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Quarta, 18 Mai 2022

Viajante de Muletas: maranhense que já conheceu 143 países visita o Amapá

Viajar é o sonho de muitas pessoas, não é? Para o maranhense Luiz Thadeu Nunes, de 62 anos, o ato de viajar é um desejo e superação. O motivo? Mesmo necessitando de muletas, ele já visitou mais de 140 países e, inclusive, entrou para o livro dos recordes por ser o "brasileiro com mobilidade reduzida mais viajado do mundo".

Luiz Thadeu Nunes em frente à Fortaleza de São José de Macapá — Foto: Luiz Thadeu Nunes/Divulgação

Luiz, que ficou conhecido como 'viajante de muletas', esteve na capital do Amapá para conhecer os principais atrativos turísticos do local. Além de viajar, o maranhense aproveita a estadia nas cidades para mostrar sua história de superação que teve início após um grave acidente de trânsito em 2013.

"Eu sou o único brasileiro com algum tipo de dificuldade de mobilidade que mais visitou países. Esse título já está no livro dos recordes há dois anos. Conheci 143 países em 10 anos e muitos mais de uma vez",

comentou Luiz.

Atualmente, ele visita as capitais brasileiras que ainda não conheceu. Nunes já passou por Belém e Macapá e ainda irá por Brasília, Cuiabá, Porto Velho, Manaus , Rio Branco. No final, faltará apenas conhecer Boa Vista, capital de Roraima.

Sobre a capital amapaense, Nunes disse que se surpreendeu com a superfície da cidade e a estrutura do aeroporto, inaugurado em 2019.

"Macapá, para mim, era uma cidade bem longe, porque eu ainda não tinha noção de como chegar aqui. Mas a cidade me surpreendeu, porque é extremamente plana e o Aeroporto de Macapá é muito superior ao de São Luís, que tem 1,1 milhão de pessoas", avaliou. 

'Viajante de Muletas' em São Luís, capital do Maranhão — Foto: Luiz Thadeu Nunes/Divulgação

Aos poucos o engenheiro agrônomo vem retomando as viagens, paralisadas em 2020 devido à pandemia de Covid-19. Em breve, ele deve retomar os objetivos mais ousados: fazer a volta ao mundo em 60 dias e visitar os 50 países ainda faltam para completar os 193 existentes no mundo.

"Ainda este ano vou voltar a fazer as viagens internacionais, provavelmente em junho, e quero conhecer principalmente as ilhas da Oceania que ainda não visitei, como a Nova Caledônia, Tonga e Taiti. E também fazer a volta ao mundo em 60 dias", contou o viajante.

Superação

A história de superação de Nunes começou em 2003, quando estava dentro de um táxi e o motorista atendeu o telefone, perdeu o controle e colidiu com um caminhão no interior do Rio Grande do Norte.

Com isso, ele passou quatro meses internado, a perna esquerda teve infecção óssea e passou por 43 cirurgias para reabilitação. Todos esses desafios fizeram com que o engenheiro agrônomo ficasse quatro anos sem colocar os pés no chão.

Porém, em 2009, uma viagem com os filhos para Irlanda fez com que Nunes repensasse os objetivos para a vida e colocasse em primeiro plano as andanças pelos continentes.

Brasileiro com mobilidade reduzida mais viajado do mundo no deserto do Atacama, no Chile — Foto: Luiz Thadeu Nunes/Divulgação

"Eu não tinha perspectiva de sair do Brasil porque não tinha confiança, estava me adaptando a andar de muletas. E aí eu fui para Irlanda e os meus filhos montaram uma viagem por oito países. Quando voltei para o Brasil, eu disse: 'Meu Deus é muito fácil andar pelo mundo'. E voltei a viajar", relatou.

Desde então Nunes já passou por países como Argentina, Chile, Equador, Panamá, Estados Unidos, Canadá, México, Austrália, Nova Zelândia, Israel, Egito, Emirados Árabes, Singapura, Coreia do Sul, Vietnã, Camboja, África do Sul e 49 países da Europa - faltando apenas a Islândia para completar as viagens pelo Velho Continente.

Mesmo com mobilidade reduzida, não falando inglês e nem se considerando rico, Nunes conseguiu o que muitos sonham e hoje dá palestras contando a história que viveu.

"Sempre digo nas minhas palestras que você precisa sempre ter um objetivo, um sonho, e correr atrás dele. Eu me alimento de sonhos. Quando eu deixo de sonhar, eu não existo. Sempre estou em busca de um novo propósito", finalizou.


*matéria escrita por Victor Vidigal do Grupo Rede Amazônica 

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