Pesquisadores descobrem carta do fim do século 19 no Amapá atribuída a Cabralzinho

O general Cabralzinho tem desde 2021 o nome no Livro de Heróis da Pátria.

Pesquisadores que atuam no Centro de Memória do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) encontraram em um dos processos estudados, uma carta atribuída a Francisco Xavier da Veiga Cabral. O general Cabralzinho tem desde 2021 o nome no Livro de Heróis da Pátria.

Cabralzinho foi tido como herói na disputa entre o Brasil e a França pela então região do Contestado Franco-Brasileiro, no Amapá. Segundo relatos históricos, ele teria derrotado, com o apoio de outros brasileiros, uma guarnição de invasores franceses à Vila do Espírito Santo, atual município de Amapá.

O documento é de um processo sofrido por Cabralzinho pela tentativa de articular uma fuga de companheiros que estavam presos, de acordo com Marcelo Jaques, historiador do TJAP.

“É um processo do final do século 19, um pouco antes de Cabralzinho ter toda essa atuação que teve na situação do Contestado Franco-Brasileiro. A fuga tem a ver com essa atuação política dele, porque era uma figura polêmica e controversa, e muito historiadores até duvidam do heroísmo dele”, descreveu o historiador.

Ainda segundo o historiador, Cabralzinho era suspeito de integrar um plano para depor o então governador do Pará, Lauro Sodré, eleito pelo Congresso Constituinte Paraense em 23 de junho de 1891.

Outros fatores

Entre arquivos, artefatos e objetos que fizeram parte da construção da história também está um dos documentos mais antigos no acervo, um livro de registo dos escravos que chegavam à Vila Mazagão de 1841.

“Nele constam, por exemplo, a aptidão para o trabalho, a idade, o proprietário desses escravizados e os valores que eram atribuídos a eles. A importância disso tudo é fazer com que esses arquivos sejam colocados à disposição da sociedade através de pesquisas, por exemplo”, informou Michel Ferraz, museólogo do TJAP.

Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica

Centro de Memória

O Centro de Memória do TJAP foi inaugurado em 2019 com o objetivo de preservar e difundir a memória institucional da Corte de Justiça amapaense. Localizado na entrada do Palácio da Justiça, o memorial exibe objetos, livros notariais e processos judiciais emblemáticos provenientes de diversas fases do Judiciário no território amapaense.

O espaço está localizado na Sede do TJAP, na Rua General Rondon, nº 1295, no Centro de Macapá. Aberto das 7h30 às 14h, disponível para visitação do público.

Veja a carta de Cabralzinho na íntegra:


Amigo Bellarmino.

Sinto profundamente os desgostos que tens passado nessa masmorra, eu ca fico sem novidades maior, graças a Deus.

A tua família vai regularmente, a tua senhora já deu à luz a uma creança e foi bem sucedida.
Os nossos chefes tem protegido com toda hombridade a tua família que está recebendo uma pensão.
O portador d’esta é um amigo meu que vai haí só e somente para os trazer desse inferno, vai a meu mandado exclusivamente, podem vir como estão, sem susto, que vem para junto de sua família. Fiz o mesmo ao Manoel Ludgero, ao Vicente Paula de Oliveira, Raymundo Jose de Valentim, Sergio Manoel da Conceição, Manoel Ribeiro da Silva, Hilario dos Passos Pinheiro, Henrique José Lopes, João Periquito, Lourenço Joaquim Praxedes, a todos diz que empreguem todos os meios de embarcarem-se com esse amigo e venham com coragem, pois que Deus protege os seus filhos.

Abraçem o amigo que muito os estima.

Cabralzinho.

*Por Rafael Aleixo e Addan Vieira, do g1 Amapá

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Você sabia que o Acre teve governador deposto durante o período do Golpe Militar?

José Augusto de Araújo, primeiro governador do Acre eleito democraticamente, teve de renunciar para evitar conflitos. Seringueiros foram oprimidos pelas políticas de ocupação da Amazônia.

Leia também

Publicidade