Segundo o Instituto Mamirauá, indígenas e ribeirinhos tiveram papel fundamental na expedição realizada na Amazônia, conduzindo os pesquisadores até os sítios e compartilhando relatos sobre a ocupação no Amazonas. Foto: Divulgação/Instituo Mamirauá
Um grupo de pesquisadores encontrou 50 sítios arqueológicos durante uma expedição científica no oeste do Amazonas, ao longo do Rio Japurá, próximo à fronteira com a Colômbia. Os achados revelam vestígios da ocupação humana na Amazônia e, para os arqueólogos, funcionam como uma ‘linha do tempo’ da história amazônica.
Entre 9 de fevereiro e 2 de março, pesquisadores do Instituto Mamirauá percorreram 200 km do Alto Japurá. Eles registraram gravuras rupestres, cerâmicas antigas, terra preta, fontes de matérias-primas e até objetos ligados ao Ciclo da Borracha.
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O Ciclo da Borracha foi um momento econômico na história do Brasil relacionado com a extração e comercialização da borracha. O seu auge ocorre entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 e 1945 durante a II Guerra Mundial (1939-1945). Durante este período, cerca de 50% do Produto Interno Bruto do Amazonas era resultado da extração e comercialização da borracha.
O trabalho faz parte de uma ação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A ideia é reunir dados ambientais, arqueológicos e socioculturais para orientar políticas de conservação da floresta e valorização do patrimônio histórico.
“A identificação dos sítios e dessas informações históricas ajuda a pensar políticas públicas e estratégias de proteção para essas áreas de floresta que ainda não têm destinação definida”, afirmou o arqueólogo Márcio Amaral, do Instituto Mamirauá.
Um relatório será entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Os primeiros resultados já foram apresentados em uma oficina em Manaus, nos dias 19 e 20 de março.
Leia também: Portal Amazônia responde: o que são sítios arqueológicos?

Comunidades na Amazônia são protagonistas
Segundo o instituto, indígenas e ribeirinhos tiveram papel fundamental na expedição, conduzindo os pesquisadores até os sítios e compartilhando relatos sobre a ocupação da região.
Segundo Amaral, essas populações são protagonistas na preservação da memória:
“Eles carregam relatos e conhecimentos que contribuem para a pesquisa. Nós somos como pontes, enquanto eles são as principais fontes desses espaços”.
Além do Instituto Mamirauá e do MMA, participam da iniciativa o Field Museum of Natural History (Chicago), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Amazon Conservation Team (ACT).
*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM
