz as caixas usadas nas festas. Laura também aparece como referência da cultura do batuque no Estado.
Maria do Socorro relembra práticas ancestrais das parteiras, aliadas ao uso de ervas medicinais da Amazônia. José Carlos Tavares mostra como plantas comuns em quintais podem ser alternativas no tratamento de doenças.
Na educação, Neto Medeiros, jovem professor e ativista da causa negra, e Esmeraldina dos Santos, pedagoga que usa o Marabaixo como ferramenta de ensino, dão voz às experiências de resistência e identidade.
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Websérie traz resgate histórico
Cada episódio foi gravado em locais escolhidos pelos próprios personagens, como forma de representar suas vivências. Eles destacam costumes e tradições da Amazônia Negra.
“Eu acredito que esse é o momento da gente, de pessoas como eu, que são jovens, que querem começar no audiovisual, realmente se arriscarem para fazer alguma coisa e aproveitar os editais que estão tendo para a gente fortalecer a nossa cultura, o nosso sistema brasileiro e, principalmente, amazônico”, relembrou Brunna.
A produção teve apoio de Jéssica Thaís e Saturação na fotografia e finalização. A equipe contou ainda com Rayane Penha, Lucas Monte, Mário Garavello, Mc Super Shock e Caio Hudson em funções de produção, câmera e som.

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*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP
